Capítulo Cinquenta e Seis – Só é um pouco melhor do que eu!
Se rolasse alguma coisa, com certeza eu me sentiria realizado...
— Que jeito? Fala logo! — Mas, ao perceber meu olhar percorrendo seu corpo, ela se irritou, agarrou minha gola e gritou comigo.
— Tenho uma ideia, tenho sim... — respondi depressa. — O gerente do cassino Mar de Jade não se chama An Quan Tao? Se ele é o gerente, deve conseguir contato com o verdadeiro dono...
— Que inútil! — ZHOU Bingna me cortou com desdém, virou-se e saiu do quarto sem nem me dar atenção.
— Ei, ei! — gritei, mas a porta já havia se fechado, e naquele enorme quarto restava só eu.
Droga! Xinguei irritado. Estavam brincando comigo? Que crime eu cometi pra me deixarem aqui largado sozinho?
— Me deixem sair! — berrei, ouvindo o eco da própria voz, mas a porta permaneceu trancada, ninguém veio me tirar dali.
Que inferno! Xinguei de novo por dentro. Isso faria qualquer um enlouquecer! Olhei ao redor, para as paredes brancas, sentindo uma opressão sufocante, até fechar os olhos devagar.
ZHOU Bingna era mesmo incrivelmente sensual... Não conseguia evitar que sua imagem me invadisse a mente. Mas sua sensualidade era diferente da de Zhao Xue, Zhao Qian ou Su Yan. Ela tinha algo de majestoso, uma aura de rainha que fazia qualquer homem desejar conquistá-la.
Quem conseguisse ficar com essa mulher, estaria no céu... Eu pensava nisso, lembrando que ela era vice-diretora, capaz de fazer até o próprio chefe tremer na sua frente como rato diante de gato!
Ela era realmente poderosa. Para ser sincero, eu mal podia esperar para voltar ao Chalé da Água Clara e dar uma olhada no livro de habilidades especiais que Xianfengzi me dera. Dizer que não acreditava em adivinhação era mentira; antes, eu mesmo achava impossível. Mas, depois de ouvir tudo que Xianfengzi disse, comecei a crer mesmo que poderes sobrenaturais existem.
Há muita coisa neste mundo que a ciência não explica. Eu só queria logo aprender aquele livro, imaginar que um dia eu seria capaz de prever o futuro dos outros já me deixava empolgado!
Mas estar preso naquele quartinho era sufocante demais. Maldita Wang Yuyan! Um dia ainda vou fazer você se arrepender!
Cerrei os punhos, pensando que não era à toa que Wang Yuyan e Wang Qiang eram irmãos — ambos insuportáveis!
Ainda me lembrava de quando, naquela briga, acabei em cima de Wang Yuyan... Aquilo sim foi uma sensação deliciosa, só de pensar já me excitava...
Soltei um longo suspiro. Mas agora, se eu voltasse para a escola, duvido que minha vida fosse fácil de novo. Será que Wang Yuyan me deixaria em paz?
Fiquei ali, remoendo isso, por mais de duas horas. Quando, finalmente, a porta se abriu, achei que iam me soltar. Mas entrou só um policial jovem, com uma marmita e uma garrafa de água.
— Coma! — disse ele, colocando a comida ao meu lado.
Vá pro inferno! Xinguei mentalmente. Olhei para a comida, indignado — aquilo podia ser chamado de refeição? Só tinha folhas verdes, tudo ensopado. Ainda assim, com fome, acabei comendo um pouco, mesmo algemado, o que era desconfortável demais.
Quando terminei, tentei puxar conversa, mas o policial já havia saído.
Que droga! Eu estava à beira da loucura naquele quartinho. E lá fiquei, mais umas quatro ou cinco horas, quase no limite do desespero. Foi então que ouvi um grito furioso do lado de fora:
— Onde está aquele garoto?!
Logo depois, a porta se abriu e um casal de meia-idade entrou no quarto. O homem, fora de si, já entrou me xingando, com o punho levantado. Os insultos eram pesados.
