Capítulo Treze: Relegada ao Esquecimento

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2223 palavras 2026-03-04 14:57:08

No primeiro dia do Ano Novo, flocos de neve começaram a cair do céu. Inicialmente era apenas uma névoa de chuva, mas aos poucos os cabelos das pessoas se cobriram de uma fina camada branca de gelo. Assim a neve chegou, silenciosa, e logo começaram a descer grandes flocos macios como algodão, tão convidativos que era impossível resistir à vontade de apanhá-los com as mãos.

Após tomar o remédio, o rosto de Hu Shanshan ganhou cor novamente; medimos sua temperatura duas vezes pelo caminho e tudo indicava melhora. Aliviados, e considerando o frio, entramos numa loja de conveniência para preparar o remédio em copos de chá para todos.

Zhou Jie hesitou em beber, mas, temendo ser rejeitado pelo grupo, acabou cedendo. Tomar o remédio nos deixou sonolentos, e havia uma sensação de leveza ao caminhar. Eu, empurrando a mala, começava a me sentir exausto, enquanto Hu Shanshan parecia cada vez mais animada, tirando fotos da neve com o celular. Sem perceber, Zhou Jie e Hu Shanshan estavam juntos, conversando e rindo, parecendo um casal. Ao observar suas silhuetas à frente, senti uma ponta de ciúme. Ao olhar para os flocos de neve caindo, lembrei-me de que alguém havia dado um guarda-chuva para Hu Shanshan no Pavilhão das Garças e que talvez ela o tivesse guardado na mala.

Hu Shanshan avistou uma enorme pedra à beira do caminho e subiu nela, pedindo a Zhou Jie que tirasse uma foto. Enquanto ela se preparava, viu que eu tentava abrir sua mala. Seu rosto mudou de imediato; ela correu até mim e me empurrou.

— Está louco? Por que está mexendo na minha mala?

— Calma, tem cadeado com senha — respondi com desdém, sem sentir que minha atitude fosse tão grave, e, com um sorriso insolente, perguntei: — Ei, qual é a senha?

— Vai roubar dinheiro, Lu Xia? — ela me lançou um olhar furioso, puxando a mala indignada. — Você está enganado, nem imagina o quanto sou pobre.

— Só queria pegar o guarda-chuva para você — gritei atrás dela, sentindo-me injustiçado.

Hu Shanshan hesitou ao ouvir isso, virou-se e, com o rosto fechado, respondeu: — Já joguei fora.

Não entendi por que ela estava tão nervosa com aquela mala, mas, dali em diante, não me deixou mais empurrá-la, entregando-a a Zhou Jie. Wang Yuqing, vendo que eu estava sendo isolado, se aproximou e, em tom cúmplice, comentou:

— Irmão Lu Xia, não se pode mexer nas coisas de uma mulher, isso pode acabar mal!

Zhao Ziwu ainda completou:

— Irmãozinho Xia, sempre achei você sensato, por que insiste nessa mala e acaba se indispondo? Já ajudou, já se cansou, e ainda fica mal!

Antes que eu pudesse responder, ouvimos risos à frente. Hu Shanshan estava sentada na mala, sendo puxada por Zhou Jie, tentando bater nele sem conseguir, agarrada à mala, gritando de olhos fechados.

— Olha só, que habilidade! — Zhao Ziwu exclamou, divertido, lançando-me um olhar de compaixão.

Imaginei que meu rosto devia estar paralisado, demorando para desfazer a expressão rígida. Esforcei-me para parecer indiferente:

— Bah! Já estava cansado de puxar aquilo! Vocês não fazem ideia de como é pesado.

Mas, ao olhar para eles, senti uma estranha melancolia. Seria ela quem estava doente? Preferia acreditar que eu é que estivesse.

