Capítulo 111: Chengdu, estou de volta!
Corri tropeçando até o andar térreo e, sem pensar duas vezes, avancei em direção à guarita. O segurança barbudo, imerso em música rock, mal ouviu quando alguém o chamou; ele tirou os fones e esticou o pescoço para ver o que acontecia.
— Segure ela! — gritei, ansioso, para a guarita.
Ao me reconhecer, o segurança não hesitou e saltou para interceptar a jovem rica. Após um breve confronto, ele a imobilizou no chão. Quando cheguei perto, vi o segurança pressionando o rosto dela contra o solo. Depois de dominar sua resistência, ele ergueu os olhos e perguntou:
— Chefe, essa garota é uma ladra?
— Solte-a imediatamente! — puxei o segurança, levantando Xu Jiaojiao. Notei que, devido à luta, o rosto dela estava arranhado pelo chão, deixando marcas de sangue.
Uma herdeira milionária sendo tratada como uma ladra e maltratada; se o Sr. Xu visse a situação humilhante da filha, minha carreira não estaria apenas arruinada — minha vida provavelmente estaria por um fio.
— Vá embora, seu mentiroso! — a garota gritou para mim, limpando as lágrimas enquanto tentava se levantar com dificuldade.
O segurança olhou para ela e depois para mim, visivelmente confuso:
— Chefe, mas foi o senhor quem mandou segurar! A culpa não é minha!
Fiz um gesto para que o segurança voltasse ao seu posto e estendi a mão para ajudar a garota, mas ela se esquivou com um solavanco.
— Lu Xia, não me toque!
— Você não pode me ouvir por um segundo?
— O que há para explicar?
Ela se virou e caminhou em direção à saída, com uma determinação de quem já havia perdido todas as esperanças.
— Eles rastrearam seu histórico de voos, sabem que você está comigo — disse eu, falando para as costas dela.
Aproximei-me e segurei seu braço:
— Venha comigo. Sei que você está sem dinheiro; se é para ir embora, que seja amanhã.
A jovem seguiu-me, apática, de volta para casa. Assim que entramos, ela soltou um bufo frio:
— Lu Xia, escute bem: só voltei porque não tenho dinheiro, não porque o perdoei. Se quer que eu o perdoe, prometa-me uma coisa.
Eu não ousava prometer nada levianamente, então respondi com frases vagas.
— Lu Xia, eles certamente virão aqui amanhã para me buscar. Leve-me embora!
Fiquei sem palavras, pensando que aquela garota andava assistindo a novelas demais.
— Não tenho a menor intenção de fugir com você! — respondi com um sorriso de desprezo.
Ela me lançou um olhar gelado:
— Lu Xia, sei que você está confuso e até com medo. Mas fique tranquilo, eles não farão nada com você.
A garota suspirou profundamente:
— Na verdade, fugi porque eles queriam me enviar para estudar no exterior. Mas, antes de partir, preciso ir a Chengdu. Se não for, sinto que morrerei.
Dito isso, ela arqueou as sobrancelhas e deu um sorriso enigmático:
— Portanto, se eu não tivesse vindo te ver hoje, talvez nunca mais tivéssemos a chance de nos encontrar.
— Estudar fora é uma coisa boa! Por que está fugindo? — perguntei, confuso.
— Ai, já disse! Não é que eu não queira ir para o exterior, mas preciso passar por Chengdu antes. Como eles não concordaram, não tive outra escolha a não ser vir até você.
Comecei a entender a situação. Olhei para o rosto dela, todo machucado, e peguei uma toalha e a caixa de primeiros socorros.
— Deixe-me cuidar desses ferimentos. Se ficar com cicatrizes, seu pretendente no exterior vai te rejeitar.
Ela limpou o rosto com a mão, olhou para as crostas de sangue nos dedos e disse, indiferente:
— Não importa!
Recuperando a compostura, ela insistiu:
— Lu Xia, venha comigo a Chengdu amanhã!
Senti um calafrio e, com o rosto rígido, perguntei:
— Princesa, seu último desejo antes de ir para o exterior é ver o meu cadáver?
— Covarde!
