Capítulo Trinta - Um Impulso Repentino
Vá para o inferno! Naquele momento, eu quase xinguei ela! Será que sou cego? Eu realmente não sei quem é o cego aqui! A avenida era tão larga, eu estava andando tranquilamente, e essa tal de Yang Yun veio correndo feito um foguete, praticamente se jogando em cima de mim! Mas, naquele momento, eu ainda estava usando uma máscara, ela não fazia ideia de quem eu era!
Na mesma hora, senti meu sangue ferver e, sem pensar muito, encarei Yang Yun e perguntei: “Você está falando comigo?”
“Óbvio! Se não for com você, vai ser com quem? Não sabe desviar de mim, não? Você é pior que um cego! Pelo menos o cego escuta o barulho e desvia das pessoas!” Ela gritou comigo, o rosto vermelho de fúria.
Será que essa mulher está na menopausa? Era o que eu pensava comigo mesmo. Minha noite já estava ruim o suficiente, e ouvir aquilo me tirou completamente do sério: “Você é idiota, é? Eu estava andando normalmente, foi você quem bateu em mim!”
“Fala de novo comigo desse jeito!” Mal terminei de falar, o rosto dela mudou, ficou sombrio, e ela disse friamente.
Ora, que droga, meu orgulho também falou mais alto. Eu estava de máscara, por que teria medo dela? Só porque é bonita quer dizer que é melhor que os outros?
“Você se acha muito, não é?” Ri com desdém para ela, mas, nesse momento, Yang Yun tirou o celular do bolso, demorou um pouco procurando um contato, e de repente ligou para alguém. Em poucos segundos, o telefone foi atendido.
Yang Yun, com as sobrancelhas franzidas e a voz dura, disse: “Li Xiong, vem aqui com alguns amigos, estou com problema. Estou na Rua da Alvorada.”
Meu coração gelou ao ouvir isso. Li Xiong era colega dela, muito conhecido na escola. Ele sempre tentava conquistar Yang Yun, mas ela nunca aceitou, todo mundo sabia disso. Jamais imaginei que ela fosse ligar para ele. Estava claro que queria arrumar confusão para o meu lado.
Vi com meus próprios olhos quando ela desligou o telefone, ficou ali parada, cheia de si, e apontou para mim com arrogância: “Espera só, hoje vou fazer você se ajoelhar diante de mim!”
“Vai para o inferno!” Naquele instante, não aguentei mais, gritei feito louco e avancei em direção a ela, agarrando seu pescoço com força.
Por tanto tempo fui um covarde, na escola não ousava provocar ninguém, especialmente quem tinha fama, muito menos as garotas populares. Mas agora, de máscara, de que eu teria medo?
“Ah!” Eu já não tinha mais nenhum controle, puxei Yang Yun comigo.
“Solta-me! Se eu descobrir quem você é, vou arranjar alguém para te matar!” Ela também ficou apavorada, não esperava que eu fosse partir para cima dela daquele jeito! Ali havia câmeras por todo lado, e ela tinha certeza de que eu não teria coragem de fazer nada, mas eu, com aquela máscara, não tinha mais medo de nada!
Naquele momento, um instinto animalesco tomou conta de mim, tapei a boca dela para não dar nenhum grito, puxando-a à força por uns bons metros até chegar a um beco estreito.
Já passava das dez da noite, quase todas as lojas estavam fechadas, e havia pouquíssimas pessoas na rua. Assim que entramos no beco, perdi todo o controle, empurrei Yang Yun contra a parede com força – foi a primeira vez na vida que enlouqueci desse jeito!
Minhas mãos, agindo como se tivessem vontade própria, apertaram o seio dela.
No mesmo instante, meu cérebro ficou em branco! A sensação macia fez meu corpo inteiro tremer, como se uma corrente elétrica tivesse passado por mim!
“Ah!” Nesse momento, Yang Yun gritou e, de súbito, cravou os dentes no meu braço!
“Solte!” Urrei, sentindo o suor frio escorrer pelo rosto. A mordida dela parecia querer arrancar minha carne! Tomado pela raiva, joguei-a no chão e, sem pensar, tirei o vestido dela, apertando com força suas nádegas.
