Capítulo Quatorze - Emoção

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2762 palavras 2026-02-07 12:34:02

— Voltar para casa? — Assim que terminei a frase, Zhoa Xue soltou uma risada: — Voltar para casa fazer o quê, tão tarde assim? E se por acaso Wang Qiang aparecer de novo com alguém para te esperar? Dorme aqui esta noite.

— O quê?! — Gritei imediatamente. Dormir aqui?!

— Não, de jeito nenhum, irmã, eu ficar aqui? — Falei para Zhoa Xue, na verdade nem tinha pensado em dormir ali, mas depois do que ela disse sobre Wang Qiang, fiquei com medo de verdade. É claro, agora o Wang Qiang era capaz de qualquer coisa.

— Pronto, chega de conversa, hoje você dorme no meu quarto e eu durmo no sofá — disse Zhoa Xue. — Vai dormir.

— Irmã, não, de jeito nenhum, eu durmo no sofá — insisti, pois não faz sentido um homem dormir na cama enquanto a mulher fica no sofá!

— Nada disso, eu é que durmo no sofá — Zhoa Xue manteve-se firme.

— Não, irmã, hoje não tem jeito, não posso deixar você dormir no sofá — respondi, determinado e irredutível.

Zhoa Xue, vendo minha insistência, ficou sem palavras. Após pensar um pouco, acabou assentindo: — Tá bom, se você faz tanta questão, então durma no sofá. — Resmungando, ela foi até o quarto, pegou a roupa de cama e preparou o sofá para mim.

Dei uma risada e me joguei no sofá. Depois que Zhoa Xue arrumou a mesa, mandou que eu dormisse. Eu estava realmente cansado, e logo adormeci no sofá.

Acho que foi por causa das pancadas do homem dos óculos escuros na minha cabeça, porque assim que dormi, apaguei de novo. Tive um sonho estranho: sonhei que estava urinando, e demorava uma eternidade.

O barulho da água era tão real que parecia que eu realmente estava urinando. Já adulto, como poderia fazer xixi na cama? Se fosse criança, com um sonho desses, certamente teria molhado o lençol. Meio sonolento, acordei, apertado. Mas, mesmo assim, o som da água continuava quando abri os olhos.

Mas que sonho realista é esse? Já acordei e ainda escuto o barulho?

Sacudi a cabeça para ficar mais desperto. Nesse momento, reparei na luz fraca ao longe e congelei de repente! O banheiro estava aceso! E... lá dentro... havia uma silhueta sedutora!

Droga! O som da água vinha exatamente do banheiro! Zhoa... Zhoa Xue estava tomando banho!

Senti um frio na espinha; naquele momento, minha mente ficou completamente em branco! Fitei o banheiro, e uma onda de desejo inexplicável percorreu todo o meu corpo!

Na casa toda, só a luz do banheiro estava acesa. Eu conseguia ver claramente o contorno de Zhoa Xue. Aquele corpo sensual, o jeito como se ensaboava, tudo parecia cravado nos meus olhos como pregos!

O barulho constante da água me deixou hipnotizado. Levantei-me devagar, tomado por uma vontade quase irresistível de correr até o banheiro e ver Zhoa Xue. Mas, no fim, consegui me segurar. Primeiro, porque não tinha coragem. Depois, porque realmente gostava de Zhoa Xue. Não poderia fazer uma coisa dessas. Meu coração estava acelerado, mas não por outro motivo: olhei as horas, já eram cinco da manhã. Faltavam só duas horas para ir à escola. Sorri com desdém. Agora que eu tinha um trunfo contra Zhao Qian, queria ver se ela ainda ia me desafiar.

Respirei fundo, deitei no sofá e parei de olhar para o banheiro. Estava ficando maluco só de olhar. Era tentação demais.

Virei de um lado para o outro no sofá, sem conseguir dormir. Minha cabeça estava cheia das imagens de Zhoa Xue...

Eu estava inquieto, de tempos em tempos abrindo os olhos e espiando para o banheiro. Foi quando, de repente, o barulho da água parou. Vi Zhoa Xue se enxugando com uma toalha, e meus olhos quase saltaram das órbitas!

