Capítulo Cinquenta e Sete - Dedicação Ardente ao Estudo
Hao Long dirigiu-se a mim dizendo: “Nem precisa pensar nisso, porra, você só é um pouco mais bonito que eu.”
“Droga!” resmunguei, já sem paciência, e me calei. Se fosse mesmo assim, eu bem que ficaria tentado.
“Da Long, me passa o telefone da Yao Qin,” pedi ao Hao Long.
“Passar para a tua avó! O celular não foi roubado?” Hao Long me lançou um olhar atravessado e reclamou alto: “Porra, naquele celular eu tinha salvo contato de tanta mulher incrível, e agora foi tudo pro saco!”
“Para de reclamar e vai dormir!” murmurei, os olhos já pesando de sono. Eu tinha decidido: era hora de ganhar meu próprio dinheiro. Com esse pensamento, peguei no sono rapidinho.
Não faço ideia de quantos sonhos tive durante aquele sono. Apesar de ter dormido bastante, acordei no dia seguinte ainda com dores nas costas e na lombar.
Comparado ao dia anterior, as atividades do segundo dia foram bem mais tranquilas. Na hora do almoço, todos os alunos e professores se reuniram, acenderam uma fogueira e começaram a fazer apresentações. Essas coisas não tinham nada a ver comigo. Não tinha nenhum talento especial, só sabia cantar bem. Mas cantar na frente de tanta gente, eu morria de vergonha.
O almoço, porém, foi uma festa, principalmente porque rolou um pouco de bebida. Até quem era tímido se soltou, e no meio da roda começaram as apresentações. Teve canto, dança, até esquetes de humor, de tudo um pouco, empolgando quem assistia. Só o Hao Long, ao meu lado, não parava de me incentivar a cantar, porque sabia que eu mandava bem.
No fundo, nem sei ao certo meu nível como cantor, só posso garantir que minha voz tem magnetismo. Mesmo assim, acabei não subindo ao palco. Realmente morri de vergonha. Ainda mais depois de ter apanhado da Wang Yuyan no dia anterior, que cara eu teria?
Já Wang Yuyan não parecia se importar nem um pouco. Com seu jeito extrovertido, dançou de maneira sensual no meio da multidão, deixando todos os alunos enlouquecidos. Não foi só ela; até Zhao Xue entrou na dança. Ambas optaram por danças sensuais.
O auge das apresentações veio quando Zhao Qian subiu ao palco. Segundo ela, queria se apresentar junto com Su Yan: Su Yan cantaria, ela dançaria. Mas, na última hora, Su Yan desistiu, e Zhao Qian teve que dançar sozinha, ao som da música.
Como professora — e ainda por cima famosa em toda a cidade de Wanhai pela sua beleza —, Zhao Qian deixou os alunos em polvorosa ao dançar. Muitos sacaram o celular para filmar. A dança era realmente provocante. Só foi uma pena que Su Yan não tenha participado; com as duas, os alunos teriam ido à loucura.
Ninguém sabia por que Su Yan não quis se apresentar. Nem Zhao Qian, que só sabia que a amiga estava de mau humor, mas não o motivo.
Eu, porém, sabia muito bem o motivo. Que ânimo Su Yan teria para brincar, depois do que aconteceu comigo naquela noite, no meio do nada, quando lhe tirei a virgindade?
Pensando nisso, mal podia acreditar que Su Yan era mesmo virgem. Porra, uma mulher tão linda, ainda pura... eu realmente tive sorte grande.
Enquanto esses pensamentos me dominavam, o almoço se estendeu das doze até quase quatro da tarde. Era a primeira vez que eu comia com mais de mil pessoas, uma sensação única. Depois, cada turma voltou para seu ônibus, e seguimos apressados de volta à cidade de Wanhai.
Para meu desgosto, Zhao Degang, aquele idiota, também estava no nosso ônibus. Dessa vez, ninguém quis papo com ele, nem mesmo Zhao Qian, que não lhe dirigiu uma palavra. Zhao Degang tentou se aproximar dela várias vezes, mas ela simplesmente o ignorou.
Por dentro, comemorei. Sério, Zhao Degang é um imbecil! O melhor é mesmo ignorá-lo. No caminho, alguns colegas perguntaram a Zhao Qian se havia chance de recuperar os objetos roubados durante o assalto. Ela respondeu que a polícia já estava cuidando do caso.
