Capítulo Oitenta e Três: A Sogra Especula no Mercado Imobiliário

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2351 palavras 2026-03-04 14:59:54

Ao chegar em casa, Snow estava ocupada, se movimentando de um lado para o outro, organizando os quartos para eles. Nesse momento, meu pai me puxou para a varanda e falou rapidamente:

— Lyu Xia, se você e Snow tiverem dois filhos, e um deles levar o sobrenome Xia, você teria algum problema?

Fiquei surpreso com a pergunta. Nunca havia pensado nisso. Na verdade, o sobrenome das crianças nunca foi um problema para mim, eu mesmo levei o da minha mãe. Mas ao ouvir "sobrenome Xia", senti um certo desconforto. Por que Snow deveria ter o sobrenome Xia?

— Não importa! Se for o caso, eu só terei um filho.

Meu pai franziu a testa ao ouvir isso, percebendo meu dilema, e deixou o assunto de lado. Afinal, filhos são uma questão para o futuro; o presente traz problemas mais urgentes.

Ele acendeu um cigarro e começou a fumar:

— Seu sogro quer que vocês vivam em “duas cidades”.

— Até que está na moda, ele conhece esse estilo de vida de duas cidades.

— Não brinque, leve isso a sério, você precisa pensar direito — meu pai me advertiu. — Não creio que tenham má intenção, mas você trabalha com imóveis, deve saber que os preços em Huangshan não são baixos.

— Eles realmente têm essa exigência? — perguntei incrédulo, pensando se estariam mesmo negociando a filha.

Meu pai suspirou:

— Deixe pra lá, faremos o possível. Sua mãe e eu temos algumas economias, seus irmãos podem ajudar, não deve ser um grande problema.

Antes, era comum ouvir as sogras especulando imóveis; muitos, antes mesmo de se formarem na universidade, já tinham a família reunida para comprar uma casa. Com os casamentos entre cidades crescendo, tornou-se moda o estilo de vida em duas cidades. No fundo, trata-se de comprar um imóvel na cidade da esposa, para que os sogros possam envelhecer lá.

À noite, Snow não teve coragem de me deixar dormir no sofá; ficamos juntos, cada um enrolado em seu próprio cobertor, meio desconfortáveis.

De repente, Snow perguntou:

— Lyu Xia, seus pais falaram com você?

— Sobre o quê? — eu perguntei.

— Sobre a casa — ela lembrou.

— Ah, sim. Vamos comprar! — respondi prontamente, para tranquilizá-la.

Snow virou-se, tocou minhas costas:

— Lyu Xia, depois vou dizer a eles que não é necessário.

Receando que Snow se sentisse pressionada, virei-me e acariciei seu rosto delicado:

— Não se preocupe! Nossa família pode comprar. Além disso, adquirir um imóvel é um investimento. Não sou ingênuo, sei que seus pais só querem o melhor para nós.

Foi nesse momento que percebi que aquilo não me prejudicava em nada; afinal, a casa seria um patrimônio meu. E, de certo modo, a família de Snow tinha economias. A exigência de comprar o imóvel era apenas uma forma de garantir que o esforço deles não fosse desperdiçado por nós.

— Você realmente pensa assim? — Snow olhou profundamente nos meus olhos.

— Claro — segurei a mão dela e sorri. — Se algum dia estivermos muito ocupados, deixamos as crianças com seus pais. Nos verões, vamos para Huangshan, o ar de lá é ótimo!

Snow apertou os lábios, me observando; seus olhos brilhantes pareciam dançar como flocos de neve. Por fim, esticou o pescoço e me beijou:

— Lyu Xia, você é maravilhoso!

Esse beijo foi como um estopim, meu coração disparou e senti um calor súbito.

— Lyu Xia, não faça isso...

— Lyu Xia, hoje não...

— Lyu Xia, desculpa...

— Não tem problema, a culpa é minha...

O céu noturno era sombrio, sem lua provocante, sem estrelas radiantes, até o vento era solitário.

Mas toda vez que fechava os olhos, parecia ver as luzes de néon ondulando como ondas, e um peixe carpa vermelho saltando contra a corrente, girando em busca de sua cauda... Um giro de 365 graus, levantando tempestades!

No terceiro dia do feriado prolongado, os pais de Snow sugeriram uma visita à empresa.

Não era conveniente, mas entendi que talvez quisessem ver de perto, verificar se aquela “carta postal” não era apenas uma impressão colorida comprada numa loja.

— Lyu Xia, não dê ouvidos à sua tia, ela só sabe complicar — disse o pai de Snow ao entrar no carro, mexendo na maçaneta. — Melhor deixarmos vocês em paz.

Snow olhou para mim com seus olhos inocentes, buscando minha opinião. O que eu poderia dizer? Apenas tentei tranquilizar o tio Xia:

— Não se preocupe, a equipe está ocupada com vendas especiais, não há muita gente. Quando chegarmos, podem ficar no escritório, tomar um chá, a manhã passará rápido.

Depois, voltei-me para Snow:

— De tarde, você acompanha seus pais para passear pela cidade.

— Pode ser? — ela franziu a testa. — Você não é meu gerente de departamento, não pode decidir isso.

— Não deve haver problema.

Era um período especial, então não fui categórico. Achei que os chefes me dariam esse voto de confiança.

Os pais de Snow vieram curiosos ao escritório. Preparei um chá para eles e os deixei à vontade.

Eles não conseguiam ficar parados, especialmente a mãe de Snow, que olhava para todos os lados, até que acabou andando pelo setor de trabalho, sentando-se no posto de Snow por um tempo.

Quando voltou, trocou olhares com o marido, exibindo um orgulho e satisfação discretos.

— Lyu Xia! Ouvi de uma moça que você passou de funcionário a gerente em apenas seis meses, isso é impressionante! — a mãe de Snow falou animada, lançando um olhar ao marido.

O tio Xia a repreendeu:

— Já te disse para não andar por aí, pode atrapalhar o trabalho dos jovens!

Mas a mãe de Snow não deu importância, murmurando ao marido:

— Você não entende, eu já perguntei, aqui Lyu Xia é o chefe.

— Mesmo assim, não pode! — o tio Xia falou severo, mas esboçou um sorriso.

Fingi não ouvir, concentrando-me no trabalho. Até que, por volta das nove, o celular começou a vibrar sem parar. Ao ver o nome, senti um arrepio.

Quando atendi ao telefonema da filha do magnata, soube que meu pesadelo estava começando.

— Oi, Lyu Xia, venha me buscar no aeroporto, acabei de chegar!

— O quê? — resisti, recusando aceitar aquela realidade.

— Como assim? Não me diga que não tem carro! — a princesa hesitou um instante ao telefone e continuou: — Então tá, me manda sua localização, eu pego um táxi.

— Você não disse que não queria me ver?

Fiz de tudo para afastar aquela garota, especialmente naquele momento, com os pais de Snow por perto. Como eu a apresentaria? Filha do grande chefe?

— Lyu Xia, você não tem coração? Vim de propósito atrás de você, e nem aparece? Menos conversa, enquanto ainda tenho dinheiro pro táxi, depois pode não ser o caso.

— Não podia não ter vindo? Eu realmente não tenho tempo hoje, minha princesa! — quase chorei.

— Vai mandar ou não a localização? — ela perdeu a paciência, gritou. — Se não mandar, vou ligar para meu tio e perguntar.

Sem alternativa, deixei que viesse à empresa.