Capítulo Vinte: De fato, preciso de sua ajuda...
O quê?! Essa frase me deixou completamente atordoado. Olhei para Hélio Longo, perplexo: "Então, por que eu deveria encontrá-la?"
"Por quê? Para dar um jeito em João Forte! Aquela mulher é casada, e o marido dela é bem influente." Hélio Longo me encarou e disse: "Você é mais bonito do que eu, ela provavelmente vai gostar de você. Você sabe conversar, ela com certeza vai ajudar."
"Sério? Será que dá certo..." murmurei, inseguro, encarando Hélio Longo. Ele acenou com a cabeça: "Essa mulher, da última vez que ficou comigo, estava bêbada. Não tinha a menor ideia do que fazia. Depois que rolou, pela manhã, ao acordar e perceber que estávamos na mesma cama, só então se deu conta do que aconteceu. Ela disse que, além do marido, eu era o segundo homem dela. Pediu para eu não contar nada, senão o marido certamente pediria o divórcio. Por causa disso, ela me deu dez mil reais para eu ficar calado. E ainda deixou o telefone."
"Daqui a pouco eu te levo para encontrá-la. Ela vai querer garantir que eu não diga nada, então vai te ajudar." Hélio Longo falou animado: "Aquela mulher, de verdade, é excepcional. Depois disso, fiquei pensando quando ela voltaria, mas nunca mais apareceu."
"Isso..." murmurei, mas antes que eu terminasse, Hélio Longo exclamou: "Chega, chega, para de comer, vamos, rápido, agora!" Sem esperar, ele me puxou para cima. Eu não tinha a força dele, fui arrastado para fora da escola e pegamos um táxi.
No carro, Hélio Longo fez uma ligação breve. A mulher disse para encontrá-la no Café Encontro Casual.
O Café Encontro Casual é um dos lugares mais sofisticados de Cidade do Mar Grande; o café lá é absurdamente caro. Nunca tinha ido, só gente da alta frequenta.
Só quando chegamos à porta do café, descemos do táxi e eu perguntei: "Hélio, você trouxe dinheiro?"
"Trouxe, toma", respondeu ele sorrindo, tirando um maço de notas do bolso. Peguei com as mãos trêmulas, devia ter mais de mil reais ali. Suspirei, resignado; da última vez, também tinha pego dinheiro com Hélio para pagar taxas escolares. Sei que ele nunca me pressiona para devolver, mas me sinto desconfortável.
Nesse momento, Hélio Longo deu uma tapinha no meu ombro, rindo: "Idiota, meu dinheiro é teu, usa como quiser."
Eu... Naquele instante, meus olhos se encheram de lágrimas! Todas as emoções quase transbordaram de uma vez!
Apesar de ser só uma frase, eu sabia que Hélio Longo falava de coração. Segurei as lágrimas e entrei com ele no café. Assim que atravessamos a porta, dois atendentes se curvaram a noventa graus: "Boa tarde, senhores, mesa para dois?"
"Três", respondeu Hélio Longo, indo para um pequeno salão lateral. "Vamos sentar aqui."
"Perfeito, senhores. Gostariam de beber algo?" O atendente sorriu, educado. Hélio Longo olhou o celular: "Falta uma pessoa, daqui a pouco pedimos."
"Perfeito, senhor." O atendente respondeu e se afastou. Só então Hélio Longo se virou para mim: "Louco, daqui a pouco não vacila, saiba o que pode e o que não pode dizer. Você já é adulto, entende como as coisas funcionam. Observa meus sinais, já somos amigos há tanto tempo, você sabe o que cada olhar significa, não sabe?"
"Porra, até o jeito que você se mexe eu já prevejo!" Ri, e não era exagero: com o tempo, a gente se entende tanto que cada gesto revela exatamente o que o outro quer.
"Outra coisa, Louco, o nome dessa mulher é Quim Yao. Chama ela de irmã Quim, só isso."
"Quim Yao, Quim Yao..." Repeti mentalmente, gravando o nome.
Enquanto conversávamos, ouvi o som de freios lá fora. Olhei para a rua. De fato, um conversível vermelho estacionou diante do café. O carro era lindo, devia custar uma fortuna.
