Capítulo Cinquenta e Nove: Já Gostei de Ti

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2374 palavras 2026-03-04 14:58:01

O vento da noite soprava com uma intensidade sombria, enquanto o luar seduzia com seu brilho. Os dois estavam juntos, entrelaçados como se fossem uma única alma. Segurei-a com força, temendo que ao soltá-la ela desaparecesse, incapaz de me separar. Respirei profundamente o perfume de seus cabelos, sentindo-me transportado para longe.

— Desculpe, Lúxia, eu realmente nunca soube que você gostava de mim — ela murmurou suavemente ao meu ouvido.

— É, eu não podia te contar! — fingi tristeza, apertando-a ainda mais. — Não peça desculpas, a culpa é minha por não conseguir te dizer.

— Você é tão bobo — riu Sun Yanping, com uma risada inocente, e acrescentou: — Depois de tantos anos na empresa, não amadureceu nada.

Naqueles anos após a formatura, era terrivelmente difícil encontrar trabalho. Vasculhava o mercado de empregos em busca de uma vaga ideal, mas as oportunidades alinhadas ao nosso campo de estudo eram praticamente inexistentes. Na época, trabalhar como vendedor não exigia diploma; bastava ter terminado o ensino médio. Eu e Zhao Qian éramos universitários, relutantes, mas pressionados pela vida, decidimos trabalhar e, só depois de conquistar alguma estabilidade financeira, pensar em alternativas.

Muitos universitários, como nós, aceitavam sem querer um emprego e acabavam presos a uma profissão da qual nunca mais conseguiam se desvencilhar. Não era apego ao trabalho, era orgulho. Eu não queria me resignar, e acreditava que Zhao Qian sentia o mesmo.

Naqueles tempos, éramos pisoteados por todos, e, claro, desejávamos escapar. Mas era impossível, pois precisávamos do básico para viver, e aquele lugar, por mais sujo que fosse, nos fornecia o que era necessário.

O tempo passou e tudo mudou, pessoas e situações já não são as mesmas! Chegando a esse ponto, você fala em desistir? Desculpe, não consigo.

— Irmã Ping, eu voltarei para te ver! — disse.

Só então a soltei, preparando-me para sair. Mas ao abrir a porta, lembrei-me de algo, virei-me e disse:

— Ah, tenho uma pergunta para você.

— O quê? — ela perguntou.

— O discurso do gerente Wu foi você que escreveu?

Depois de tanto teatro durante a noite, finalmente cheguei ao assunto principal.

— Sim! Sempre cuidei da assessoria dele — respondeu.

— Posso dar uma olhada? O discurso é amanhã e eu ainda não escrevi o meu. Gostaria de ver o dele para encontrar pontos em comum, afinal...

Antes que eu terminasse, Sun Yanping fez um gesto para que eu esperasse.

— Espere um pouco... — sinalizou para que eu me sentasse no sofá e foi até o quarto buscar um tablet.

— Aqui! — deslizou a tela e me entregou, sorrindo suavemente.

Para ela, eu ainda era aquele jovem ingênuo recém-chegado à empresa, apesar de tantos anos de experiência; no fundo, permanecia frágil, imaturo, confuso...

— O gerente Wu já viu? — perguntei folheando o texto.

— Sim — ela assentiu. — Fiz algumas alterações, amanhã ele vai ler exatamente isso.

Concordei, já tinha lido tudo. Com o coração acelerado, lancei um olhar furtivo para Sun Yanping e disse:

— Sabe, faltam palavras mais críticas a meu respeito. — Olhei para ela e perguntei: — Irmã Ping, posso acrescentar algumas frases?

Ela hesitou, olhando para o tablet e depois para mim.

— Que frases você quer adicionar?

Abri a página de edição diante dela e escrevi algumas linhas depreciativas sobre mim mesmo.

Sun Yanping parecia perplexa.

— Por que você quer que ele diga essas palavras ofensivas em público? Vai ser constrangedor para você!

Sorri, autoirônico.

— Irmã Ping, você sabe que amanhã no discurso vou passar vergonha. Com ou sem essas frases, serei um palhaço de qualquer jeito. Mas o gerente Wu sempre foi meu superior; se ele me criticar publicamente, acaba me ajudando a escapar da situação... Além disso, quero sinceramente que o senhor Wu diga essas coisas; se ele disser, os outros vão pensar que ele me considera um subordinado direto...

Quanto mais explicava, mais forçava a razão, mas analisando bem, não era tão absurdo.

Luo Qian lançou-me um olhar de compaixão, mas logo percebeu que minha escrita ficava cada vez mais devagar, como se tivesse entendido algo, suas bochechas coraram.

Sun Yanping humedeceu os lábios, aproximou-se do meu ouvido e disse:

— Lúxia, vá mudando devagar, não há pressa. Eu... vou tomar banho.

— Certo — respondi, vendo-a entrar no quarto.

Nosso discurso teria cinquenta minutos, descontando dez minutos de formalidades, eu e o gerente Wu teríamos vinte minutos cada. Nem sequer tinha escrito o meu; não precisava de tanto tempo, então acrescentei mais frases ao final do texto do velho Wu, para que ele falasse por pelo menos trinta minutos.

No final das contas, fui educado, escrever algumas frases era fácil. Quando terminei, Sun Yanping já tinha saído do banho, vestindo uma camisola provocante. Aproximou-se de mim, com os lábios vermelhos levemente cerrados, pegou o tablet.

— Pronto? — perguntou, com as bochechas ruborizadas, cada gesto cheio de charme irresistível.

— Sim, já terminei faz tempo, estava só esperando você.

— Ah!... Eu sei.

Sun Yanping deixou o tablet sobre a mesa e sentou-se ao meu lado. O perfume intenso de seu corpo preencheu o ambiente. Sua respiração, alternando entre rápida e lenta, aproximava-se cada vez mais, e eu podia ouvir o som do coração lutando, como uma fera presa na jaula, pronta para atacar...

— Que história de editar discurso! Você só queria ficar mais um pouco comigo, não é?

Sun Yanping engoliu em seco, fitando-me de perto.

— Lúxia, você não quer ir embora, né?

Meu coração vacilou; será que exagerei na atuação?

— Irmã Ping, quer ver o discurso do gerente Wu?

Perguntei, tentando desviar a atenção e temendo que, ao ver minhas alterações depois que eu fosse embora, ela discordasse.

Mas Sun Yanping parecia confiar em mim, sabia que eu não mudaria nada exagerado. E se mudasse, o velho Wu não seria tolo de ler tudo ao pé da letra.

— Não precisa ver — Luo Qian olhou para o tablet sobre a mesa, depois sorriu com encanto para mim.

— Lúxia, para ser sincera, sua visita hoje me pegou de surpresa. Além disso... só agora descobri que você gosta de mim.

— Sim, falar isso me deixou aliviado! — fingi descontração, pensando em mil desculpas para sair.

Olhei as horas; era apenas onze da noite. Se eu fosse embora, ela certamente olharia o discurso por curiosidade. Se ela não gostasse das mudanças ou avisasse o gerente Wu antes do evento, todo o meu esforço seria em vão.

Esperei tantos anos por este momento, e faria o possível para que tudo acontecesse.

— Irmã Ping, estou com fome.

Disse a mim mesmo que deveria ganhar tempo, fazer com que ela não se preocupasse com o discurso.

Sun Yanping sorriu com malícia:

— Eu sabia, você não quer ir embora!