Capítulo Quarenta e Um - Leve-me daqui!
— Hum... — Naquele momento, Zhao Qian nem teve tempo de reagir, assustou-se comigo. Mas, quando tentou se mexer, percebeu que eu já a segurava firmemente, seus lábios selados pelos meus!
Senti um choque percorrer meu corpo, como se beijasse um bloco de gelo. Aquela sensação fria fez com que eu me arrepiasse da cabeça aos pés, como se uma corrente elétrica me atravessasse.
Zhao Qian, presa em meus braços, lutava para se soltar; mas eu não demonstrava a menor intenção de afrouxar o abraço. Seu corpo macio se debatia contra o meu e, naquele momento, perdi completamente o controle, entregando-me ao beijo.
O contato suave e quente provocava uma dor surda em meu abdome inferior, quase insuportável.
Ela continuava a emitir sons abafados, mas, com a boca tapada, era impossível que sua voz fosse ouvida.
No entanto, jamais poderia imaginar que, justamente naquele instante, alguns gritos agudos e estridentes ecoariam de repente!
— Ah! Ah!
Em questão de segundos, um suor frio escorreu pela minha testa. Soltei Zhao Qian num sobressalto, com os ouvidos atentos e alerta.
Os gritos vinham claramente do topo da montanha, exatamente de onde estavam as meninas da nossa turma. E não era apenas uma, mas pelo menos cinco ou seis garotas gritando ao mesmo tempo!
O que teria acontecido? Cerrei os punhos, angustiado. Por que gritavam daquela maneira? Teriam visto uma cobra? Impossível, não havia cobras no topo da montanha... Será que algo grave aconteceu?
Um calafrio percorreu meu corpo, um pressentimento sombrio e ameaçador tomou conta do meu peito. Após aqueles gritos, o silêncio caiu pesado, absoluto.
Dirigi um olhar atento para Zhao Qian. Seu rosto estava lívido, sem um pingo de cor, gotas de suor perlavam sua testa, mordia o lábio inferior, visivelmente assustada, evitando meu olhar.
— Vo... você... — A voz de Zhao Qian tremia, mas ela não conseguiu articular nenhuma frase. Franzi a testa e, sem hesitar, puxei-a pela mão e corri em direção ao topo da montanha!
— Anda logo, pode ser algo sério! Por que gritaram assim? — exclamei, acelerando o passo e levando Zhao Qian comigo.
Ela já corria devagar, e o caminho era difícil, quase caiu no meio da trilha, mas não me detive para ajudá-la. Maldição, o que teria acontecido? Justamente agora? Por que, logo nesse momento?
Resmunguei por dentro, sentindo-me frustrado por ter sido interrompido bem quando algo estava prestes a acontecer entre nós. Mas, apesar do desejo, o que mais me preocupava naquele instante era saber se Zhao Xue estava bem.
Seguimos correndo, Zhao Qian e eu, até que, ao nos aproximarmos do cume, fui tomado por um estremecimento violento.
Maldição! Senti-me à beira de explodir, incapaz de controlar o próprio corpo. Era como se eu fosse um boneco, paralisado diante da cena que se desenrolava diante de meus olhos, os punhos cerrados com força.
Nós dois, Zhao Qian e eu, nos escondemos atrás de uma grande árvore, de onde podíamos ver claramente nossos colegas no topo da montanha. O que vi, porém, foi um grupo de mais de dez homens fortes, todos vestidos de preto! Usavam uniformes idênticos, seguravam barras de ferro e alguns empunhavam facas. Cercavam as meninas da nossa turma, ostentando sorrisos maliciosos. Entre elas, havia apenas um rapaz — Hao Long.
Meu cérebro zumbia. Claro, era isso! Sabia de quem se tratava, não precisava nem pensar: aqueles homens haviam sido enviados por Wang Qiang.
Olhei para frente, com o olhar gélido e concentrado. Atrás de mim, Zhao Qian estava completamente apavorada e tentou correr para cima deles. Senti uma dor de cabeça latejante, mas fui rápido: puxei-a de volta e tapei sua boca com a mão.
— Não diga nada! — sussurrei em seu ouvido, segurando-a firme pelos ombros, ambos completamente ocultos atrás da árvore.
