Capítulo Oitenta e Nove: A Princesa Salva a Situação
Logo chegou o sábado. O velho Cão Wu, ainda dando sua última contribuição, reuniu todos os chefes acima do cargo de supervisor da empresa e armou uma mesa no Restaurante Jinjing esperando por eles.
— Esta refeição de hoje não tem outro propósito. Só queria reunir os velhos companheiros para um encontro — proclamou Cão Wu, acariciando a barriga avantajada, erguendo o copo e virando o conteúdo de uma vez.
Os presentes também se levantaram um após o outro para brindar, trocando cumprimentos e cortesias.
Quando abri a porta do salão reservado, todos os olhares se voltaram para mim, cheios de estranheza. Cheguei a ouvir alguém cochichar espantado: O que ele está fazendo aqui?
— Cão Wu, não era só para os velhos amigos se encontrarem? O gerente Lu agora é gerente de recursos humanos, mas quando trabalhávamos juntos, ele provavelmente nem tinha se formado ainda — alguém comentou com sarcasmo e uma ponta de escárnio, talvez por saber que eu havia sido promovido acima do esperado, sem se preocupar em disfarçar.
Havia, no entanto, quem hesitasse, inspirando fundo antes de sorrir e dizer cordialmente:
— O gerente Lu é um dos pilares da empresa, afinal. Se ele não viesse, essa reunião ficaria incompleta! Venha, sente-se aqui, gerente Lu…
Senti meu rosto arder de constrangimento, enquanto o coração se enchia de um misto de paciência e amargura.
Muitos gestores, ao assumirem, trocam sua equipe, pois, como dizem, cada rei tem seus vassalos. Antes eu não dava muita importância a isso, mas agora percebo que a complacência pode ser o maior perigo para si mesmo.
Comecei a me culpar em silêncio. A matriz me deu o departamento de recursos humanos justamente para que eu tivesse controle sobre eles. Como pude ser tão fraco a ponto de ser controlado por eles?
— Caros senhores e mentores, vejam, a empresa está tão atarefada ultimamente que não tive tempo nem de convidá-los para um jantar. Hoje, aproveitando o encontro organizado pelo tio Wu, faço aqui um brinde a todos vocês, esperando que aceitem de bom grado…
Enquanto eu brindava, alguns me retribuíram com entusiasmo, outros, hesitantes, olhavam ao redor, e havia quem nem se mexesse, deixando clara a sua posição.
Por fim, o diretor Sun não aguentou e, após virar sua dose, disse a Cão Wu:
— Cão Wu, me perdoe, mas tenho um assunto urgente em casa e preciso ir. Fiquem à vontade, aproveitem…
O diretor Sun parecia fazer questão de se despedir de todos. Assim que saiu do salão, outros começaram a se levantar, repetindo o mesmo motivo: questões familiares urgentes.
— Ninguém sai daqui! — Cão Wu, já sem paciência, bateu com força na mesa, seu rosto endurecido balançando de raiva.
— O que foi? Agora que não mando mais nada, nem essa consideração mínima querem me dar? — Ele olhou cada um nos olhos, sentou-se devagar, encheu o copo e continuou: — É só um jantar, é pedir demais?
Senti-me estranhamente tocado. Sabia que era tudo em vão, mas Cão Wu estava fazendo o possível para me apoiar. Como poderia eu desistir agora? Reuni coragem, engoli o orgulho e, quase suplicando, pedi aos que estavam de saída que voltassem aos lugares, servi-lhes bebida e forcei um sorriso.
Quando todos se acomodaram novamente, Cão Wu mudou o tom, limpou a espuma da boca e falou:
— Lu ainda é jovem, não entende muitas coisas. Todos aqui o viram crescer passo a passo. Sinceramente, nenhum de vocês sente pena de vê-lo nessa situação?...
Cão Wu tentava apelar para o sentimentalismo, dizendo coisas que nem eu mesmo conseguia acreditar. Até que alguém não se conteve mais, ergueu o copo e disse:
— Cão Wu, não importa o que diga, eu realmente tenho um compromisso. Depois desse copo, preciso ir…
E virou tudo de uma vez. Os demais começaram a se agitar novamente.
