Capítulo Vinte e Cinco Você ousa!

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2763 palavras 2026-02-07 12:34:08

— Desculpa... — repeti várias vezes para Yang Yun, mas ela, com o rosto carregado de sombras, nem sequer me respondeu, passando direto por mim. Olhei para suas costas, para aquele quadril balançando de um lado para o outro, e dei um sorriso frio por dentro. Segui direto para a sala de aula. Mais uma vez bati à porta, mas desta vez só entrei quando ouvi Zhao Qian, lá dentro, dizer para entrar.

Abri a porta e Zhao Qian ficou surpresa ao me ver. Antes, ela provavelmente me daria uma bronca daquelas — faltar três aulas sem justificar? Era pedir para ser expulso. Mas agora, Zhao Qian já não ousava mais falar comigo como antes. Assim que me viu, levantou-se da cadeira, veio até mim e, juntos, fomos para o corredor. Ela fechou a porta atrás de si.

— Por que você ainda está matando aula? — disse ela, mordendo o lábio inferior. — Ainda bem que o diretor não veio inspecionar...

— Tive uma coisa urgente para resolver — respondi friamente. — E por que Wang Qiang veio à aula?

— Também não sei, ele só apareceu na última aula da noite — disse Zhao Qian, de cabeça baixa. Espiei pela janela e vi Wang Qiang jogando no celular.

— Tudo bem, vou entrar — acenei com a mão e empurrei a porta, caminhando de volta para o meu lugar com toda a confiança, sob o olhar de todos. Quando me sentei, Zhao Xue olhou para mim:

— Onde você foi agora?

— Precisei ir em casa, tinha um assunto urgente — falei, acenando para Zhao Xue. — Wang Qiang falou alguma coisa quando chegou?

— Falou sim. Quando entrou, perguntou por você para o pessoal da sala — contou ela. — Acho que hoje, na saída, Wang Qiang vai tentar te pegar. Já chamei uns amigos, estão esperando no portão, não importa se ele trouxer gente, não vai dar em nada.

Assenti, sentindo uma pontada de gratidão.

— Irmã, você não tem medo de dormir sozinha todo dia?

— Haha, por que teria? Acha que todo mundo é medroso como você? — Zhao Xue riu, brincalhona. Eu apenas balancei a cabeça, sem responder.

Durante toda a aula fiquei pensando. Agora que tenho a técnica de disfarce, o que posso fazer com ela? Essa ideia me ocupou por várias aulas, até o sinal de saída. Assim que tocou, Wang Qiang, que estava na frente, saiu correndo. Vi aquilo e dei um sorriso irônico enquanto me levantava para ir para casa. Mas Hao Long e Zhao Xue se apressaram em me cercar.

— O que vocês dois estão fazendo? — sorri, olhando os dois de cada lado. — Dàlong, irmã, podem ir, eu dou conta sozinho.

— Dar conta de quê? — Zhao Xue gritou. — Já chamei amigos, estão no portão, e se Wang Qiang vier te incomodar?

— Não precisa, eu resolvo — mas antes que eu terminasse, Hao Long resmungou:

— Também chamei gente, não precisa bancar o bonzinho.

Fiquei sem saber o que dizer. Esses dois...

Na verdade, sei que Hao Long não tem boa impressão da Zhao Xue, desde aquela vez no bar com Yang Rui e Xie Nan. Ele acha que Zhao Xue vai me "desviar".

Não dava para continuar assim. Eu precisava de um tempo para conversar direito com Hao Long e esclarecer tudo. Suspirei e mandei os dois pararem:

— Chega, parem de brigar. Vão para casa.

Hao Long tinha chamado Yao Qin e mais uma galera, que já estavam no portão. Zhao Xue também chamou reforço — lembro que no bar ela se dava bem com Sun Zidong, então provavelmente foi ele que ela chamou. Sun Zidong é bem conhecido no nosso ano, a palavra dele tem peso.

Mas agora eu já não precisava disso. Se eu fosse ao banheiro e colocasse a máscara, quem ia me reconhecer? Mal terminei de pensar, Zhao Xue e Hao Long gritaram ao mesmo tempo:

— Não pode!

Suspirei, resignado. O jeito era deixá-los me acompanhar. Engoli em seco e seguimos juntos até o portão, em silêncio.

Nossa escola tem uns cinco ou seis mil alunos, então a saída é sempre lotada. Mas quando chegamos ao portão, todos franziram a testa. Normalmente, quando vai ter briga, sempre tem um grupo de gente reunida, mas hoje, apesar da multidão, ninguém parecia estar esperando por nada. Olhei ao redor e, de fato, nada de Wang Qiang.

— Como assim, Wang Qiang não está te esperando aqui? — Hao Long não acreditava. — Será que vai pegar você no caminho de casa? — Zhao Xue também se preocupou.

— Não sei. Melhor eu pegar um táxi direto pra casa — suspirei, acenando para um táxi.

— E se ele estiver te esperando no prédio? —

— É, vamos com você! —

Ao ver que eu ia entrar no carro, Zhao Xue e Hao Long me barraram.

— Chega, não sejam ridículos — disse, sério. — Se ele me pegar no prédio, no máximo levo uma surra. Depois a gente chama reforço e devolve.

Sem esperar resposta, entrei no táxi:

— Para o edifício dos servidores municipais, por favor.

O carro partiu, e só relaxei quando cheguei ao prédio. Dei uma olhada ao redor — nada de Wang Qiang. Quando cheguei em casa, franzi a testa. Estranho, Wang Qiang não deu as caras? Não é do feitio dele.

Tranquei a porta do quarto e fiquei pensando. De repente, um arrepio percorreu meu corpo. E se Wang Qiang tiver ido atrás de Hao Long? Senti o suor frio escorrer pela testa. Tinha certeza de que Wang Qiang não ia engolir essa: afinal, foi Hao Long quem bateu nele, talvez quisesse se vingar!

Hao Long era meu vizinho de infância, crescemos juntos, mas recentemente ele se mudou. Agora não fazíamos mais o mesmo caminho. Preocupado, peguei o celular e liguei para ele. Mal chamou, Hao Long atendeu:

— Louco, já chegou em casa?

— Cheguei. E você, Dàlong?

— Também, já estou em casa — respondeu, aliviado.

Suspirei, aliviado.

— Que bom, ainda bem que nada aconteceu.

Conversamos um pouco e desliguei. Agora eu não entendia nada — Wang Qiang não me esperou, nem pegou Hao Long. Isso não é típico dele.

Enquanto pensava, resolvi ligar para Zhao Xue. Ela devia estar preocupada, era bom avisar que estava tudo bem.

O telefone chamou várias vezes, mas ninguém atendeu. Pensei que ela não tinha ouvido, então liguei de novo. Dessa vez, atendeu logo no início.

— Irmã, cheguei em casa, não se preocupe — falei, rindo.

Jamais poderia imaginar que, naquele instante, uma voz soaria do outro lado — uma voz que eu jamais esqueceria.

— Hahaha! Jiang Feng? Vejo que você e sua irmã são bem próximos, hein? Hahaha!

Naquele momento, minha mente ficou em branco.

Não, não pode ser! Fiquei completamente paralisado, feito um boneco.

Aquela voz... não era Wang Qiang?

— Filho da mãe! Se você machucar a Zhao Xue, eu juro que vou te matar! — gritei, tomado de raiva.

— Hahaha! — quanto mais eu gritava, mais animado Wang Qiang ficava do outro lado da linha. E eu podia sentir, ainda que de longe, que do outro lado estava um caos.