Capítulo 112: A Enigmática Ação da Princesa
Ao sair do saguão do aeroporto, a herdeira rica chamou um táxi ao acaso.
Em Chengdu, eu era apenas seu acompanhante: pagava quando era hora de pagar, passava o cartão quando era hora de passar o cartão. Assim que o táxi parou, abri a porta e, respeitosamente, pedi que ela entrasse.
A herdeira rica sentou-se com toda naturalidade. Talvez, em sua vida, ser tratada daquele modo fosse algo absolutamente comum.
Depois de afivelar o cinto de segurança, ela mencionou casualmente um lugar, e o carro partiu em disparada.
Era o mesmo terreno às margens do rio onde havíamos estado da outra vez. A poeira amarela se erguia em nuvens. Sem a vibração das corridas de automóveis, o lugar parecia desolado e decadente.
— O que viemos fazer aqui? — perguntei, incapaz de conter a curiosidade.
A herdeira rica, porém, evitou responder. Durante todo o trajeto, ficou olhando para o celular. Quando chegamos a uma região tomada por casas móveis pré-fabricadas, esticou o pescoço para observar ao redor, com o rosto tomado pela ansiedade.
Depois de fazer várias ligações, finalmente vimos Trança chegar rugindo em uma motocicleta.
Quando a nuvem de poeira se dispersou, Trança me examinou da cabeça aos pés e então ergueu o queixo na direção da herdeira rica:
— Trouxe as coisas?
A herdeira rica levantou a bolsa que segurava:
— Tudo certo.
Os dois trocaram um sorriso, desceram da motocicleta e nos conduziram até uma cabana de madeira construída a partir de um contêiner.
Vendo todo aquele mistério, imaginei que se tratasse de algum negócio ilegal. Até que a herdeira rica tirou da bolsa um maço de documentos. Inclinei-me para olhar e descobri que eram a nota fiscal, o certificado e outros documentos relacionados a uma motocicleta.
— Dapeng, levei um tempão para conseguir isso. Você precisa me oferecer um preço justo.
Trança mascava chiclete e respondeu, impaciente:
— Qual é a pressa? Primeiro preciso conferir o número do motor.
Depois de uma série de verificações e consultas, confirmaram que tudo estava correto e os dois assinaram os documentos, deixando suas impressões digitais.
Concluídos os procedimentos, Trança abriu o computador que carregava consigo. Enquanto mascava chiclete e digitava, perguntou:
— Número da conta e nome.
Ao ouvir aquilo, a herdeira rica virou-se para mim e estendeu a mão:
— Tire logo seu cartão bancário.
Hesitei, mas ainda assim tirei o cartão da carteira e o entreguei a ela.
— Para que isso?
Depois de algumas operações, meu celular vibrou.
Olhei atentamente e descobri que era uma notificação informando o recebimento de dinheiro na minha conta.
A herdeira rica ficou na ponta dos pés e puxou minha mão para conferir o valor. Seu rosto se enrugou de descontentamento:
— Dapeng, por que foi tão pouco?
— É um veículo usado. Conseguir esse preço já foi muito bom! — disse Trança, fechando o computador. — Se fosse outra pessoa, eu teria descontado pelo menos trinta por cento.
— Hmmm...
A herdeira rica resmungou alguns palavrões e saiu contrariada, puxando-me de volta para a estrada, onde nos preparamos para esperar um carro que nos levasse de volta à cidade.
Ainda confuso, segui atrás dela e perguntei:
— Você não disse que a motocicleta era contrabandeada?
— Lyu Xia, sabe por que gosto de ficar com você?
A herdeira rica virou-se e fez uma careta para mim.
— Porque é fácil enganar você.
— Não entendo. Não faço a menor ideia do que significam todas essas suas manobras!
— O que há para não entender? A motocicleta fui eu que comprei.
A herdeira rica caiu na gargalhada.
— Lyu Xia, você realmente acreditou que eu tinha ganhado uma motocicleta? Como eu teria ganhado? Você nem perguntou como. Por sua causa, eu até tive de inventar toda uma história na minha cabeça.
— Mas por que você mentiu para mim naquela ocasião?
— Porque era divertido!
Ela respondeu sem a menor preocupação.
Fiquei sem palavras e só pude suspirar, impotente:
— Você realmente adora criar confusão.
— Lyu Xia, agora retire todo o dinheiro. Depois vou levar você a um lugar. Quando chegarmos lá, vai entender. Vou explicar tudo de maneira lógica e coerente.
