Capítulo Oitenta e Sete: Completamente Desorientado

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2324 palavras 2026-03-04 14:59:57

Quando alguém realmente quer prejudicar você, percebe que é impossível se proteger de tudo!

Naquele dia, depois de discutir com o chefe Sun por um bom tempo, não consegui nenhum progresso; pelo contrário, acabei ficando cada vez mais em desvantagem, sendo conduzido como um boi com argola no nariz.

“Gerente Lu! O que você e o tio Li fazem às escondidas não me interessa! Também não está fácil para mim aqui no setor de promoção, veja só, amanhã ainda preciso ir para o interior! Não vou mais atrapalhar vocês por aqui...”

Vendo as costas astutas do chefe Sun se afastando, eu rangia os dentes de raiva.

Mas o desastre não parou por aí. Logo depois, Qian Luo entrou às pressas no escritório e jogou uma pilha de documentos sobre minha mesa com um estalo.

—Irmã Luo, o que é isso?— perguntei cauteloso, vendo a expressão furiosa dela. Depois de ter sido derrotado pelo chefe Sun, estava completamente sem ânimo, até diante de Qian Luo comecei a me sentir inseguro.

—Grande gerente Lu, lembra do que eu pedi para você resolver? Como você me respondeu, hein? Está querendo me matar de raiva?— ela me lançou um olhar gélido e apontou para os papéis na mesa.—Um grupo do setor de vendas pediu demissão em massa. Você é o gerente de RH, veja aí e aprove!

Minha cabeça girava. Antes que pudesse perguntar mais, Qian Luo saiu bufando, balançando os braços.

Olhando para o vulto dela se afastando, senti uma tristeza enorme. Por um lado, estava decepcionado comigo mesmo, porque sabia que Qian Luo só se sentia à vontade para brigar comigo porque se importava; se fosse qualquer outro, ela não ligaria nem se vendesse a empresa inteira. Por outro lado, os problemas se acumulavam e eu nem sabia por onde começavam, muito menos como resolvê-los.

Sentia-me como uma mosca sem cabeça, correndo de um lado para o outro, perguntando coisas a pessoas irrelevantes, e mesmo assim, passei a tarde sem esclarecer nada. Só ao final do expediente, indo buscar o carro no estacionamento subterrâneo, encontrei Liu.

Por causa do meu desânimo, demorei a sair do escritório, quando já quase todos tinham ido embora. Andava devagar, levando uma xícara de chá numa mão e o paletó na outra, abatido.

Ao chegar no corredor do elevador, vi alguém apagando as luzes no escritório e parei para esperar um pouco.

Quando Liu apareceu correndo e me viu parado, hesitou antes de se aproximar.

—Irmão?— disse ele, baixando a cabeça, e depois forçou um sorriso para mim.

—Por que tão tarde hoje?— perguntei casualmente, apertando o botão para o subsolo.

—O trabalho estava puxado, então fiquei mais um pouco...

Liu sorriu para mim. Também não me perguntou o motivo de eu estar tão tarde ali; talvez meus problemas já servissem de fofoca para ele.

Quando estamos deprimidos, ficamos mais sensíveis. Pensei comigo: já estou nesse estado, do que mais vou ter receio? Aproximei, pus o braço no ombro de Liu e perguntei:—Irmão, você que adora fofoca, não tem nenhuma sobre mim para compartilhar?

—Como assim? Eu não...— Liu gaguejou, a voz tão baixa que nem ele ouvia.

—Assim não vale!— lancei um olhar de reprovação, e nesse momento o elevador se abriu; saímos juntos.

—Irmão...— Liu parecia querer dizer algo, mas hesitava.

—O que foi?— perguntei, parando.

—Nada...— murmurou, apontando para o próprio carro.—Vou pegar o carro...

—Vai lá!— acenei e fui em direção ao meu.

Mas, ao ligar o carro e acender os faróis, de repente uma silhueta pulou na frente, caindo sobre o capô.

Fiquei assustado, mas logo percebi que era Liu.

—Irmão...— chamou ele, me impedindo de sair. Antes que eu entendesse, ele rapidamente veio até a janela do carro, aflito:—Irmão, eles querem te prejudicar!

Chamei Liu para dentro do carro, apaguei os faróis e tranquei a porta. Conversamos um pouco ali.

O estacionamento estava tão silencioso que até uma gota d’água ecoava. Pela boca de Liu, entendi toda a trama e os próximos passos deles.

—Esses velhacos, que canalhas!— não consegui conter uma praga.

Liu franziu o cenho.—Irmão, o que pretende fazer agora?

—O que mais posso fazer? Revidar, claro!— respondi com raiva, mas por dentro ainda sem um plano.

Liu era esperto; certamente não veio me contar por consciência ou amizade. Ele só não sabia ainda de que lado estaria a vitória. Apesar de eu estar em desvantagem e cercado de problemas, ainda mantinha o cargo, e enquanto a matriz não me demitisse, eu tinha palavra ali.

Liu também hesitou muito antes de contar; senão, já teria feito isso antes. Agora, vendo minha confiança, ficou mais seguro de sua escolha.

—Irmão, fica tranquilo! Mesmo que todos na empresa assinem um abaixo-assinado contra você, eu fico do seu lado até o fim...

Eu não confiava muito nesse tipo que muda de lado conforme sopra o vento, como aqueles que já vi antes; se ele me apoia hoje, pode apoiar outro amanhã.

Mas, naquele momento, eu tinha poucos aliados. Apesar de Liu não ser muito confiável em comportamento, sua competência era inegável; sem ele, eu não teria derrubado o velho Zheng e o cão velho Wu.

—Irmão!— pus o braço em seu ombro e disse:—Fica tranquilo, esses aí não vão me derrubar. A matriz quer reforma, não vai parar no meio do caminho... Mas fizeram um grande espetáculo e vou precisar de tinta e papel para reescrever essa história. Preciso que você me ajude com uma coisa.

Liu hesitou, pensou bastante e perguntou cauteloso:—O que é? Diga, irmão, não sou dos melhores, mas vou tentar.

Ao ouvir isso, pensei: esse sujeito realmente é pouco confiável. Mas pensando bem, não é culpa dele; ele não tem obrigação comigo e, se for perigoso, por que faria?

Então percebi que precisava dar algum incentivo!

—Duas coisas.— levantei um dedo diante de Liu, sério:—O chefe do setor de negócios pediu demissão. Você assume o lugar dele.

Ao ouvir isso, Liu se animou na hora, os olhos arregalados, sem palavras.

—O que foi? Não consegue?— lancei-lhe um olhar de desprezo e apertei o botão do travamento das portas.—Então esquece!

—Consigo!— Liu se apressou em garantir:—Irmão, não posso prometer mais nada, mas o setor de negócios vai estar seguro.

Vendo Liu tão motivado, fiquei mais confiante. A segunda tarefa, então, seria tranquila.

—Segunda coisa!— levantei outro dedo e balancei na frente dele:—Um grupo do setor de vendas pediu demissão em massa. Descubra o motivo e, se possível, tente intermediar, ver se dá para...

—Irmã Luo e o velho Zhou já estão tentando resolver!— Liu me interrompeu de repente.

Ao ouvir isso, fiquei tocado, com o nariz ardendo sem motivo.