Capítulo Cinquenta e Oito: Posso te abraçar?

Vamos nos encontrar pessoalmente Beije a irmã. 2431 palavras 2026-03-04 14:58:00

Após uma preparação cuidadosa, dirigi-me à residência de Sun Yanping. Calculei o horário em que ela sairia do trabalho e entrei antecipadamente num pequeno bar da rua comercial.

O bar não era muito movimentado, mas o estilo da decoração era notável. Não entendo nada de design, não saberia dizer de que tipo se tratava, mas bastava sentar lá dentro para sentir um conforto imediato. Suponho que esse também fosse o motivo pelo qual Sun Yanping gostava de frequentar o lugar. Compreendia profundamente as dificuldades de um relacionamento à distância, pois vivia situação semelhante.

Pedi uma bebida cujo nome desconhecia; metade derramei sobre a roupa, o restante degustei aos poucos. Logo Sun Yanping chegou, pontual. Ao me ver, sozinha no balcão, a beber cabeça baixa, pareceu surpresa:

— Gerente Lü? — olhou-me admirada, largou a bolsa e sentou-se ao meu lado — O que faz aqui?

— Irmã Ping! Que coincidência! — forcei um sorriso embriagado e respondi.

— Pois é, que acaso! — Sun Yanping pegou uma cerveja, deu um gole e, observando-me com curiosidade, perguntou: — Você já bebeu muito?

— Ah, não! — sacudi a roupa, explicando: — Foi um acidente, derramei. Só tomei meia taça, e você já chegou.

Ela me lançou um olhar desconfiado, murmurando: — De qualquer modo, parece que você já bebeu demais...

Sorri para ela e perguntei: — Irmã Ping, lembra-se de quando íamos ao interior montar palcos de divulgação?

— Claro que lembro! Naquela época, bastava uma ordem da chefia e tínhamos que nos virar como bacalhau seco, nos tostando ao sol.

Sun Yanping balançou a cabeça e suspirou: — Foi uma fase difícil! O pior era ficar tostada feito carvão, sem receber nenhum reconhecimento!

— Pois é, divulgação sempre foi problema do departamento de promoção — concordei, ainda ressentida.

Ela terminou a cerveja e abriu as mãos: — Justo! Eu era só arquivista, e tinha que ajudar o pessoal da promoção a montar palco. Por quê?

— Porque bastava uma ordem da liderança!

Depois disso, rimos juntas, batendo na mesa, como se tivéssemos encontrado uma sintonia perdida.

— Gerente Lü, por que está bebendo justamente aqui no meu bairro? — Sun Yanping deu um gole na cerveja e me olhou, intrigada.

Abaixe a cabeça, silenciei um momento. Só então levantei os olhos para ela:

— Irmã Ping, pode me chamar de Xiao Lü, como fazia antes. Quando me chama de gerente, soa estranho.

— Bem... Está certo! — ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha, hesitou e perguntou: — Ainda não disse o que faz aqui. Não venha com coincidência, não acredito.

Sorri, constrangida, desviando o olhar:

— Ouvi dizer que você vai se casar?

— Sim, depois do Ano Novo, dia oito do primeiro mês lunar, na cidade natal do meu noivo, em Jiangsu — respondeu.

— Entendo! — murmurei, desviando os olhos, e por fim recostei-me no balcão, completamente derrotada.

— Lü Xia, o que foi? — Ela percebeu algo estranho e insistiu.

— Depois de se casar... vai continuar trabalhando na empresa? — perguntei, rosto enterrado nos braços, voz baixa.

— Ainda não decidi — respondeu, cabisbaixa, e logo devolveu: — Por quê?

— Nada... — levantei o rosto, forçando um sorriso — Só temo que aconteça como com a irmã Luo: casou-se, virou dona de casa dedicada, e nunca mais a vimos.

Sun Yanping corou, sorriu timidamente e olhou para as garrafas atrás do balcão, dizendo suavemente:

— Por que falar disso? É o caminho natural das coisas.