Ela me olhou com desdém, mas, como se tivesse se lembrado de algo, lançou-me um olhar astuto:
— Você não tem escolha agora!
— Por quê?
— Por me abrigar e enganar meu tio, eles já estão furiosos. Se não quer ser demitido, é melhor aceitar, pois tenho um plano para convencê-los.
— Ora, isso é uma ameaça?!
— Pode-se dizer que sim!
Ela aproximou o rosto machucado do meu, observou-me por um tempo e disse com seriedade:
— Lu Xia, acredite em mim desta vez. Preciso da sua ajuda, e você precisa da minha. Vamos trabalhar juntos para que ambos ganhemos.
Vendo que eu permanecia imóvel, ela fez um bico:
— Então me dê o dinheiro e eu irei sozinha. Mas, se algo der errado, não garanto que eles não vão atrás de você.
Percebi que aquela última frase era o ponto crucial. Como amigo, eu não poderia traí-la, mas como funcionário da empresa, precisava garantir a segurança dela. Senti-me em um dilema. A única solução seria desmaiá-la e esperar pelo Sr. Xu.
Não sei por que acabei cedendo e acreditando na teoria de autodefesa dela. Reservei as passagens para Chengdu e enviei uma mensagem para a equipe administrativa, distribuindo ou adiando as tarefas. Na manhã seguinte, pegamos o primeiro voo. Enviei uma mensagem a Han Daqing explicando, da melhor forma possível, que eu não tinha alternativa.
Han Daqing me ligou no caminho, mas recusei todas as chamadas. Por fim, ele pareceu entender minha posição e respondeu por mensagem: "Cuide bem de Xu Jiaojiao, iremos buscá-la em Chengdu".
Agindo como um conspirador, enviei o itinerário a Han Daqing e embarquei com a garota. Dentro do avião, ela perguntou de repente:
— Lu Xia, se meu pai lhe oferecesse um milhão para me vender, você aceitaria?
Balancei a cabeça:
— Não!
Antes que ela pudesse se alegrar, acrescentei:
— Por dois milhões, eu pensaria no caso.
Ela fez uma careta:
— Mercenário!
Lançando-me um olhar reprovador, ela pegou o manual de segurança do voo. Ao folhear as páginas, disse:
— Lu Xia, às vezes eu realmente quero morrer. Mas não quero cometer suicídio. Seria bom se houvesse um acidente aéreo.
— Guarde esses pensamentos para você! Por que está me contando isso?
Apavorado, perguntei:
— Você me trouxe aqui para que eu seja seu cúmplice?
— Com esse seu jeito covarde, você acha que eu contaria com você?
Ela deu um tapa leve no dorso da minha mão e me consolou:
— Fique tranquilo, meu objetivo em Chengdu é seguro e inofensivo, talvez até iluminado. Eu disse que um dia você vai elogiar minhas atitudes!
Ela sorriu para mim, um sorriso triunfante e radiante. Foi o sorriso mais genuíno que já vi nela.
— Você não estaria financiando secretamente algumas escolas na montanha, estaria? — arrisquei, tentando imaginar algo condizente com as tramas de novelas que os ricos costumam protagonizar.
Ela riu, gargalhando:
— Lu Xia, eu adoraria ser tão grandiosa! Mas estou tão pobre que mal pude pagar minha própria passagem!
— É verdade! — respondi, voltando a olhar pela janela. O tempo de voo estava quase no fim.
Antes da aterrissagem, o avião passou por uma turbulência. Os dentes batiam e, lembrando-me do que ela havia dito, senti um pânico inexplicável.
— Princesa, você não está realmente… pensando naquelas coisas, está?
— Que coisas?
— Em dar cabo da própria vida.
— Já disse, tenho medo de dor. Não vou fazer isso!
O avião cortou as nuvens, revelando abaixo uma cidade ao mesmo tempo familiar e estranha.
— Chengdu! Estou de volta!
Não sei por que, mas, assim que desci do avião, senti um aroma que lembrava shampoo. O calor do verão pairava sobre o aeroporto, mas, na minha mente, a imagem de paredes vermelhas cobertas de neve e uma noite gelada de fogueira surgia com clareza.