Estava claro: ali só havia dois lados, o do diretor Sun e o meu.
Com o diretor Sun já fora dali, quem ficasse ouvir os apelos emocionados de Cão Wu poderia ser mal interpretado. Por isso, todos procuravam um modo educado de sair.
— Gerente Liu, qual é a sua? Vai mesmo me deixar nessa situação? — Cão Wu exclamou, carrancudo.
— Ora, Cão Wu! Já expliquei, é urgente! — respondeu o gerente Liu, gesticulando e se dirigindo decidido à porta.
Quando o garçom ia abrir a porta para o gerente Liu, de repente, a porta foi escancarada com um chute, e uma garota entrou pulando, com um buquê de rosas nas mãos.
— Lu Xá…
Assim que a jovem herdeira entrou, localizou-me imediatamente e, como um pequeno duende, veio saltando até mim. Do lado de fora, no corredor, tive a impressão de ver outra silhueta delicada, de olhos grandes e brilhantes, espreitando o salão...
— O que faz aqui? — Olhei para a herdeira à minha frente, surpreso e confuso.
Ela se aproximou, ignorando todos ao redor, sentou-se ao meu lado sem cerimônia. Balançando o buquê, deu-me um beijo rápido no rosto:
— Vim pagar os juros!
Todos os olhares se voltaram para ela, tentando descobrir quem era. Muitos sabiam que aquela garota tinha uma origem extraordinária.
Cão Wu ainda estava irritado com o gerente Liu, mas ao ver a situação, comigo e a garota em evidente intimidade, não pôde deixar de resmungar, furioso:
— Lu Xá, o que pensa que está fazendo? Filha de quem é essa menina?
— Velho rabugento, o que te importa de quem eu sou filha!
Pensei comigo: por mais irreverente que fosse a herdeira, esse tipo de resposta não sairia dela por acaso. Meus olhos percorreram o corredor, suspeitando que tudo aquilo fosse armação de Xue Xia.
Diante disso, não havia mais motivos para hesitar. Naquela situação, só me restava apostar tudo!
— Tio Wu, deixe-me apresentar. Esta é a filha do nosso presidente Xu, Xu Jiao-jiao.
Cão Wu ficou um tempo sem reação, até perguntar, hesitante:
— Que presidente Xu?
Depois de perguntar, pareceu se dar conta: não havia nenhum presidente Xu na nossa empresa; se existisse, só poderia ser da matriz.
Cão Wu estremeceu, olhando para mim, incrédulo:
— Lu Xá, não brinque comigo!
— Quem está brincando? — A herdeira pegou um palito e atirou em Cão Wu, exibindo todo o temperamento de irmã mais velha.
Intervi rapidamente:
— Não faça isso, é o tio Wu, foi ele quem nos convidou para jantar.
A herdeira logo entrou no jogo, encostou a cabeça no meu ombro e fez manha:
— Ah, eu não sabia!
Os chefes, antes ansiosos para sair, agora nos observavam com espanto. Até o gerente Liu, que já estava quase na porta, parou, com as veias saltadas no pescoço, sem saber se voltava ou ia embora.
Cão Wu recompôs-se, sentindo-se fortalecido. Olhou de longe para o gerente Liu e disse:
— Liu, você não tinha um compromisso? Vá, não tem problema, eu entendo.
— Ah, são só travessuras das crianças em casa. Liguei agora há pouco, já está tudo resolvido!
O gerente Liu retornou sorridente, ergueu o copo e se curvou levemente para mim e para Cão Wu:
— Me desculpem, fiquei nervoso e perdi as boas maneiras. Vou me punir com três doses… três doses!
E realmente bebeu três copos de aguardente, cheios até a borda.
Alguns tentaram sondar minha relação com a herdeira, mas evitei responder, deixando-os especular à vontade.
Ouvi então alguns cochichos:
— Não é à toa que Lu Xá subiu tão rápido, ele realmente tem boas costas…
— Viu só? Cão Wu errou de propósito na reunião, só para dar prestígio a ele!
— Claro! Tudo combinado com a diretoria, estão achando um jeito de promovê-lo…
— Xi! O apoio de Lu Xá é de assustar, eu acho…
…