— Sabe, também era inverno naquela época. Eu e Zhao Qian, com aqueles casacos de algodão enormes e fora de moda, fomos nos apresentar pela primeira vez na empresa. Você saiu do escritório do gerente, carregando uma pilha de papéis, tinha acabado de levar uma bronca. Esbarrou em mim e me lançou um sorriso leve. Aquele sorriso, de verdade... — Olhei encantada para o vinho no copo — foi lindo.

— Lü Xia, você está mesmo meio bêbada — Sun Yanping disse, delicada — Hoje... veio só para me dizer isso?

— Irmã Ping, eu gostei de você. — Respirei fundo, bebi o vinho que restava e disse sem rodeios.

Ela estremeceu, olhou-me espantada, sem saber o que responder por um longo tempo.

— Lü Xia! — Engoliu em seco e, com dificuldade, respondeu: — Me desculpe, eu nunca soube... Desculpe!

Abaixou o rosto, tamborilando com as unhas no copo de cerveja.

— Sabe, vou pedir demissão! — confessei de repente, depois de hesitar muito — Você viu como estão as coisas na empresa... Estou exausta, completamente perdida!

Sun Yanping não pareceu surpresa, apenas assentiu, compreensiva:

— Foi só azar. Assim que começou a ter algum sucesso, veio a reforma e você virou bode expiatório.

Ri nervoso, pedi outra bebida:

— Por isso, quer você case, quer eu saia da empresa, dificilmente nos veremos de novo. Vim hoje só para conversar, lembrar como você sempre cuidou de mim... Nunca cheguei a agradecer.

— Ora, por que dizer essas bobagens? — Sun Yanping sorriu com charme, ajeitou o cabelo e perguntou, mordendo os lábios: — Lü Xia, você já superou a história com Zhao Qian?

— Há tempos! — dei de ombros, indiferente — Ou não estaria aqui dizendo isso.

— Entendo — ela assentiu, olhando-me: — Já que veio, quer ir até meu apartamento? Tenho um gato que precisa ser alimentado.

— Claro! — concordei de imediato. Estava até pensando em como continuar, mas ela tomou a iniciativa.

Assim que abrimos a porta do apartamento, um grande gato malhado correu ao nosso encontro. Devia estar faminto, pois saltou sobre a dona, esfregando-se e ronronando. Quando me viu, mostrou-se cauteloso, circulando ao meu redor várias vezes.

— Sinta-se à vontade. Vou buscar um copo d’água — Sun Yanping largou a bolsa e foi até a cozinha, o gato seguindo-a de perto.

— Não precisa, irmã Ping! — gritei em direção à cozinha. Sentei-me no sofá, observei o ambiente e peguei alguns papéis espalhados na mesinha. Não havia nada de interessante, então devolvi ao lugar.

— Irmã Ping, você mora sozinha aqui? — perguntei, mesmo já sabendo.

— Sim! — colocou o copo na mesa, ajeitou a saia e sentou-se ao meu lado — Você sabe como é o alojamento da empresa, uma bagunça. Prefiro a paz.

— É bem agradável.

Olhei ao redor, segurei a xícara. Em meio ao vapor do chá, conversamos sobre muitos episódios antigos, principalmente reclamando das injustiças e exigências absurdas dos chefes.

Recordamos também festas da empresa, viagens a trabalho cheias de confusões, fofocas de colegas...

Conversamos animadamente. Olhei o relógio no pulso e disse:

— Irmã Ping, já está tarde. Melhor eu ir. Em outra ocasião, volto para conversar mais.

— Sim — ela assentiu, franzindo o cenho, e me acompanhou até a porta.

Ao chegar à entrada, hesitei, as palavras presas na garganta:

— Irmã Ping, eu...

— O que foi?

— Posso te abraçar?

Falei de cabeça baixa, num sussurro tão baixo que nem eu ouvi direito.