Fiquei atônito. Que droga era aquela? Não importa quem fossem, se viessem me xingar sem motivo, eu também xingaria a família deles! Eu ia responder, mas naquele momento, ZHOU Bingna surgiu na porta.
— Chega! Seu filho também teve culpa. Foi ele quem começou a briga e acabou ferido. A culpa é de quem? — ela disse, encarando o casal. Só então entendi: eram os pais do garoto que eu feri.
Assim que ZHOU Bingna falou, eles ficaram quietos. Era inegável o poder de sua presença. Quando ela abria a boca, parecia que as pessoas ouviam uma ordem imperial, impossível de desobedecer.
Eu estava furioso, mas com ela ali, não podia dizer nada. Depois, ZHOU Bingna explicou a situação legal. O garoto que eu feri não teve nada grave; o exame confirmou. A polícia sugeriu um acordo. Ou seja, compensação financeira.
Como eles vieram para cima de mim, mas eu exagerei na reação, e claramente os pais do garoto queriam apenas arrancar dinheiro de mim. Exigiram cinquenta mil, nem um centavo a menos, ou me processariam. Xinguei por dentro, estava indignado. Mas ZHOU Bingna foi clara: se isso fosse para a Justiça, eu acabaria pagando, talvez até preso.
Não havia câmeras ali, e as testemunhas eram todas amigas de Wang Yuyan — certamente mentiriam contra mim. Eu estava mesmo em desvantagem. E, pelo que conhecia de ZHOU Bingna, ela era justa. Pouco tempo convivendo, mas sentia que ela não mentiria para mim.
No fim, aceitei, mas pedi uma semana para pagar.
No fim das contas, saí perdendo sem poder reclamar. Mas não me arrependo; foi a primeira vez na vida que perdi o controle assim. Nunca tinha feito nada tão ousado, nem usado faca, mas antes jamais teria coragem.
Só à noite fui liberado do distrito policial. Aqueles dois policiais de antes me levaram de viatura até o Chalé da Água Clara. Quando cheguei, a turma estava em alvoroço, vários colegas vieram me ver, perguntando de tudo. Respondi de forma vaga, até que, já tarde da noite, todos foram embora, restando no quarto apenas Hao Long, Zhao Xue, Zhao Qian e... Mi Yue, que também ficou.
— Louco, como você resolveu isso afinal? — Hao Long, calado até então, só esperou todos saírem para me perguntar, com expressão séria.
— Tive que pagar, cinquenta mil — respondi, sem saber o que sentir. Já estava no meu limite.
— Cinquenta mil?! Maldição! — Hao Long explodiu, mas Zhao Qian o repreendeu com o olhar e ele se calou, voltando a ficar emburrado num canto. Zhao Xue quis saber mais detalhes, então contei tudo. Falei por uns bons quinze minutos. Quando terminei, Zhao Xue e Zhao Qian conversaram mais um pouco comigo e depois saíram.
No quarto, restamos eu e Hao Long.
Eu estava exausto. Tirei a roupa de qualquer jeito, apaguei as luzes. Hao Long, percebendo meu cansaço, não falou mais nada. Mas eu, deitado na cama, não conseguia dormir, atormentado por mil pensamentos. Planejava procurar Zhao Qian aquela noite, para ficar com ela, mas agora estava sem ânimo algum.
— Diga, Hao Long, se um cara for muito, muito bonito, virar garoto de programa, quanto acha que ele ganha? — perguntei, desesperado, pois teria que pagar os cinquenta mil. De onde tiraria esse dinheiro?
— Quanto ele ganha? Tem que ver o quão bonito é — Hao Long respondeu, rindo. — Você, no máximo, está acima de mim!
— Não, digo bonito como um astro de cinema, mesmo. Quanto será que ganha? — insisti.
— Se for mesmo bonito como um astro, dá pra ganhar um bom dinheiro. Você não faz ideia de quanto aquelas mulheres têm. Se agradar, jogam dinheiro em cima! E, os mais bonitos, ainda têm o luxo de escolher cliente, não é qualquer mulher que eles atendem; só as belas também.