Capítulo Cinquenta e Nove — Não Compre

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2721 palavras 2026-02-07 12:36:00

Eu pensava nisso e, sem mais delongas, vesti-me rapidamente e fui para a escola. Quando cheguei à sala de aula, bati na porta e entrei diretamente. Lá dentro, Zhao Qian ainda estava dando aula, mas não teve tempo de se importar comigo; fui até meu lugar e me sentei.

“Você percebeu?”, sussurrou Zhao Xue, com um sorriso maroto, “Desde que você enfrentou aqueles três bandidos no ônibus, mesmo que chegue atrasado, Zhao Qian não fala mais nada! Irmão, está com moral, hein!”

Balancei a cabeça. Zhao Qian não fazia vista grossa por causa daquilo. Zhao Xue não sabia que, na verdade, era porque eu detinha um segredo dela.

“Mana, me dá sua data e hora de nascimento”, pedi, pegando uma caneta devagar.

“Pra que você quer isso?”

“Rápido, é urgente”, insisti, ansioso. Precisava tentar de novo.

Zhao Xue olhou para mim, resignada, mas acabou me passando os dados. O que eu não esperava era que, ao fazer a previsão para Zhao Xue, nossa relação simples mudaria para sempre.

Lembro-me claramente: enquanto Zhao Qian dava aula, eu, alheio ao que ela dizia, analisava atentamente a data de nascimento de Zhao Xue. Fiquei nisso por mais de uma hora, até que minha mente ficou completamente vazia.

De repente, uma imagem surgiu em minha mente!

Era um quarto, claramente um dormitório. E, de algum modo, eu o reconhecia—era a casa de Zhao Xue! Já tinha estado lá antes. Só que, na minha visão, não aparecia Zhao Xue, mas sim um homem de mais de quarenta anos e uma mulher de idade semelhante. O homem usava um casaco de pele e exalava autoridade.

A mulher ao seu lado, para ser sincero, tinha ao menos uns setenta por cento das feições de Zhao Xue. Se não me enganava, eram os pais dela.

Os pais de Zhao Xue encaravam fixamente o computador, que exibia um programa de ações. Mas, naquele momento, o semblante deles estava pálido, sem uma gota de sangue.

Ambos fitavam a tela desesperados, até que uma lágrima escorreu dos olhos da mãe de Zhao Xue.

“O que vamos fazer? Eu te disse ontem pra não comprar essa ação, mas você quis comprar! Em um só dia, despencou até o fundo. Quer perder todo o nosso dinheiro? Desse jeito, vamos perder tudo! E agora, nem se quisermos vender conseguimos!”—gritou a mãe de Zhao Xue, a voz rouca de desespero.

“Você está nervosa? Eu também estou!”, explodiu o pai de Zhao Xue, empurrando o computador com força.

“Isso é ser homem? Perdeu o dinheiro da família e ainda grita comigo? Não dá mais pra viver assim!”

“Se não dá, então divórcio! Vá embora, desapareça da minha frente!”, berrou o pai de Zhao Xue, também pálido. E, nesse instante, tudo se apagou da minha mente.

“Ugh!” Balancei a cabeça com força, voltando ao presente. Diante de mim, Zhao Qian seguia na lousa e Zhao Xue me observava atentamente.

“Você está estranho, ficou viajando agora há pouco!”, riu Zhao Xue baixinho. “Sonhando acordado?”

“Mana, me diz uma coisa: seus pais voltaram para casa?”, perguntei em voz baixa. Da última vez que fui à casa dela, só estava ela. Lembro que até a vi tomando banho tarde da noite. Ela tinha dito que os pais estavam morando fora.

“Como você sabe?”, Zhao Xue ficou surpresa. “Eles voltaram ontem. Resolveram, de última hora, não trabalhar mais fora. Parece que juntaram um bom dinheiro e querem investir em algum negócio aqui em Wanhai. Quem te contou? Como você sabia?”

“Foi o que previ”, respondi sério, mostrando os dados que ela mesma me dera.

“Ah? Hahaha, irmão, não brinca assim comigo!”, ela riu alto, chamando a atenção de Zhao Qian, que franziu o cenho, mas, sem dizer nada, apenas me olhou com resignação antes de prosseguir a aula.

“Não acredita?”, sorri para Zhao Xue. “Normalmente, não conto para os outros que sei prever o futuro. Lembre-se: também não conte para ninguém.”

“Tá bom, tá bom, até de mim está querendo enganar agora?”, ela me olhou de lado. “Conta logo a verdade, quem te disse que meus pais voltaram?”

“Foi mesmo previsão!”, insisti. Não importava o que eu dissesse, Zhao Xue não acreditaria. E, pensando bem, era compreensível. Se alguém me dissesse algo assim, eu também não acreditaria.

“Deixa pra lá. Mana, quando chegar em casa hoje, pergunta aos seus pais se estão comprando ações”, sugeri após pensar um pouco. Afinal, ter previsto isso me custou dois dias de vida.

“Como você sabe disso também?”, Zhao Xue ficou espantada, olhando para mim com incredulidade.

“Já disse, sei prever o futuro”, balancei a cabeça, sem saber como explicar.

“Prever o quê! Fala logo, como você sabe que meus pais estão investindo na bolsa?”, resmungou Zhao Xue. “Na verdade, eles já fazem isso faz tempo. Mesmo morando fora, nunca ganharam tanto assim. Esse dinheiro veio todo da bolsa. Meu pai, aliás, é muito bom nisso!”

Ao dizer isso, Zhao Xue não escondeu o orgulho: “Ele pode não ser um grande empresário, mas no mercado de ações é conhecido. Muita gente faz questão de levar presentes e pedir conselhos sobre qual ação comprar. E o mais incrível é que as ações que ele escolhe quase sempre sobem! Por isso, agora que voltaram, trouxeram uma boa quantia. Se um dia quiser tentar investir, pode pedir dicas ao meu pai.”

“Tá se achando, hein!”, suspirei, mas, no fundo, estava surpreso. Minhas previsões estavam certas! Os pais de Zhao Xue realmente haviam voltado e estavam investindo justamente na bolsa, exatamente como eu vira.

“Mana, preciso te dizer algo sério”, falei, encarando Zhao Xue e tomando coragem.

“Ah, mas o que pode ser tão importante assim?”, ela respondeu, rindo.

“Não estou brincando. Hoje, depois da aula, liga pro seu pai e diz para ele não comprar ações da ‘Carro do Sul’, de jeito nenhum!”

“Carro do Sul? O que tem essa ação?”, perguntou Zhao Xue, surpresa. “Meu pai nunca erra nessas coisas!”

“Mesmo assim, avisa ele, por favor”, pedi, revirando os olhos. Não importava o que eu dissesse, Zhao Xue não acreditava.

Ela apenas assentiu, sem dar muita importância, e seguimos conversando de forma descompromissada. No horário do almoço, recebi uma ligação de Zhou Bingna. Como eu estava com o telefone do meu pai, a primeira coisa que ela perguntou foi se era Jiang Feng.

Assim que confirmei minha identidade, ela quis saber se eu já tinha resolvido o assunto. Naquele instante, dei um tapa na testa. Droga! Passei a manhã toda brincando de previsão e tinha esquecido completamente do que Zhou Bingna havia me pedido!

Mas não podia dizer isso para ela. Senti um constrangimento enorme, larguei os talheres e, sorrindo amarelo, respondi: “Mana Na, já investiguei. Estou só esperando o fim da aula para segui-lo. Fica tranquila...”.

Mentira descarada, eu sei. Mas se dissesse que tinha esquecido, seria ainda pior.