Capítulo Dez — Bar Mar e Céu

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2644 palavras 2026-02-07 12:33:59

Naquele momento, meu coração batia acelerado de tanta excitação. Sentei-me atrás de Zhaoqian, ficando com o jornal bem à frente do meu rosto. Eu queria ver afinal de contas, quem Zhaoqian estava esperando! Peguei minha garrafa e dei um gole d’água, observando-a silenciosamente. Não demorou mais que dez minutos até que uma figura se aproximasse do parque. Zhaoqian correu ao encontro dela, radiante. Quando vi quem era, soltei um longo suspiro de alívio.

Zhao Degang! Franzi as sobrancelhas. Sem dúvidas, quem estava se encontrando com Zhaoqian era justamente nosso coordenador de ano, Zhao Degang!

Eram mesmo um casal de canalhas! Ri friamente por dentro, saquei o celular e tirei algumas fotos deles de costas. Nenhum dos dois percebeu minha presença, continuaram caminhando juntos em direção ao interior do parque. Murmurei comigo mesmo, sem entender o motivo de terem de dar uma volta pelo parque antes.

Segui-os devagar. Não imaginei que Zhaoqian e Zhao Degang subiriam até o topo da colina. O parque se chama Colina do Sul, um parquinho pequeno da nossa cidade, Wanhai, praticamente vazio, com apenas alguns aparelhos de ginástica. Casais costumam gostar desse lugar. Mas, chegando ao topo, as pessoas iam rareando cada vez mais. Bastaria que Zhaoqian e Zhao Degang olhassem para trás para me verem. Assim, cada passo meu era tomado de cautela, escondendo-me atrás das pequenas árvores.

Eles caminharam até o topo e, por fim, pararam em um bosquezinho. Logo começaram a dividir... um saco plástico!

Meus olhos quase saltaram das órbitas. Rapidamente, peguei o celular e tirei fotos, mas em menos de dois minutos, eles já tinham dividido o dinheiro. Ouvi Zhao Degang dizer: “Pelo amor de Deus, isso não pode chegar ao diretor, ele ganhou na loteria!”

Fiquei tão atônito que logo mudei o celular para o modo vídeo. E, de fato, em poucos instantes, Zhao Degang e Zhaoqian guardaram o dinheiro na bolsa e saíram do bosque.

Registrei cada movimento deles, minuciosamente! Se eu revelasse aquilo, Zhaoqian e Zhao Degang não seriam diferentes de ladrões, vigaristas e trapaceiros!

Gravei por um tempo, guardei o celular e saí correndo do parque. Só de pensar que tinha registrado a devassidão de Zhaoqian, sentia-me empolgado!

Apressei o passo para fora do parque, pensando em pegar um táxi para casa. Foi então que meu telefone tocou. Olhei o visor: era Zhao Xue. Atendi, dizendo automaticamente: “Alô?”

Assim que falei, Zhao Xue riu do outro lado: “O quê? Vai me chamar de irmã... hahaha!”

“Irmã, o que foi?” Balancei a cabeça, resignado.

“Vem aqui, vou te levar pra se divertir”, disse Zhao Xue animada. Na verdade, eu não queria ir; queria mesmo era correr para casa e assistir aos vídeos de Zhaoqian. Mas, pensando bem, Zhao Xue tinha me ajudado muito naquele dia, como eu poderia deixar de agradecê-la? E sair com ela era um verdadeiro prazer. Afinal, ela era uma beldade!

“Tudo bem, onde você está?” Falei enquanto chamava um táxi e entrava no carro. Zhao Xue riu: “Vem pro Bar Céu & Mar.”

Bar Céu & Mar? Caramba, levei um susto. Não era ali que Hao Long trabalhava? Ele mesmo disse que, da última vez, Zhao Xue, Xie Nan e Yang Rui beberam demais lá e o encontraram. Acho que Hao Long dizia a verdade.

Concordei e desliguei o telefone, apressando-me rumo ao bar. Em pouco mais de dez minutos, o táxi parou diante do local. Desci e olhei ao redor da entrada. Confesso, era minha segunda vez num bar. Mas o Bar Camélia, que visitei antes, nem se comparava ao Céu & Mar, que era muito famoso em Wanhai.