Sentir-se excluído não era nada agradável. Contudo, não sou uma pessoa mesquinha, tampouco me prendo a detalhes insignificantes. Enquanto me perdia nesses pensamentos, Zhou Jie chamou todos, apontando para um caminho de terra atrás de nós:

— Vamos pegar um atalho. Se continuarmos assim, em dois dias não chegamos a Xishui.

— Por quê? — perguntei, examinando o mapa no celular. Não havia sinal de caminho de terra, nem vilarejos à frente. — Não deveríamos ir sempre em direção a Huanggong?

— O que você sabe? — Zhou Jie sorriu com desdém. — Esse é o atalho. Apesar de ser difícil, é muito mais rápido do que contornar por Huanggong.

Depois de refletir, percebi que ele tinha razão. O tempo era nosso bem mais precioso e todos desejavam poder voar até Xishui. Um atalho era uma oportunidade imperdível.

— Vamos então! Já atravessamos campos de mato, o que são estradas rurais? — Hu Shanshan, apoiando-se no ombro de Zhou Jie, foi a primeira a pisar na trilha. O chão estava lamacento, ela escorregou e quase caiu, mas Zhou Jie a segurou pela cintura, evitando o acidente.

Diante disso, Zhao Ziwu e Wang Yuqing me lançaram olhares sugestivos.

A neve fina caía, mas ao tocar o chão se derretia, formando gotas de água nas folhas e na beira do caminho, tornando tudo mais difícil. Passamos por alguns vilarejos, mas não vimos ninguém, nem encontramos lugar para almoçar. Não havia restaurantes, e tampouco poderíamos, como monges em peregrinação, bater de porta em porta pedindo comida. Sempre que passávamos por uma casa e sentíamos o cheiro de carne no ar, a fome apertava.

Nesses momentos, sentia saudade daqueles ovos cozidos em caldo vermelho que o dono da pousada me servira, embora só algumas horas tivessem se passado.

Por ter ficado encarregado da mala de Hu Shanshan na cidade, não comprei mais petiscos e nem imaginei que passaria fome; agora me arrependia.

Hu Shanshan ainda estava um pouco fraca e, com o caminho difícil, caminhava com passos trôpegos, quase caindo. Wang Yuqing se queixava o tempo todo, apoiada em Zhao Ziwu, até que ele a levou nas costas.

Zhou Jie, carregando a enorme mala, também perdeu o vigor de antes; parava a cada poucos passos para recuperar o fôlego e, ao olhar para mim, havia um certo desconforto em seu olhar.

No fim das contas, eu era o que estava mais à vontade, e isso, curiosamente, me dava uma estranha sensação de superioridade.

Apesar das dificuldades, ninguém desistia. Na estrada cada vez mais deserta, havia em nossos rostos uma expressão de determinação e fé.

Logo nossas pernas estavam encharcadas pelas gotas acumuladas nas folhas. A cada passo, ouvíamos a água chacoalhando dentro dos sapatos. Temendo que Hu Shanshan pegasse um resfriado, pedi uma xícara de chá quente numa casa rural para que ela tomasse o remédio.

Hu Shanshan, aquecida pela caminhada, já não sentia os sintomas anteriores. Como quem esquece a dor assim que a ferida cicatriza, ela relutou em tomar o remédio:

— Acho que já estou melhor.

— Não é tão rápido assim! Menos conversa, toma logo.

Diante da minha insistência, ela acabou tomando. Paramos para descansar e devoramos o pouco de comida que restava.

A caminhada fazia o tempo passar rapidamente. Quando olhei o relógio, já eram três da tarde e, além de campos e terras ermas, não se via nem poste de luz; ao longe, uma colina bloqueava nossa visão.

A mala de Hu Shanshan não era realmente pesada, mas carregar algo por tanto tempo tornava qualquer bagagem um fardo. Além disso, Zhou Jie já tinha sua própria mochila e, não fosse pela constituição robusta, não aguentaria. Eu, por minha vez, preferi não me envolver e fingi não perceber.