A chegada do carro atraiu um monte de olhares; senti que todo mundo no café olhava para fora, involuntariamente. Nesse momento, a porta do carro se abriu e saiu uma mulher de uns trinta anos.
A maquiagem dela era discreta, mas os lábios vermelhos eram irresistivelmente sensuais. Vestia um vestido preto, justo, moldando perfeitamente as curvas do corpo. O decote baixo revelava só o suficiente, e os sapatos de salto alto faziam com que não só o busto balançasse ao caminhar, mas também o quadril, que ondulava de um lado para o outro!
Sensual! Se eu tivesse de defini-la, seria essa palavra. Além disso, exalava uma elegância madura. Os traços delicados e a postura ao caminhar faziam qualquer homem se encantar.
"Chegou!" Hélio Longo ao meu lado levantou-se de imediato, sorrindo.
"O quê?" Ela é a Quim Yao?! Olhei de novo, inconsciente, completamente abobado. "Não é possível... Hélio, você e essa mulher... tiveram algo?" Caramba, Hélio deu muita sorte! Essa mulher era de tirar o fôlego!
"Quieto! Fala baixo." Hélio Longo apertou minha coxa, quase me fazendo gritar de dor, mas a mulher já estava diante de nós, então engoli o grito e forcei um sorriso: "Irmã Quim."
"Olá." Quim Yao não esperava que eu soubesse seu nome antes de Hélio Longo se apresentar. Ela acenou para mim, depois olhou para Hélio Longo: "O que vocês querem comigo desta vez?"
Ao terminar, ela colocou a bolsa no sofá e sentou-se com elegância: "Atendente, três cafés da casa."
"Sim!" O atendente respondeu prontamente.
Nesse momento, Hélio Longo sorriu, um pouco constrangido: "Irmã Quim, é verdade, precisamos de um favor... bem..."
"Fala logo o que é." Quim Yao olhou para Hélio Longo, e pude perceber o cansaço no olhar: "Diga o que precisa. Se eu puder ajudar, vou ajudar."
"Obrigado, irmã Quim, obrigado..." Hélio Longo repetia, enquanto o atendente trouxe três cafés, colocando-os à nossa frente. Assim que o atendente saiu, Hélio Longo foi direto ao assunto: "Irmã Quim, é assim... Este aqui é meu melhor amigo, crescemos juntos, dividindo até as calças. Ele arrumou confusão com um valentão na escola, aí eu fiquei bravo e bati no cara, agora temo que ele queira se vingar..."
"Ah, é só isso?" Antes que Hélio Longo terminasse, Quim Yao fez um gesto de desprezo: "Um problema tão pequeno, achei que era algo sério. Vou dar um jeito, depois te ligo. Por agora, preciso ir, tenho outros compromissos." E, sem hesitar, levantou-se, pegou a bolsa e saiu!
O quê?! Olhei para a figura dela, ainda atônito. Já está resolvido?! Naquele instante, ela estava de costas para mim, e sua silhueta perfeita me deixou ainda mais paralisado.
Não fui só eu; Hélio Longo ao meu lado também ficou espantado, deu um sorriso amarelo, levantou-se e me puxou, seguimos atrás dela até a porta: "Irmã Quim, está com pressa?"
"Sim, a empresa precisa de mim, mas fiquem tranquilos. Se precisarem de ajuda, venham me procurar." Ela olhou para Hélio Longo, aproximou-se e sussurrou ao ouvido dele: "Lembre-se, sobre aquele assunto, não diga nada, não importa quem pergunte."
"Pode deixar, irmã Quim, pode confiar." Hélio Longo acenou, concordando repetidas vezes. Vendo isso, ela sorriu, entrou no carro e partiu.
Depois que ela foi embora, nós dois voltamos para o café. Droga, pedimos três cafés e nem bebemos! São caros demais! Não tenho coragem de desperdiçar assim!
Dentro do café, eu e Hélio Longo segurávamos uma xícara cada um, trocando olhares, bebendo devagar.
"Me diz, Hélio, e essa mulher, como é na cama?" Olhei para ele, sinceramente não conseguia imaginar Quim Yao entre lençóis.