Capítulo Noventa: Demissão de Funcionários

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2420 palavras 2026-03-04 14:59:58

Com todo respeito, despedimo-nos dos líderes e, após agradecer a gerente Wu inúmeras vezes, só então Xia Xue apareceu pulando de algum canto.

Xue, parecendo uma criança que cometeu uma travessura, mordia o lábio e me olhava ansiosa, esperando pela minha reação.

— Xia Lü, me desculpe. Eu sabia que você não concordaria, então não ousei te contar — Xue apertava a barra da blusa, falando timidamente.

— Você sabia que eu não concordaria e ainda assim fez isso?

Não que eu estivesse realmente zangada, mas o fato de Xue ter escondido isso de mim me deixava com a sensação de que tudo à minha volta não me dizia respeito, como quando me formei na universidade e minha família já havia traçado todo o meu caminho, bastando que eu seguisse de olhos fechados.

Essa sensação era profundamente desconfortável!

O filhinho de papai olhou para Xue e depois para mim, exclamando:

— Xia Lü, você não tem coração, é? A Xue só queria te ajudar!

Ele seguiu animado à frente, mas deu meia-volta, fitando-nos ameaçadoramente:

— Então, vocês vêm ou não?

Suspirei resignada, abraçando os ombros de Xue:

— Deixa pra lá! No fim, a culpa é minha por te fazer se preocupar comigo.

Em casa, Xue preparou chá de leite para o filhinho de papai. Os três ficamos em silêncio à mesa, mexendo o chá amargo enquanto o aroma adocicado preenchia o ar.

O olhar aguçado do filhinho de papai alternava entre mim e Xue, até que ele levantou a mão e exclamou:

— Ah! Não aguento mais, vocês dois são demais pra mim!

Xue sorriu para ele:

— Desculpa por te fazer vir de tão longe. E obrigada por toda a ajuda.

Ele apontou para o chá nas mãos, sorrindo satisfeito:

— Só por esse chá de leite, já valeu a viagem!

Depois, voltou-se para mim com um olhar frio e acusador, franzindo o nariz como se me amaldiçoasse:

— Já você, sem coração, nem um agradecimento decente depois de tanta ajuda!

— Tá bom, tá bom, obrigada, princesa, por salvar minha vida! — juntei as mãos em reverência.

— Não precisa agradecer, só um gesto já basta — respondeu, fazendo graça com os dedos e arqueando as sobrancelhas numa expressão maliciosa.

— Sabia que você ia aprontar — revirei os olhos, deixando o chá e indo em direção ao quarto.

Mas antes que eu me levantasse, o filhinho de papai agarrou minha gola, puxando-me de volta:

— Ei, eu também fiz sacrifícios, viu?

— Fica tranquila, vou reembolsar suas despesas de viagem.

— Além disso, eu ainda... — ele hesitou, torcendo a boca de contrariedade — Deixa pra lá, só não me chama pra isso da próxima vez!

Xue, sempre sensível, olhou para mim e perguntou:

— Jiao Jiao, o que você ia dizer? Xia Lü só é teimosa, mas vai te compensar.

O filhinho de papai encostou a cabeça em Xue, fazendo beicinho:

— Só você me entende, Xue!

Depois, ele nos contou que toda semana trabalhava numa lanchonete, “trabalhando para ajudar nos estudos”.

— O quê? Trabalha? — Xue e eu dissemos em uníssono, olhando para ele como se fosse uma criatura exótica.

— Qual é, vocês exageram demais! Tem muita gente no nosso colégio que trabalha. Eu, pobre desse jeito, se não trabalhar não sobrevivo!

— Princesa, não me diga que está devendo agiota e não tem coragem de contar pro seu pai?

— Que absurdo...

Ele coçou o pescoço, fazendo uma careta:

— Xia Lü, quando você for a Chengdu de novo, te conto.

A essa altura, ele endireitou o corpo, levantou o queixo, cheio de confiança:

— Garanto que você vai se surpreender comigo!

— Tá bom, você sempre tem razão!

Mais uma vez tentei sair, mas ele me puxou, sussurrando:

— Xia Lü, transfere mais um trocado pra mim, hoje cedo deixo sua namorada pra você.

— O quê?

Ele arqueou as sobrancelhas com um sorriso malicioso. Como não reagi, quebrou o gelo:

— Pronto, pronto, vou dormir sozinho. Vocês dois podem fazer o que quiserem, não vou acordar mesmo se desabar o teto.

Dava vontade de abrir a cabeça dele pra ver o que se passa lá dentro.

Com o rosto corado, Xue explicou:

— Jiao Jiao, eu e Xia Lü somos só namorados, não chegamos a esse ponto.

O filhinho de papai olhou para Xue, depois para mim e, quando assenti, caiu na risada:

— Xia Lü, você realmente não tem jeito!

Na verdade, eu também me sentia inútil, e de repente me veio à mente a última frase de Zhao Ziwu: Não seja essa pessoa boazinha demais.

...

No dia seguinte, depois de nos despedirmos do filhinho de papai, Xue e eu fomos como sempre ao trabalho. Ao chegar na empresa, percebi que todos olhavam para mim de forma diferente, sem saber se era impressão minha.

Foi quando Liu bateu à porta:

— Irmão, consegui descobrir. Aquela equipe de vendedores que queria se demitir foi toda armada pela chefe Sun. Não era o que pensávamos.

— Como assim? — pedi que ele se sentasse e explicasse direito.

— Ontem, depois do expediente, fui com a irmã Luo até a casa de uma colega. Só depois de muita conversa ela abriu o jogo: foi tudo armação da chefe Sun, para te forçar a sair antes da chegada da comissão de inspeção.

Liu engoliu em seco e continuou:

— Elas são muito ingênuas. Como o pedido de demissão leva pelo menos um mês e meio para ser aprovado, a chefe Sun prometeu que assim que você saísse elas seriam readmitidas com recompensa.

— Ah, então foi isso! A chefe Sun realmente não mediu esforços! — um calafrio percorreu minhas costas.

Liu, preocupado, perguntou:

— E agora, o que vamos fazer? A comissão está chegando, se elas não retirarem o pedido de demissão, vai ficar ruim pra você!

— Irmão — cocei o queixo, perguntando a Liu — Se fosse você, o que faria numa situação dessas?

— Jogava dinheiro, claro! — Liu escancarou um sorriso — Já perguntei, se você pagar mais do que a chefe Sun, elas ficam do seu lado.

— Mas quanto vai ser isso? — Só faltava virem falar de dinheiro, logo o que mais me falta!

Liu fez um gesto com a mão mostrando o valor.

Eu, sem saída, suspirei fundo e perguntei:

— Essas pessoas, qual era a formação delas? Agora que pediram demissão, será fácil arrumar emprego?

— Difícil. Se fosse fácil, não estariam em vendas. O salário inicial é baixo e o trabalho pesado.

Ouvindo isso, uma ideia começou a se formar. Eu também já fui vendedor e sei como é difícil chegar a esse ponto. Se realmente se demitirem, talvez nem consigam pagar o aluguel.

Refleti um instante e disse a Liu:

— Irmão, não pretendo readmiti-las. Espalhe a notícia de que o departamento de pessoal vai contratar recém-formados e criar um grupo exclusivo de treinamento. Sobre o processo de demissão, acabou o trâmite antigo: entregou o pedido, está fora.

Aproximei Liu de mim, segurei-o pela gola e sussurrei ao ouvido:

— Vai ao financeiro, peça à Dai para avisar que elas podem passar para acertar o pagamento.