Se Zhao Qian corresse naquela direção, seria suicídio. Os rapazes da nossa turma estavam todos na base da montanha, caçando. No topo, só restavam Hao Long e eu.
Mesmo que todos os meninos da turma estivessem ali, de que adiantaria? Eram apenas dez ou doze homens, mas todos tatuados, musculosos, homens de verdade, marginais, parecidos com aqueles que Yao Qin trouxera outro dia.
E estavam armados. Se começasse uma briga, nenhum dos nossos teria coragem de enfrentá-los.
Respirei fundo, observando a cena à frente. Era fácil perceber quem era o chefe: um homem com uma cicatriz de cerca de oito centímetros no rosto, parecendo uma centopeia grudada na pele, verdadeiramente assustador. Algumas das meninas mais frágeis já choravam. Depois de terem passado por um assalto dias antes, agora estavam cercadas novamente!
Vi o homem da cicatriz caminhar ao redor dos nossos colegas, analisando um a um, franzindo cada vez mais o cenho, até parar diante de Hao Long.
— No meio de tantas garotas, só você de homem... está se dando bem, hein? — O homem riu alto, batendo algumas vezes no rosto de Hao Long. Não era um tapa, mas a mão pesava, o barulho seco ecoava.
Dava para sentir a raiva de Hao Long. Na verdade, não só ele, todos que presenciassem aquela cena sentiriam vontade de estraçalhar o homem da cicatriz. Ser humilhado diante de tantas garotas, quem aguentaria?
Mas, de que adiantava se revoltar? Não era ingênuo, sabia que qualquer movimento em falso faria aqueles brutamontes avançarem imediatamente.
— Com tanta mulher assim, acha que dá conta de todas? Hum? Ha! Venha cá, deixa eu te mostrar como se faz! — O homem da cicatriz gritou, puxando Hao Long para o lado, e logo depois lançou um olhar predador para Mi Yue.
— Ora, ora, que gracinha... venha cá. — Sorrindo, ele puxou Mi Yue para junto de Hao Long. Em seguida, seus olhos se voltaram para Zhao Xue.
Meu coração se contorceu de dor, o sangue parecia ferver nas veias.
O homem da cicatriz analisou Zhao Qian de cima a baixo, o olhar faminto brilhando. Por fim, deteve-se no busto de Zhao Xue, quase sangrando pelo nariz de excitação.
— Essa também não é nada mal, que garota sensual... Que corpo... — babava, segurando Zhao Xue pelo braço e colocando-a ao lado de Mi Yue. Só então seu olhar alternou entre Hao Long, Zhao Qian e Mi Yue.
— De que escola vocês são? Quem mandou vocês virem aqui? — perguntou, encarando Hao Long.
— Somos do Colégio Experimental. A escola toda veio para o acampamento, não só nossa turma — respondeu Hao Long.
Nesse instante, o homem da cicatriz riu sarcasticamente, apontando para a fogueira ao lado:
— Vieram acampar, mas quem mandou vocês acenderem fogo aqui na montanha? Sabem que podem provocar um incêndio?
Imbecil! Xinguei-o mentalmente centenas de vezes. Que desculpa esfarrapada! Naquele monte, não havia nem vegetação, o local da fogueira era uma clareira, e não havia vento nenhum... Que incêndio? Só queria arranjar confusão, claramente.
Como esperado, o homem da cicatriz continuou, com um sorriso frio:
— Esta montanha é minha. Vocês acenderam fogo aqui, não acham um pouco demais?
— Nós... não sabíamos — Hao Long hesitou, mas respondeu. Não havia o que fazer, estava claro que aqueles homens haviam sido mandados por Wang Qiang.
— Não sabiam? Acham que com um ‘não sabíamos’ podem se livrar da responsabilidade? Isso não existe. Escutem bem: ninguém aqui vai sair impune! Vocês são muitos, alguém tem que assumir a culpa. Acho que vocês três servem. Vocês três vão pagar por isso! — O homem da cicatriz sorriu, então ordenou aos brutamontes:
— Levem esses três!
Imediatamente, os homens cercaram Mi Yue, Hao Long e Zhao Qian.
— O que pretendem? Se esta montanha é sua, pedimos desculpas! — Hao Long gritou, furioso.
— Chega de conversa fiada, levem-nos!