Ninguém insistiu no assunto; afinal, já tinha acontecido, não havia muito o que fazer. Só quando chegamos de volta a Wanhai cada um seguiu para sua casa.
Assim que entrei em casa, tranquei a porta e peguei o livro que Xian Fengzi me dera, pronto para uma leitura atenta.
Juro, nunca na vida li um livro com tanto afinco. Antes, só de olhar para um livro, já me dava dor de cabeça. Agora, queria analisar até cada pontuação.
O livro tinha só sete páginas, mas as letras eram minúsculas e bem juntinhas.
Logo nas primeiras linhas da primeira página, fiquei eufórico:
“A arte da adivinhação vem dos tempos antigos. Quem a domina, pode conhecer passado e futuro, tudo saber!”
Ha! Senti o sangue fervendo e continuei a leitura, mas a frase seguinte me fez franzir a testa:
“Adivinhar o destino é espiar os segredos do céu; cada vez que se pratica a técnica e se faz uma previsão, perde-se parte da longevidade.”
O quê?! Quase gritei de susto. Porra, não é possível: fazer adivinhação para os outros vai me tirar anos de vida? E eu nem sei quanto tempo vou viver! Mesmo o mais sortudo chega só aos cem anos, e cada previsão ainda reduz a vida? Que porra de arte é essa?
Resmungando por dentro, segui lendo. Mas o conteúdo seguinte me deixou ainda mais confuso, porque não entendi quase nada.
“Os mestres usam o ano, mês, dia e hora de nascimento de uma pessoa, organizando-os em oito caracteres, chamados ‘os oito pilares’, e a partir disso, segundo a relação dos cinco elementos, calculam o destino.”
Lendo isso, senti gotas de suor escorrerem pela testa. Que diabos era aquilo? Eu mal entendia a gramática do ensino fundamental, quanto mais esse troço! Sem saída, tive que ligar o computador e pesquisar cada dúvida na internet.
Assim, fui lendo devagarinho por quatro ou cinco horas, até depois da meia-noite. Finalmente terminei. Quando fechei o livro, senti uma vontade de rir e chorar ao mesmo tempo!
Puta merda, será que estão tirando sarro da minha cara? O livro realmente ensina a adivinhar o destino, mas antes é preciso aprender a interpretar os oito pilares, ou seja, a hora exata do nascimento. Eu não sabia nada disso. Lembro bem: naquela noite, fiquei na frente do computador até o amanhecer, tentando entender. Uma noite inteira sem dormir! No fim, mal conseguia segurar os bocejos.
Só depois das seis da manhã desliguei o computador, exausto. Tenho que admitir: aquela noite me deixou esgotado mentalmente.
Lambi os lábios. Agora, finalmente, eu dominava a essência do livro, mas entendia também por que Xian Fengzi disse que era apenas um manual de iniciação.
Por exemplo, se fosse adivinhar o futuro do meu pai, só conseguiria prever um acontecimento aleatório nos próximos três dias.
E não podia adivinhar meu próprio destino. O pior: cada previsão feita para outra pessoa me tirava dois dias de vida!
Droga, dois dias! Isso mesmo, viveria dois dias a menos! Não faço ideia de quanto tempo vou viver, mas não posso sair por aí prevendo o destino de todo mundo, isso é suicídio...
Mas será que esse negócio funciona mesmo...? Engoli em seco. Dane-se, vou testar, perder dois dias de vida que seja! Pensei nisso, e nesse exato momento, meu telefone tocou!
Ainda bem que passei a noite em claro, senão teria acordado assustado. Quem liga tão cedo? Olhei: era um número desconhecido.
“Alô, bom dia.” Atendi despreocupado, respondendo com indiferença.
“É o Jiang Feng, não é? Aqui é a Zhou Bingna.”
Na mesma hora, uma voz feminina e arrogante soou do outro lado da linha.
Zhou Bingna?! Para falar a verdade, nem precisava dizer o nome; só pela voz eu reconheceria. Caramba, fiquei até zonzo. Por que Zhou Bingna estava me ligando tão cedo?
“Ah, irmã Na, o que foi...?”