Capítulo Sessenta: Tal Como Eu Previra
— Seguir ele não vai adiantar de nada, estou te dizendo, dê um jeito de conseguir o celular do Wang Qiang e veja o histórico de chamadas dele — disse Zhou Bingna, olhando diretamente para mim. — Se você conseguir resolver isso, vou lhe dever um favor.
— Pode deixar, irmã Na! — garanti com firmeza, mas só depois que ela desligou é que meu rosto se encheu de preocupação.
Queria que eu pegasse o celular do Wang Qiang? Porra, isso é impossível! Só se eu fosse um ladrão profissional! Fiquei resmungando comigo mesmo, mas de repente uma ideia brilhante me ocorreu.
Ora, não preciso ser eu a pegar o celular dele. Posso pedir para Zhao Qian! Em vez de eu tentar roubar, é muito melhor que Zhao Qian o confisque de forma legítima! Afinal, Zhao Qian faz tudo que eu peço e, quando recolher o celular, vai me entregar!
Haha! Ri alto, empolgado com o plano. Devorei a comida à minha frente num piscar de olhos.
— Você está doente? Nunca viu comida, não? — Halong resmungou, olhando para mim sem entender.
— Que se dane, eu como o quanto quiser! — respondi, sem paciência, e então me virei para Halong: — Vamos, chega de comer.
— Porra, o que foi agora? Nem terminei ainda! — Halong gritou, mas mesmo assim foi arrastado por mim. Corri até o prédio da escola e pedi para Halong voltar para a sala, enquanto eu seguia para o escritório da Zhao Qian.
Zhao Qian estava escrevendo seu plano de aula e claramente não esperava que eu fosse aparecer, ficando imediatamente nervosa. Como poderia esquecer o que aconteceu no topo da montanha, quando quase forcei a barra com ela? Mas, ao perceber que eu vinha por outro motivo, ela relaxou visivelmente. Pedi que, à tarde, ela desse um jeito de recolher o celular do Wang Qiang. Zhao Qian nem hesitou, aceitou na mesma hora.
Wang Qiang nunca prestava atenção nas aulas, vivia mexendo no celular, então para Zhao Qian era fácil pegá-lo em flagrante e confiscar o aparelho.
Depois de conversar com Zhao Qian, saí do escritório dela. E, como esperado, na segunda aula da tarde, Zhao Qian apareceu na porta da sala, viu Wang Qiang com o celular, entrou direto e confiscou o telefone!
Haha! A cara do Wang Qiang ficou pálida na hora. Em três anos, era a primeira vez que confiscavam o celular dele! Afinal, ele era o representante de turma, e mesmo cometendo erros, Zhao Qian sempre fazia vista grossa. Mas, dessa vez, ficou sem reação.
Como previsto, assim que o sinal do fim da aula tocou, Wang Qiang correu para o escritório de Zhao Qian para tentar pegar o celular de volta. Mas eu já tinha instruído Zhao Qian a não devolver de jeito nenhum, não importava o quanto ele insistisse.
Wang Qiang voltou cabisbaixo para a sala, claramente derrotado. Eu estava radiante. Levantei a mão pedindo para ir ao banheiro, e, autorizado pelo professor, fui direto ao escritório de Zhao Qian. Peguei o celular do Wang Qiang com ela e me sentei ali mesmo para bisbilhotar o aparelho.
No histórico de chamadas, estavam os números discados recentemente por Wang Qiang.
‘Pai’
‘Mãe’
‘Tia terceira’
‘Dongzi’
‘Companheiro de ferro’
Olhei para aquele histórico e franzi a testa várias vezes. Esse cara não tem outra coisa para fazer? Tanta ligação assim? Tinha quase cinquenta registros num único dia! Revirei os olhos. Lembrei claramente que o assalto aconteceu anteontem de manhã, certo?
Ansioso, fui direto ao histórico daquele dia. No almoço e à tarde, Wang Qiang fez várias ligações. Mas às seis da manhã, havia alguns registros particularmente suspeitos!
Wang Qiang ligou para um número salvo como: Xiao Hu.
Xiao Hu? Franzi ainda mais a testa e, no instante seguinte, uma excitação incontrolável percorreu meu corpo! Xiao Hu... lembro perfeitamente: dos três assaltantes, o líder tinha uma barba cerrada, o segundo era uma mulher chamada Xiao Han, e o terceiro, Xiao Feng.