Na porta, estavam estacionados mais de dez carros de luxo. Duas recepcionistas de salto alto e meia-calça preta recebiam os clientes. Aproximando-me, as duas se curvaram em noventa graus: “Boa noite, senhor. Para quantas pessoas?”

“Estou procurando alguém...” respondi, sem graça. Elas sorriram: “Certo, senhor, fique à vontade.”

Assenti e entrei devagar. O bar era escuro, mesmo de dia. Logo na primeira mesa, vi uma figura conhecida: Zhao Xue. Ao lado dela estavam Xie Nan e Yang Rui. Além das três, havia dois rapazes, um deles com cabelo curto e roxo. Eu o conhecia, mas ele não me conhecia. Era Sun Zidong, famoso na nossa escola.

Sun Zidong era conhecido como encrenqueiro, mas leal. Daqueles que, se ficasse três dias sem brigar, parecia adoecer. Na escola, todos o chamavam de “Irmão Dong”.

Do lado dele estava um careca, que eu não conhecia, provavelmente um dos seus capangas, com ar de completo respeito.

“Haha, meu irmãozinho chegou!” Nesse momento, Zhao Xue se levantou e veio até mim: “Vem cá, vou te apresentar o pessoal.” Ela me puxou até a mesa e sentamos juntos.

“Essas duas você já conhece, Yang Rui e Xie Nan. Pode chamá-las de Rui e Nan. Este aqui você também deve conhecer, Sun Zidong, só chamar de Dong. Zidong, este é meu irmãozinho, cuida dele pra mim. Aquele Wang Qiang da minha turma queria arrumar confusão, ainda bem que eu estava lá para ajudar.”

“Que idiota aquele Wang Qiang! Não se preocupe, Jiang Feng, vou te chamar de Maluco, qualquer coisa me liga. Problema de sua irmã é problema meu.”

“Certo, certo...” Concordei rapidamente, ainda sem acreditar naquela reviravolta. Que mudança repentina! Eu não era exatamente um bom aluno, mas também nunca fui de me misturar. Não imaginava que, de repente, estaria ali bebendo com eles.

“Haha! Xiaoxue, seu irmão não parece ser encrenqueiro”, comentou Sun Zidong, olhando para Zhao Xue. Ela riu: “Ele é bom aluno. Sentamos juntos na aula. Só não gosto de ver o Wang Qiang e aquele loirinho maltratando os outros. E esse Wang Qiang, só porque tem dinheiro, se acha.”

“Se quiser, posso dar um jeito nele.” Sun Zidong disse, lançando um olhar a Zhao Xue e colocando a mão no ombro de Yang Rui, que não se esquivou.

Respirei fundo e enfim entendi: Sun Zidong e Yang Rui estavam juntos. Quanto a Yang Rui e Xie Nan, eu quase não tinha contato, embora fossem da minha turma, estavam sempre com os bagunceiros. Em um ano, as duas já tinham trocado de namorado umas cinco ou seis vezes.

“Deixa pra lá, melhor não arrumar confusão”, Zhao Xue sorriu amargamente. “Dizem que Wang Qiang tem dinheiro, melhor não mexer com ele.”

“Dinheiro agora é sinônimo de valentia?” Sun Zidong riu friamente. “Dinheiro ou não, ele não é imortal. Dinheiro não impede de morrer.”

Com essas palavras, Zhao Xue ficou calada, sem saber o que retrucar. Eu me sentia extremamente deslocado ali. Só tinha alguma proximidade com Zhao Xue; os outros, nem conhecia, e não tinha assunto.

Fiquei ali, bebendo de vez em quando. Depois de cerca de uma hora, Sun Zidong recebeu uma ligação urgente. Ao desligar, levantou-se apressado, puxando Yang Rui: “Não posso, um amigo está em apuros, preciso ir. Xiaoxue, Nan, desculpe, não posso ficar.”

“Vai logo, só não se mete em confusão”, Zhao Xue sorriu, acenando. Sun Zidong deu um grande gole, foi ao balcão pagar a conta e saiu do bar com Yang Rui e o careca.

Agora, restavam apenas eu, Zhao Xue e Xie Nan no bar.

“Esse Sun Zidong não aguenta um dia sem confusão”, comentou Xie Nan, olhando para a porta.

“Pois é, e nunca pega leve”, concordou Zhao Xue. “Nan, para onde você vai depois?”