Capítulo Dois Não Vá Mais à Escola
Perguntei a ela com quem tinha se envolvido, mas ela também não me respondeu. Naquela noite, conversei com ela até tarde. No fim, ela disse que estava cansada e eu, ainda insistente, pedi que me enviasse mais algumas fotos.
Ela ficou em silêncio por um momento, mas acabou mandando uma mensagem: “Hoje estou cansada, amanhã te mando as fotos.”
Lendo aquilo, não consegui conter uma risada. Embora não estivesse completamente satisfeito, para ser sincero, jamais imaginaria que ela seria desse jeito! Caramba!
O entusiasmo era tanto que perdi o sono naquela noite.
No dia seguinte, durante a aula, sem nada para fazer, abri meu perfil alternativo. Enquanto ela lecionava, mandei mensagens para ela usando esse perfil. Olhava para ela no púlpito, cada movimento seu parecia me deixar ainda mais excitado!
“Jiang Feng, no que está pensando? Fique de pé!” Bem na hora em que eu estava mais distraído, a voz dela ecoou na sala! Quase morri de susto, todos os olhares se voltaram para mim.
Sem graça, levantei-me lentamente.
“Conte-me, no que estava pensando? Responda a pergunta que acabei de fazer.” Ela me olhou friamente, segurando um pedaço de giz, e se aproximou. Um leve perfume pairava ao redor.
“Eu... eu não sei...” respondi num fio de voz, envergonhado. Não havia como negar, ela era rigorosa; era famosa na escola por sua severidade. Nenhum aluno ousava desafiá-la, pois ela realmente não hesitava em bater.
“Não sabe? E não presta atenção na aula! Então diga, no que estava pensando, hein?” De repente, ela enrolou um livro, formando um cilindro, e bateu duas vezes na minha cabeça!
Naquele momento, minha mente ficou completamente em branco! Ouvi os colegas ao redor tentando segurar o riso.
Cada vez que o livro batia na minha cabeça, sentia uma humilhação profunda!
Essa mulher atrevida! Pensei com raiva, lembrando da noite anterior, uma onda de irritação tomou conta de mim. Mas não disse nada. Ela franziu as sobrancelhas, apontou para mim com o livro e sentenciou: “Vai passar o resto da aula de pé!”
Depois disso, ela voltou à lousa. Maldito seja, eu nem sabia como reagir, fiquei ali parado feito um idiota. Então, Zhaoxue, que sentava ao meu lado, riu baixinho: “Isso é pra você aprender!”
Eu olhei para ela e sorri de leve. Sempre tivemos uma boa relação e eu nunca entendi porque Haolong falava mal dela; para mim, ela era uma ótima pessoa.
Pensei nisso enquanto suportava a aula em pé, sentindo dores nas costas, e, assim que tocou o sinal, peguei o celular. Não demorou muito e Zhao Qian me respondeu no QQ.
“Por que você acordou tão cedo?”
Ri sozinho ao ver a mensagem. Ela nunca iria imaginar que o aluno que acabara de repreender era o mesmo com quem conversava pelo aplicativo!
Respirei fundo, continuei conversando e logo estávamos à vontade um com o outro. Passei o dia todo trocando mensagens com ela, até o final das aulas.
No caminho de volta, como de costume, peguei o ônibus para casa. Mas, para minha surpresa, logo depois de entrar, vi Zhao Qian subir também!
Fiquei intrigado. Toda a escola sabia que ela vinha de uma família rica. Por que pegaria ônibus justo hoje? Pensei em ceder meu lugar, já que só ela estava de pé, mas hesitei. Afinal, estava exausto depois de um dia inteiro de aulas, diferente de uma pessoa idosa ou grávida, para quem certamente daria o assento. Zhao Qian tinha apenas vinte e seis anos e passava boa parte do tempo sentada no escritório; duvidava que estivesse mais cansada do que eu.
Por isso, fechei os olhos e fingi dormir. Só abri de novo quando ela desceu, rindo por dentro com a ideia de que, à noite, teria as fotos que pedi!
Não dei importância ao ocorrido. Em casa, conversei mais um pouco com ela antes de dormir e, novamente, pedi as fotos. Mas Zhao Qian insistiu que só enviaria no dia seguinte.
Fiquei frustrado; insisti bastante, mas ela não cedeu. Sorri amargamente, decidido a conseguir as fotos no dia seguinte.
Antes de dormir, ainda pensei se tinha feito mal em não ceder o assento no ônibus. Mas, sinceramente, não me sentia culpado; ela era jovem, por que eu deveria levantar?
Mas depois percebi que estava enganado. No dia seguinte, Zhao Qian entrou furiosa na sala. Só porque não respondi corretamente a uma pergunta, fui alvo de sua ira por quase meia aula.
No começo, aguentei calado. Ela disse que eu era burro, que desperdiçava o dinheiro dos meus pais e que não os merecia. Depois, as ofensas pioraram; lembro nitidamente dela apontando para mim e dizendo: “Pelo seu comportamento, dá pra ver que seus pais também não valem nada! Você não entende o que é respeito aos professores?”
Essas palavras me fizeram chorar. Eu nunca tinha sido insultado daquela forma, ainda mais diante de mais de sessenta colegas.
Eu sabia exatamente o motivo das palavras dela: respeito aos professores? Era porque não lhe dei o assento no ônibus!
Voltei para casa arrasado, sem ânimo para mexer no celular. No dia seguinte, fui à escola com olheiras, achando que o assunto estava encerrado. Não imaginava que aquilo era só o começo de um pesadelo.
Quando outros alunos se atrasavam, no máximo ficavam de pé uma aula. Se eu me atrasasse alguns segundos, era xingado e chamado à sala dela, onde passava o dia todo de pé.
Se a tarefa estava um pouco fora do esperado, os outros não sofriam nada. Eu, porém, tinha que reescrever cinco ou até dez vezes.
Tolerava tudo isso, mas o pior era ela ligar para meus pais, nunca para dizer algo bom; sempre exagerava ou inventava situações. Meus pais ficavam furiosos e me batiam cada vez mais.
Essa rotina durou um mês inteiro. Era xingado praticamente todos os dias, e sempre que ela ligava para casa, aumentava ainda mais as histórias. Meus pais, cada vez mais zangados, me batiam com mais força.
Tentei explicar, contei inclusive sobre o episódio do ônibus. Mas eles não acreditaram. Disseram que uma professora jamais seria tão mesquinha; caso eu não aguentasse estudar, que largasse a escola.
Quando ouvi minha mãe dizer isso, senti como se uma faca me atravessasse. Jamais esquecerei a expressão dela: uma mistura de decepção e sofrimento.
Naquela noite, pela primeira vez, fui rebelde. Peguei o dinheiro da escola e, junto com Haolong e alguns amigos, fui a um bar. Era minha primeira vez em um lugar assim. Não lembro quanto bebi, nem como voltei para casa; dormi a maior parte do dia, só acordei já à noite.
Só então percebi o tamanho do erro: o dinheiro da escola... mais de quinhentos reais, tudo gasto! Meu Deus!