— Você sabe o que é lógica? — retruquei.
Aos meus olhos, ela era alguém que agia por capricho, sem jamais pensar nas consequências.
A herdeira rica lançou-me um olhar frio e cuspiu as palavras:
— Eu pareço tão pouco confiável assim? Se menti para você, foi por uma razão. Foi uma mentira piedosa!
— Está bem. Agora vou assistir ao seu espetáculo.
Nesse instante, um táxi se aproximou, e a herdeira rica saltou, acenando para chamar o motorista. Ao vê-la tão alegre e radiante, senti uma inexplicável sensação de plenitude.
Embora tudo o que estava acontecendo diante dos meus olhos fosse incompreensível, eu acreditava que ela daria uma explicação a si mesma e a mim.
Depois de transformar o dinheiro em espécie, a herdeira rica levou-me até uma área residencial nos arredores da cidade. O dia já começava a escurecer. Havíamos passado a tarde inteira correndo de um lado para outro, sem tempo sequer para comer, e nossos estômagos roncavam de fome.
Ao entrarmos na área residencial, vimos vendedores de comida amontoados dos dois lados da rua. Os gritos e pregões eram ensurdecedores.
Quando o aroma da comida me envolveu, senti o corpo inteiro fraquejar, e meus passos ficaram cada vez mais pesados.
— Princesa, você não está com fome? Vamos comer alguma coisa!
A herdeira rica olhou as horas e balançou a cabeça:
— Não dá tempo!
— Quanto tempo podemos perder comendo alguma coisa?
— Lyu Xia, não pense que eu não sei que você avisou os outros.
A herdeira rica tornou-se fria e continuou:
— Mas não culpo você. Apesar de ser um completo idiota, já foi muito difícil conseguir me acompanhar até aqui.
A princesa sorriu para mim:
— Se você não quiser entrar, posso ir sozinha. Fique aqui me esperando.
Eu ainda não sabia o que ela pretendia fazer. Além disso, carregávamos uma grande quantia em dinheiro, e eu não conseguia ficar tranquilo.
— Vamos resolver o assunto primeiro e comer depois.
Forcei um sorriso e apontei para as barracas ao nosso lado:
— Não dá para saber se isso é higiênico. Depois podemos comer um fondue picante de Chengdu.
— Você não entende nada. Fondue é que não é higiênico!
A herdeira rica sorriu alegremente, enlaçou meu braço e puxou-me para dentro da área residencial.
— Irmão, você veio ao meu território. Eu jamais deixaria você morrer de fome.
...
Depois de várias curvas e desvios, entramos em uma casa simples. O ambiente podia ser resumido em três palavras: sujo, bagunçado e miserável.
Uma senhora apoiada em uma bengala abriu a porta para nós. Por entre montanhas de lixo, vimos alguém deitado na cama do cômodo dos fundos. A iluminação era fraca demais para distinguir seu rosto.
Ao ver a herdeira rica, a senhora ficou muito agitada. Correu até o armário e trouxe dois maçãs murchas para nos oferecer.
— Vovó, o vovô não está em casa hoje?
A herdeira rica pareceu transformar-se de repente. Inclinou-se levemente, com uma docilidade e uma elegância incomuns, e fez a pergunta.
A senhora mostrou os dentes manchados e irregulares e soltou uma risadinha. Não respondeu. Talvez tivesse algum problema cognitivo.
Nesse momento, uma voz masculina e jovem veio do quarto dos fundos:
— Quem é? É a Princesa?
Surpreso, olhei para a herdeira rica ao meu lado.
O que aquela garota estava tramando? Por que fazia todos a chamarem de Princesa?
Aproximei-me do quarto. A cena diante de mim era ainda mais deplorável. A herdeira rica, porém, caminhou diretamente até a cama do rapaz e inclinou-se para perguntar:
— Cai Yulin, como você está?
Olhei para a herdeira rica e depois para o homem deitado na cama. Só então compreendi: ela havia me pedido para transferir o dinheiro porque estava ajudando uma família como aquela.
— Muito melhor! — respondeu o rapaz, sorrindo enquanto permanecia deitado.
Ele não se mexeu. Ao notar a imobilização em seu pescoço, percebi que talvez fosse paraplégico.
Como eu suspeitava, ele olhou para a herdeira rica com gratidão:
— Princesa, obrigado por sempre se preocupar conosco.
— É o mínimo que eu poderia fazer!
A herdeira rica abriu um sorriso largo para ele. Mas havia naquele sorriso uma mistura de impotência e culpa.