Senti meu nariz quase sangrar. Era verão, e à noite, debaixo do vestido, Yang Yun só usava uma calcinha preta, sem shorts por baixo. Vi uma linha de pecado... Admito, fiquei paralisado. Nunca imaginei, nem nos meus sonhos mais loucos, ver o corpo da deusa Yang Yun.
Mas a sorte não durou dois segundos. Enquanto eu estava paralisado, Yang Yun se levantou do chão de repente, levantou a mão e me deu um tapa tão forte que o rosto ardeu na hora.
“Você... você vai ver, vou mandar alguém te matar, te matar!” Ela gritou, desesperada, e saiu correndo.
Fiquei completamente atônito, incapaz de reagir, parado feito um boneco. Só depois que ela sumiu da minha vista, sacudi a cabeça e, enfim, uma onda de alívio percorreu meu corpo.
Eu realmente toquei em Yang Yun agora há pouco? Nem conseguia acreditar que aquilo tinha mesmo acontecido. Com o corpo anestesiado, voltei para a rua e chamei um táxi. Ao chegar em casa, rolei na cama a noite toda, incapaz de dormir. Dizer que não estava assustado seria mentira.
Com a máscara, ela não me reconheceria, certo? Ou será que chamou a polícia? Será que vão me encontrar?
Naquela noite, também não dormi quase nada. Mas eu não sabia que, do outro lado, Yang Yun também passou a noite em claro.
Em uma cafeteria de Wanhai, sentavam-se duas pessoas. Uma era Yang Yun; o outro, Li Xiong, que sempre a perseguia.
Li Xiong estava furioso! Olhou para Yang Yun e, de repente, gritou: “Xiaoyun, o que aconteceu com você? Me conta, por favor! Você sabe que gosto de você de verdade?!”
Mas Yang Yun parecia nem ouvir, continuava enxugando as lágrimas, sentada em silêncio.
“Fala comigo, por favor!” Li Xiong gritava, desesperado. Era tarde da noite, ela ligou dizendo que estava com problemas, ele correu para encontrá-la, mas, ao vê-la, ela ficou muda. O que estava acontecendo?
“Não é nada... eu vou embora.” Ela acabou não dizendo nada, levantando-se para sair. Só então Li Xiong se desesperou: “Xiaoyun, o que houve? Me conta, por favor!”
“Contar o quê? Te incomodei no meio da noite, desculpa, pronto? Vou pra casa!” Ela gritou, chorando de novo. Nem em pesadelo Yang Yun imaginaria passar por uma situação assim. Desde os tempos de escola, recebeu cartas de amor e mensagens de insinuação sem fim, mas nunca deu atenção a ninguém. Os pais sempre lhe ensinaram que menina deve proteger seu corpo.
Mas, justo hoje, um desconhecido tocou e viu tudo! Por quê? Só de lembrar, sentia raiva. Sem pensar direito, gritou para Li Xiong: “Faça o que for preciso, arrume as gravações das câmeras, da Rua da Alvorada, por volta das dez e meia da noite, rápido!” A voz já rouca, mas não importava, precisava encontrar aquele sujeito, custasse o que custasse!
Foi essa a decisão de Yang Yun. Saindo dali, virou-se e foi embora.
“Xiaoyun!” Li Xiong ficou olhando as costas dela, paralisado. Demorou uns três ou quatro minutos para reagir e sair correndo, procurando um contato para conseguir as imagens das câmeras.
Do outro lado da cidade, também passava a noite em claro Zhao Xue. No quarto enorme, ela se encolhia na cama, abraçada ao ursinho de pelúcia, relembrando as cenas do dia. Não sabia o que sentia sobre Jiang Song – de que turma ele era? Deveria agradecer a ele pessoalmente?
Soltou um longo suspiro e, rolando na cama, não conseguia dormir. Pegou o celular e ficou jogando até amanhecer.
No dia seguinte, acordei cedo, comi qualquer coisa e fui para a escola. Mas, durante todo o dia, Wang Qiang não apareceu.