Capítulo Quarenta e Oito — Será Que Poderia Ser Ainda Mais Coincidência?

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2729 palavras 2026-02-07 12:35:54

— Xiaoqian! — Naquele instante, um grito saiu da boca de Su Yan, e logo ela envolveu Zhao Qian num abraço apertado.

Su Yan agora vestia roupas diferentes: calças brancas justas, uma jaqueta jeans, emanando um charme maduro. Contudo, seu rosto estava coberto de lágrimas, revelando uma tristeza profunda.

— O que aconteceu? Por que você está assim de repente, Yan? Diga-me, por favor! — Zhao Qian, aflita, batia suavemente nas costas de Su Yan enquanto a questionava, sem entender por que a amiga chorava daquela maneira.

Mas Su Yan não respondeu; continuava chorando, incapaz de conter as lágrimas, não importava o que Zhao Qian dissesse.

Eu, parado ao lado, também estava completamente sem saber o que fazer. Para ser honesto, sentia-me absurdamente constrangido, especialmente porque estava sem camisa: minhas roupas haviam sido jogadas na fogueira.

Engoli em seco, olhei para Zhao Qian e falei hesitante:

— Professora Zhao, eu... eu vou sair agora, tudo bem?

— Sim, pode ir. Não se esqueça do que te falei — respondeu ela rapidamente, acenando para mim e voltando a consolar Su Yan.

Assenti, dei um passo em direção à porta, mas naquele momento, Su Yan, ainda abraçada a Zhao Qian, soltou um grito! Em seguida, lançou-se sobre mim!

— Pare aí! Não se mexa! — Su Yan quase berrava, agarrando-me com força. — É você, é você! Ligue para a polícia! Qian, rápido, chame a polícia!

O quê?! Naquele instante, um suor frio escorreu pelo meu corpo. Como era possível? Eu já havia tirado a máscara; como Su Yan poderia me reconhecer? Impossível! Será que ela havia perdido o juízo?

Su Yan estava completamente fora de si, segurando-me e gritando com Zhao Qian, que, confusa, interpôs-se entre nós:

— Yan, o que aconteceu? Não me assuste, diga o que está havendo!

— Professora Su, você... — Eu tremia, olhando para Su Yan, que me encarava furiosamente. — É você, não finja, só pode ser você! Cadê suas roupas? Por que está sem camisa? E tem marcas de mordida aqui!

Naquele momento, senti o sangue desaparecer do meu rosto. Não é exagero; minha cabeça girou e fiquei paralisado. Seria impossível não sentir medo! Se a polícia me pegasse, minha vida estaria arruinada. Já tenho dezoito anos, não sou mais menor de idade!

Sim, naquele instante, havia marcas sangrando no meu braço, causadas pelas unhas de Su Yan, além de marcas de mordida.

— Professora Su, o que está acontecendo? Por favor, explique! — Eu mal conseguia falar, recuando. Mas então, Su Yan ficou imóvel, examinando meu braço com atenção.

Meu braço estava coberto de feridas: duas marcas de mordida, além das marcas das unhas de Su Yan. Ela fixou o olhar nas marcas de mordida, confusa.

Soltei um longo suspiro, compreendendo o que se passava em sua mente. Ela tinha certeza de que mordera apenas uma vez; como poderiam haver duas marcas?

Percebi sua hesitação e apressei-me a explicar:

— Professora Su, essas cicatrizes são de brincadeiras com amigos.

— Brincadeiras? Brincadeira pode ser tão violenta assim? — Su Yan me olhou friamente, ainda intrigada com as duas marcas de mordida.

— É verdade, eu estava brincando com uma colega, a deixei irritada e ela me mordeu duas vezes — menti, sentindo o suor escorrer pelo meu corpo.

— Sim, brigas entre colegas são normais, Yan. Diga o que está te afligindo! — Zhao Qian tentou separar Su Yan de mim, insistindo para que ela explicasse.

Ofegando, sentei-me na cama, ainda suando em bicas. Su Yan olhou para Zhao Qian, como se fosse dizer algo, mas conteve-se. Afinal, o que aconteceu na montanha não podia ser contado; se escapasse, no dia seguinte toda a escola saberia, e Su Yan perderia o respeito de todos.

Por isso, ela ficou em silêncio por três minutos, balançou a cabeça e não disse nada. Olhou para mim, suspirou profundamente e murmurou:

— Desculpe, confundi você com outra pessoa...

— Professora Su... não tem problema... — O que mais eu poderia dizer? Falei rapidamente, embora meu coração ainda estivesse inquieto.

Felizmente, Su Yan não insistiu. Disse a Zhao Qian que estava com dor de barriga e saí apressado do quarto.

— Caramba... — Dei um longo suspiro, fechei a porta e pensei: “Que perigo! Por pouco não fui descoberto!” Ainda atordoado, fui procurar Hao Long, mas jamais imaginei o que aconteceria naquele momento.

— Bam! — Senti dois corpos colidindo contra mim com força. Dois indivíduos, apressados, trombaram comigo, e um deles caiu no chão.

— Ah... — Um grito saiu da boca da pessoa caída. Olhei para baixo e, maldição! Era Yang Yun! Não podia acreditar: de novo ela? Era a quarta vez! Dizem que coincidências fazem boas histórias, mas isso já era demais.

Engoli em seco, sem coragem de falar nada, pois notei que ao lado de Yang Yun estava uma mulher. Ela parecia uma veterana, não uma estudante: vestia meia-calça e saia curta, acentuando suas curvas, com cabelos vermelho-púrpura reluzindo ao sol. Era Wang Yu Yan.

Eu e Yang Yun já colidimos quatro vezes. Três delas sem máscara, uma com máscara. Da última vez sem máscara, arrastei Yang Yun para um beco e tirei sua saia. A outra marca de mordida em meu braço era dela. Claro, naquela ocasião eu usava máscara, ela não sabia quem eu era. Se soubesse, provavelmente me mataria.

Wang Yu Yan e Yang Yun eram do mesmo grupo, e já tinham bom relacionamento. Se precisassem de ajuda, poderiam reunir dezenas de pessoas. E Wang Yu Yan estava ao lado de Yang Yun; para ser honesto, eu também trombei com ela, mas não era culpa minha! Elas estavam apressadas demais, e eu acabara de sair do quarto; como poderiam me culpar?

Olhei para Yang Yun, completamente resignado. Ela, ao me reconhecer, franziu ainda mais o cenho:

— De novo...

Antes que terminasse a frase, sua voz se calou. Ela se levantou lentamente, limpou a poeira das roupas e partiu. Imagino que ela não disse nada porque, da última vez em que colidimos com ela usando máscara, fui insultado e a arrastei para o beco.

Tal episódio seria um pesadelo para qualquer garota. Tendo passado por isso, por que ela falaria algo? Eu realmente não entendia como sempre acabava trombando com ela.

Achei que o incidente terminaria ali, mas para minha surpresa, após alguns passos, Wang Yu Yan explodiu, apontando para mim e gritando:

— Você é louco? Não sabe olhar por onde anda?

Caramba! Que sentimento era aquele? Será que todas essas mulheres eram malucas? Eu estava apenas caminhando normalmente, e me culpavam?

Mas o que eu podia fazer? Eu poderia enfrentar essas duas? Com máscara, talvez; sem máscara, jamais!

— Deixa pra lá, Yu Yan, não discuta com ele. Vamos logo, nosso mestre está nos esperando... Ele disse que era urgente... — Yang Yun falou baixo, direcionando-se a Wang Yu Yan.