Nesse instante, Zhoa Xue colocou a toalha de lado, foi até a porta e abriu uma fresta. O banheiro tinha uma porta de vidro deslizante, e Zhoa Xue espiou por entre a abertura para me observar.

Eu sabia que ela tinha terminado o banho. Fingi que estava dormindo, de olhos fechados. De fato, ao ver que eu ‘dormia’ profundamente, ela não se preocupou, abriu a porta do banheiro e saiu tranquilamente!

Naquele momento, meus olhos se fecharam quase por completo, só uma fenda para espiar. E quase perdi o controle do corpo! Fiquei completamente paralisado!

Aquele corpo perfeito, nu, apareceu diante de mim como uma flor recém-banhada, a pele brilhando de tão fresca. Embora tenha sido só um instante, Zhoa Xue correu para o próprio quarto, mas a imagem dela ficou gravada em minha mente como se fosse um slide.

Foi a primeira vez que vi de verdade uma mulher.

Zhoa Xue estava a não mais que três metros de mim! Pude ver tudo, claramente!

Meu coração disparou, uma pressão incômoda tomou conta do meu baixo ventre, era uma sensação difícil de suportar.

Fiquei me remoendo no sofá por uma hora inteira, até as seis da manhã, quando finalmente levantei e fui ao banheiro lavar o rosto.

Zhoa Xue já estava pronta, e ao me ver lavando o rosto, soltou uma risadinha: — Irmãozinho, vamos comprar umas roupas novas para você depois.

— O quê? — Só então percebi, olhando para baixo, que minhas roupas estavam imundas, cheias de marcas de sapato. Tinha sido espancado ontem, nem tinha trocado de roupa, como ia para a escola assim?

— Não precisa comprar, irmã. Vai para a escola primeiro, eu passo em casa e troco de roupa — disse, e ela assentiu.

Depois de lavar o rosto, saímos juntos e paramos em uma lanchonete para tomar café da manhã. Depois, peguei um táxi para casa. No caminho, passamos pela escola e deixei Zhoa Xue na porta.

Chegando em casa, troquei de roupa às pressas. Para minha surpresa, meus pais ainda estavam lá, sentados na sala. Olhei o relógio: já eram sete horas.

— Mãe, por que vocês ainda não saíram? — enquanto abotoava a camisa, fui para a sala e perguntei.

— Vai logo para a escola — minha mãe suspirou e fez um gesto para que eu saísse. Mas, nesse momento, fiquei paralisado. Como não perceber o mau humor dela, falando num tom tão impaciente?

Só então percebi que não era só minha mãe, meu pai também estava no sofá, com um semblante preocupado.

— Pai, mãe, o que aconteceu com vocês? — Tirei os sapatos e me sentei entre eles, olhando de um para o outro.

— Vou te dizer, filho, assim não dá mais, hoje mesmo vou pedir o divórcio! — minha mãe explodiu ao ouvir minha pergunta, gritando comigo.

— Pois que se divorcie! — meu pai berrou também. Fiquei entre os dois, completamente perdido: — Mas o que aconteceu, mãe, por quê?

— Por quê, você ainda pergunta por quê? Pois eu vou te contar, filho, tira a sua dúvida! Existe pai igual ao seu?! — minha mãe gritou, enxugando as lágrimas de qualquer jeito. — Ontem à noite, já que você não veio para casa, eu e seu pai saímos para dar uma volta. No meio do caminho, encontramos um mendigo e, não sei o que deu nele, seu pai deu cem reais para o homem! — O rosto de minha mãe estava furioso. — O que a gente tem em casa, hein? E ele dá cem reais para mendigo? Nem roupa de cem reais eu compro! Se desse dez, vá lá!

— Aquele mendigo parecia muito com a minha tia. Você sabe que foi ela quem me criou quando eu era criança. Fiquei comovido, dei cem reais, qual o problema? — meu pai respondeu, exaltado.

— Mãe, calma... — Eu já não sabia o que dizer, esses dois...