Capítulo Noventa e Três: Resgate de Emergência
Mais tarde, o velho Cão Wu nos contou que aquele Tio Li, a vida inteira viveu em alerta, sempre teve medo, e mesmo agora, depois de cair em desgraça, ainda não conseguia se livrar do temor. Talvez certas sombras sejam gravadas até os ossos, impossível de conversar sobre elas!
Tio Li nos levou até um grande edifício comercial próximo ao Mercado de Zhougu. Diante daquele prédio imponente e sombrio, meu coração ficou apreensivo.
— Tio Wu, será que aquele Porco Li vai trazer a Xue para cá?
O velho Cão Wu, com o cigarro pendurado no canto da boca, lançou-me um olhar cheio de superioridade:
— Por quê? Preferia que ele levasse a Xia Xue para um hotel?
Fiquei sem palavras.
O velho Cão Wu, balançando a barriga avantajada enquanto marchava à frente, nos explicou:
— Aqui é a sede da empresa deles, o escritório do Tio Li fica neste prédio. Ah... aquele escritório dele! Trabalhar ali é uma maravilha. Tem bebida, tem cama, e até uma sauna para relaxar!
Ao ouvir isso, Zhou Haoran perguntou, fora de hora:
— Gerente Wu, já aproveitou dessas mordomias?
Luo Qian rapidamente puxou o cabelo de Zhou Haoran, lançando um olhar de repreensão, antes de me encarar, preocupada.
Na porta do edifício, um segurança tentou nos barrar, perguntando o que fazíamos ali.
Eu e Zhou Haoran não tínhamos tempo para explicações, avançamos e cada um aplicou um soco, jogando-os para o lado.
— Fiquem tranquilos, não viemos roubar nada. Viemos tratar de negócios com Porco Li!
O segurança, segurando o rosto magoado, reclamou:
— Se vieram falar com o chefe Li, era só avisar! Precisava agredir?
Àquela hora da noite, todos os funcionários já tinham ido embora, mas a segurança funcionava 24 horas.
Ao chegarmos ao hall dos elevadores, dois seguranças corpulentos, de cassetete em punho, apareceram, iluminando-nos com suas lanternas:
— O que fazem aqui?
Eu e Zhou Haoran, percebendo que não daríamos conta deles, apenas acenamos:
— Viemos resolver uma coisa com o Tio Li.
— Tão tarde, o que é tão urgente? — Eles se aproximaram, analisando nossos uniformes com desconfiança.
— Vocês... não trabalham aqui, certo?
Rapidamente tirei meu cartão de visita e expliquei:
— Boa noite, preciso tratar de negócios com o Tio Li. Aqui está meu cartão...
O segurança nos observou, e iluminou o cartão com a lanterna:
— Ora, parece que é alguém importante.
— Dê uma mãozinha, por favor, é realmente urgente. Assim que resolvermos, vamos embora.
— Sem problema! — o segurança disse, apontando para trás: — Mas primeiro precisam se registrar.
— Será mesmo necessário? — Eu quase me ajoelhei pedindo, implorando: — É urgente, terminamos e já saímos.
— Urgente ou não, qual o problema de gastar uns minutos? — o segurança insistiu, passando a luz sobre nós: — Não dificulte nosso trabalho, está bem? Entrada e saída precisam ser registradas, você como chefe devia saber disso.
Vendo a situação, Luo Qian tentou acalmar:
— Que tal deixarmos para registrar quando voltarmos? Ou eu fico aqui registrando e eles sobem primeiro?
— De jeito nenhum! — o segurança recusou, apontando para trás — Qual o problema de registrar?
Por dentro, eu estava angustiado — não era medo, era a urgência da situação!
O suor escorria pelas minhas mãos de tão ansioso, Zhou Haoran e Luo Qian tentavam me acalmar, dizendo que um minuto a mais não faria diferença, e que brigar só atrasaria ainda mais.
Não sei se era má vontade dos seguranças ou minha ansiedade, mas o processo parecia interminável: nome, telefone, identidade...
Luo Qian foi a primeira a terminar, quando chegou minha vez, não aguentei o nervosismo, chutei a mesa e gritei:
— Chega de enrolação! Temos uma emergência! Se der errado, juro que na próxima vida só vou atormentar vocês dois!
Os seguranças já estavam acostumados com ameaças e, trabalhando em uma empresa dessas, tinham até um certo ressentimento contra chefes.
Num instante, sacaram os cassetetes e vieram para cima de nós.
No meio da confusão, apesar do treinamento deles, eu estava completamente fora de mim, como se fossem o próprio Porco Li.
Zhou Haoran, que tinha experiência militar, conhecia bem o tipo deles. Com o velho Cão Wu e Luo Qian ajudando, agarrando e arranhando, conseguimos uma leve vantagem.
Assim que vi uma brecha, pedi para Luo Qian apertar o botão do elevador. Quando a porta se abriu, os quatro juntos empurramos os seguranças e entramos às pressas.
Os seguranças, determinados, chamaram reforço pelo rádio.
Naquela altura, não havia volta. Seguimos direto para o escritório do Porco Li.
O velho Cão Wu apertou o botão do oitavo andar, e em seguida o de fechar porta. Quando as portas se fecharam, ele deu um tapa na barriga, eufórico:
— Que sensação! Melhor que pescar aquele bagre de dezesseis quilos!
Luo Qian e Zhou Haoran riram, mas ao olharem para mim, o sorriso desapareceu.
Luo Qian quis me dizer algo, mas pensou melhor, talvez percebendo que, naquele momento, nada era apropriado.
Eu sabia que só amigos de verdade estariam ao meu lado numa hora dessas.
Mas minha mente estava em turbilhão, incapaz de expressar uma palavra de gratidão.
Olhei os números do elevador e, tomado pela raiva, chutei a porta:
— Que elevador maldito, nunca vi coisa tão lenta!
— Da Lü, acalma-se, por favor — Zhou Haoran colocou a mão em meu ombro, hesitou, depois apontou para a porta — Não quebra, senão ficamos presos aqui.
À medida que nos aproximávamos do escritório, os passos do Tio Wu tornavam-se mais lentos. Não sei se era medo ou outra preocupação.
No fim do corredor do oitavo andar, diante de uma porta dupla, ele se virou para mim:
— Lü Xia, já faz tempo... pode ser que já seja tarde demais. Quando entrarmos, não importa o que veja, quero que mantenha a calma, está bem?
O velho Cão Wu trocou olhares com Luo Qian e Zhou Haoran, pedindo que fiquem de olho em mim.
Mas eu só pensava em uma coisa: aquela porta tinha que ser o lugar certo.
Já me perguntei muitas vezes: depois de tanto caminho percorrido, afinal, o que Xia Xue significa para mim? Confidente? Amiga? Amada? Família?
Nada disso parece fazer justiça. De certa forma, ela já faz parte da minha vida. Se alguém ousar fazer-lhe mal, é como se quisessem tirar a minha própria vida.
Já tentei imaginar como seria minha vida sem Xia Xue. Tristeza? Vazio? Dor? Ruína?
Nunca encontrei resposta, porque sequer ouso imaginar esse dia.
Não sou bonito, nem tenho grandes talentos, nem me orgulho de algum dom especial. Minha sorte nunca foi das melhores, mas conhecer Xia Xue foi o maior orgulho da minha vida. E ela foi a primeira a dizer: “Lü, acho que me apaixonei por você”.
Na época, eu ainda não conseguia aceitar, mas fiquei feliz.
Dessa vez, sem me importar com os outros, usei toda minha força para escancarar a porta do escritório. Quando entramos, a cena diante de nós nos deixou boquiabertos!