Capítulo Vinte e Quatro – Mais um Encontro...

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2791 palavras 2026-02-07 12:34:07

Cada passo vinha acompanhado de explicações minuciosas e ilustrações, de modo que até um tolo seria capaz de compreender. Eu já estava impaciente, mal podia esperar. Assim que cheguei à cozinha, peguei uma bacia, fervi uma chaleira de água misturada com caldo e a despejei na tigela. Segui à risca tudo o que estava escrito no papel pardo, executando cada etapa cuidadosamente.

O tilintar de panelas e utensílios ecoava no meu quarto, a ponto de meus pais interromperem suas discussões para perguntar o que eu estava aprontando. Respondi que era um trabalho de artesanato da escola. Eles não deram muita importância. Como poderiam imaginar que eu estava ali, suando em bicas, completamente atrapalhado?

Conferi o papel pardo, acrescentei todos os ingredientes indicados e agora só restava aguardar meia hora. Pelo que entendi, meia hora devia ser uma hora inteira.

Sentei na cama, ansioso, e a espera parecia interminável. Conferia o relógio a todo instante, incapaz de conter a excitação. Quando o tempo finalmente se completou, gritei de empolgação e corri para a bacia. Sobre a água, formava-se uma película fina. Mergulhei a mão com cuidado — felizmente a água já estava morna — e retirei aquela camada delicada.

De acordo com o papel pardo, restava apenas um último passo: desenhar os traços do rosto sobre essa película. Liguei o computador, escolhi uma foto qualquer de um homem — não era bonito, mas tinha feições marcantes —, coloquei a película sobre a tela e, seguindo as instruções, comecei a traçar seus contornos.

Essa etapa levou mais de uma hora. Corrigia e redesenhava incansavelmente. Quando finalmente terminei, soltei um longo suspiro de alívio. Estava pronto. Com o coração acelerado, colei a máscara no rosto e fui até o espelho. O reflexo me deixou atônito.

Meu Deus! Naquele instante, quase saltei de susto. Isso... isso...

Fiquei completamente perplexo, encarando aquele desconhecido no espelho, incapaz de articular qualquer palavra.

Como isso era possível? Eu ainda era eu mesmo? Por um momento, tive vontade de rir, de gargalhar alto. A pessoa refletida no espelho era um completo estranho, alguém que eu jamais vira antes. Nem mesmo eu me reconhecia. Que sensação maravilhosa!

Lambi os lábios, saboreando aquele prazer inédito. Retirei a máscara lentamente, sorrindo satisfeito. Saí do quarto, animado: “Pai, mãe, não briguem, estou indo para a escola.” Minha mãe pediu que eu tivesse cuidado e, aproveitando, pedi mais dez reais a ela. Saí apressado do condomínio, peguei um táxi e fui direto para a escola.

Guardei a máscara no bolso. Durante todo o trajeto, mantive a mão sobre ela, ansioso. Não sabia se, ao usá-la, as pessoas perceberiam algo estranho. Afinal, o rosto havia mudado, mas o corpo era o mesmo.

Respirei fundo, precisava testar. Sentei no banco do táxi, rindo sozinho. Ao chegar à escola, corri para o campo esportivo. Já era noite, todos os alunos estavam na aula de estudo noturno e o pátio estava deserto. Escolhi um canto, tirei a máscara do bolso e a coloquei no rosto.

A única preocupação era que, apesar da mudança na aparência, minha voz continuava a mesma.

“Eu sou Jiang Feng.” Falei num tom forçado, tentando alterar a voz. Percebi uma leve diferença, mas talvez ainda fosse reconhecível.

“Eu sou Jiang Feng!” Repeti, prendendo a respiração para modificar o som. Dessa vez soou melhor, embora ainda fosse desconfortável. Mas talvez, falando assim, ninguém me reconhecesse.

Sorri em silêncio e segui em direção à minha sala, curioso para ver se alguém notaria algo. Caminhava ansioso pelo corredor até a porta da sala. Espiei pela janela: todos os colegas estavam em seus lugares, e Zhao Qian sentada à mesa do professor.