Esse Xiao Hu só pode ser o barbudo! E o registro era das seis da manhã, pouco antes do assalto! E Wang Qiang ligou para esse Xiao Hu sete ou oito vezes!
Só pode ter sido Wang Qiang! Filho da mãe! Sinceramente, fiquei com vontade de explodir! Nunca imaginei que Wang Qiang estivesse por trás do assalto!
Furioso, peguei o telefone e liguei para Zhou Bingna. Mal chamou, ela atendeu.
— Irmã Na, você vem até aqui, ou eu vou até você? Já consegui o celular dele — falei.
— Tão rápido?! Ótimo, ótimo! — pude ouvir a emoção na voz dela. — Então venha me encontrar. Daqui a pouco vou à casa de uma amiga. Espere-me no Mini Café da Rua da Alvorada.
— Dez minutos — respondi apressado, desligando e saindo correndo. Antes de sair, ainda avisei Zhou Bingna: se Wang Qiang vier pedir o celular de volta, bota ele pra fora. Com tudo certo, saí do portão da escola, peguei um táxi e fui direto para a Rua da Alvorada, no Mini Café.
A Rua da Alvorada é uma das mais movimentadas da nossa cidade, Wan Hai. Muitos restaurantes e lojas se concentram ali. O Mini Café é um dos estabelecimentos mais charmosos da rua, famoso pelo café delicioso — embora eu, sinceramente, nunca tenha achado graça naquela bebida.
Assim que cheguei, olhei em volta do carro. Apesar de não ser fim de semana, as ruas estavam lotadas, muita gente indo e vindo, um clima animado. O Mini Café, então, estava abarrotado.
Entrei e logo avistei Zhou Bingna sentada lá dentro.
— Irmã Na! — chamei, apressando o passo até ela. Mas, naquele instante, meu corpo inteiro estremeceu violentamente!
— Vum! — Senti como se minha cabeça fosse explodir! Zhou Bingna se levantou e pude ver claramente: usava uma saia curta, saltos altos e os cabelos soltos sobre os ombros, exalando sensualidade. Mas... algo naquela roupa era estranhamente familiar!
Era exatamente a roupa que eu tinha visto em minha visão durante a leitura de sorte! Lembrei claramente: na previsão, Zhou Bingna, diante desse mesmo Mini Café, flagrava dois ladrões de bolsas!
Será que minha leitura previa o que vai acontecer hoje? Pensei: — Irmã Na, por que não está de uniforme policial?
Sentei-me lentamente diante dela. Zhou Bingna pegou o café com calma:
— Vou à casa de uma amiga, é urgente. Não sabia do que você gosta, então pedi um café clássico.
— Qualquer coisa serve... — disse, disfarçando. Agora eu tinha certeza: minha leitura era infalível! Se nada desse errado, quando eu sair deste café, Zhou Bingna vai cruzar com os assaltantes!
Respirei fundo, tirei o celular do bolso e entreguei a ela:
— Irmã Na, aqui está o celular do Wang Qiang.
— Ótimo, ótimo! — Zhou Bingna assentiu, olhando para mim com aprovação, e ligou o aparelho, examinando a tela.
— Irmã Na, suspeito que o ‘Xiao Hu’ no histórico do Wang Qiang seja o responsável pelo assalto à nossa turma — declarei, palavra por palavra, tomando um gole do café. Que droga, quase cuspi na hora! Como alguém gosta disso? Amargo demais.
Resmunguei baixinho, mas do outro lado, Zhou Bingna estava concentrada, franzindo a testa, até guardar o celular do Wang Qiang na bolsa.
— Obrigada por isso. Estou te devendo um favor.
— Haha, irmã Na, não precisa de formalidades, pode me chamar de Xiao Feng mesmo — sorri para ela, cada vez mais aberto. — Irmã Na, posso perguntar: você vai prender o Wang Qiang?
— Se houver provas suficientes, com certeza. Wan Hai está um caos ultimamente. Acabei de assumir como vice-chefe da polícia, preciso mostrar serviço — respondeu Zhou Bingna.
Ah, era isso! Pensei comigo. Agora entendo por que Zhou Bingna estava tão empenhada em agir contra gente poderosa, investigando Wang Qiang e também os cassinos de Wan Hai. Afinal, ela acabara de assumir como vice-chefe da delegacia.