Normalmente, Zhao Qian não comparecia às aulas noturnas, mas às vezes aparecia. Para meu desgosto, Wang Qiang também estava lá, com a cabeça exageradamente enfaixada, parecendo uma múmia.

Balancei a cabeça, sem palavras. Halong só lhe deu uma cadeira, não precisava tanto drama. Toquei o rosto mascarado e, decidido, bati à porta.

Ao abrir, sem esperar resposta de Zhao Qian, entrei com ar despretensioso.

De imediato, todos os olhares se voltaram para mim e, num piscar de olhos, a sala explodiu em alvoroço.

“Meu Deus, quem é esse?”

“Entrou na sala errada?”

“Será um aluno novo? Mas nem cumprimentou a professora!”

O burburinho era geral. Percebi, de relance, que ninguém tirava os olhos de mim. Quase ri de euforia — ninguém me reconhecera! Segui direto até meu lugar, sentando ao lado de Zhao Xue.

Finalmente, Zhao Qian não se conteve e levantou-se de repente: “Colega, você está procurando alguém?”

“Desculpe, professora, entrei na sala errada, foi mal...” Fingi surpresa, falando com a voz disfarçada.

A sala irrompeu em gargalhadas.

“Que engraçado, ainda sentou como se fosse o lugar dele!”

“Que grau é esse, pra confundir a própria sala? Hahaha!”

Envergonhado, saí rapidamente. Ao chegar à porta, acenei para Zhao Qian: “Desculpe, professora...”

Deixei a sala quase fugindo, ouvindo ao longe as risadas que ainda ecoavam. Mas eu também ria, mais satisfeito ainda. Ninguém notou nada, mesmo tão perto! Estava radiante — minha técnica de disfarce era realmente eficaz, apesar de eu ser apenas um iniciante.

O único mistério era quem seria aquele Long Yuanzi. Antes, só via esse tipo de coisa em programas de TV, jamais imaginei que algo assim aconteceria comigo. Com um rosto desconhecido, podia aprontar à vontade sem ser descoberto.

Pensando nisso, segui para o banheiro. Precisava tirar a máscara ali, pois havia câmeras nos corredores. Aproveitei para fumar um cigarro, guardei a máscara cuidadosamente no bolso e saí do banheiro em direção à sala.

Talvez por estar distraído, não prestei atenção ao caminho. Assim que saí do banheiro, ainda absorto em meus pensamentos, dei de cara com alguém. Quase derrubei a pessoa!

Só então percebi o que acontecera e olhei para frente, surpreso. Era Yang Yun? De novo ela?

De manhã, no escritório, o celular dela fora confiscado por Zhao Qian, e ao sair, já havia esbarrado nela. Agora, mais uma vez...

“Eu...” Fiquei realmente sem graça. Da primeira vez, bastava pedir desculpa, mas duas vezes no mesmo dia era demais.

Quando Yang Yun levantou o rosto e viu que era eu novamente, sua expressão de beleza se misturou a uma resignação evidente. Seus lábios sensuais se moveram, como se fosse protestar, mas conteve-se.

“Me desculpe, foi sem querer...” Apressei-me em pedir desculpas, repreendendo-me por andar tão distraído.

Mas ao ouvir minha voz, Yang Yun se irritou: “Você não pode prestar atenção por onde anda? Está com problema de vista?”

Fiquei incomodado, mas não retruquei. Era verdade, eu havia esbarrado nela. Yang Yun raramente falava desse jeito, estava realmente irritada. Eu a conhecia, pois ela era bonita e todos sabiam quem era. Ela, porém, não me conhecia — eu não passava de um ninguém.

Havia muitos que a cortejavam, inclusive alguns valentões, mas nunca vira Yang Yun próxima de alguém. Se eu a irritasse, provavelmente apanharia naquela noite sem nem saber quem foi.

Fui tomado por um misto de nervosismo e resignação diante daquela situação...