Capítulo Cinco: Sabe por quê?

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2770 palavras 2026-02-07 12:33:55

Eu e Zhao Xue voltamos para nossos lugares, e ela logo se aproximou, baixando a cabeça para falar comigo:
— Jiang Feng, você está bem? Vi que sua mão está sangrando. Foi a professora Zhao quem te deu uma bronca, e aí você ficou bravo e socou a parede, não foi?

— Como você sabe? — levantei uma sobrancelha, respondendo a Zhao Xue. Assim que falei, ela deu uma risadinha marota:

— Eu não te conheço? Além de socar a parede, você ia bater em alguém? Com essa sua coragem de passarinho!

Dei um sorriso amargo, surpreso por Zhao Xue ter acertado em cheio. Mas ouvir uma garota tão bonita me chamar de covarde ainda me deixou um pouco desconfortável.

— Aliás, em qual bar você foi? Você não é o certinho da turma? O que foi fazer num lugar desses? — os grandes olhos de Zhao Xue não desgrudavam de mim.

— No Bar Magnólia — respondi, sorrindo. O bar que fui da outra vez se chamava Bar Magnólia, ficava perto da nossa escola e era bem conhecido, principalmente porque havia muitas dançarinas. À noite, quando começava a música, homens e mulheres se misturavam na pista de dança, e, claro, não faltavam mulheres que faziam companhia aos clientes, bebendo com eles e, se o cliente tivesse dinheiro, podia até subir para um quarto.

Mas assim que falei o nome do bar, Zhao Xue ficou surpresa, com uma expressão claramente atônita e um lampejo de nervosismo nos olhos:
— Bar Magnólia?

Embora sua expressão nervosa tenha durado só um instante, eu percebi e franzi as sobrancelhas:
— Sim, por quê?

— Nada... não é nada... só acho que aquele bar não é bom, melhor não ir lá — respondeu ela, tentando disfarçar.

Não dei muita importância. Nesse momento, Hao Long veio direto em minha direção, colocou a mão no meu ombro e disse:
— Doido. Vem comigo.

Assim que falou, saiu andando. Corri atrás e fomos até a porta do banheiro. Hao Long tirou um cigarro do bolso e me ofereceu:
— Quer?

Eu sabia fumar, mas geralmente não fumava — primeiro porque não tinha dinheiro, segundo porque não era viciado. Mas hoje eu estava realmente sufocado, então aceitei o cigarro de Hao Long, acendi e dei uma tragada profunda.

Fazia tanto tempo que não fumava que, ao tragar, minha cabeça até ficou meio zonza. Hao Long me olhou sorrindo de canto:
— Doido, fala a verdade, como você machucou a mão? Por que está sangrando?

— Foi socando a parede. Zhao Qian passou dos limites! — só de mencionar Zhao Qian, meus dentes rangiam de raiva.

— Me assustou! Achei que você tinha brigado com alguém — Hao Long, aliviado, bateu no peito e seu rosto relaxou um pouco. — Se não der mesmo, vamos tornar isso público. Procura algum jornal, conta pra eles que só porque você não cedeu o lugar, ela fez isso com você.

— Não adianta — suspirei. — A escola nunca deixaria isso acontecer. E não temos provas. Vão acabar abafando o caso, apaziguando tudo.

— Verdade... — Hao Long também estava preocupado. — E aí, Doido, vamos ter que aguentar isso pra sempre?

— Pra sempre? — um sorriso frio brotou nos meus lábios. — Zhao Qian que não me pressione demais. Já cheguei ao limite da minha paciência. Não aguento mais!

Enquanto falava, cerrei os punhos com força, sentindo a raiva subir pelo corpo.

— Não importa o que aconteça, lembra que estou do seu lado — Hao Long bateu no meu ombro.

Assenti:
— Ei, Longão, você tem algum dinheiro aí? — pensei um pouco antes de perguntar.

— Dinheiro? Tenho sim. Quanto você precisa? — Hao Long nem hesitou, enfiou a mão no bolso e tirou um maço de notas. Fiquei até surpreso, devia ter mais de mil.

— Caramba, por que você tem tanto dinheiro assim? — perguntei, chocado. Eu sabia que a família de Hao Long era razoável, mas um estudante ter tanto dinheiro na mão era inesperado.

— Eu ganhei tudo sozinho. No meu cartão ainda tem mais uns milhares. Se precisar, pode pegar — Hao Long colocou o maço de dinheiro na minha mão e apagou o cigarro no chão.

— O quê?! — fiquei completamente atônito, olhando para Hao Long. — Você... ganhou esse dinheiro sozinho?!

— Sim — um sorriso confiante surgiu no rosto dele. — Em três meses, ganhei mais de vinte mil. Doido, vou te contar a verdade: esse celular aqui, fui eu que comprei com meu próprio dinheiro.

Enquanto falava, Hao Long puxou o celular do bolso. Era um aparelho da Apple, recém-comprado.

Antes, Hao Long tinha dito que o pai dele tinha trazido o celular de outra cidade.

— Você... — fiquei pasmo. Um celular desses custa mais de cinco mil! Como assim?

Desde pequeno, Hao Long nunca escondeu nada de mim! Como ele conseguiu esse dinheiro sem que eu soubesse?

— Longão, não brinca comigo, é sério isso? — olhei para ele, meio sem acreditar.

— Por que eu mentiria pra você? Doido, é por seu bem. Eu não ia te contar, mas agora preciso te dizer. Se não der mais, podemos largar a escola. Vem trabalhar comigo, dá pra tirar fácil mais de dez mil por mês.

— Que trabalho é esse? — quanto mais ele falava, mais eu achava estranho. Hao Long era só um estudante! Não era nenhum gênio, não tinha nenhuma habilidade especial, e fora os fins de semana, não tínhamos tempo livre. Que trabalho era esse que dava tanto dinheiro?

Hao Long não respondeu. Só passou o braço pelo meu ombro e fomos saindo juntos. Já era hora de aula, o corredor estava vazio, só alguns professores saindo da sala dos professores.

Hao Long me levou até o campo de esportes, parando num canto afastado. Tirou o celular, mexeu um pouco e me entregou:
— Olha só.

Peguei o celular dele e, ao olhar, franzi a testa. Havia várias fotos tiradas claramente em bares: mulheres dançando, garçons servindo bebidas.

Fui passando as fotos, olhando para ele:
— Longão, por que você tirou essas fotos? Foi naquele dia que fomos juntos ao bar?

Hao Long riu alto e balançou a cabeça:
— Não, essas são do mês passado.

— Doido, vejo o que você passa na escola. Fico com raiva no lugar. — Hao Long pegou o celular de volta. — Zhao Qian te trata assim, às vezes tenho vontade de dar uns tapas nela!

— Mas ela é nossa professora. Na escola, temos que aguentar. Já faz tempo que você sofre. Se não aguentar, melhor parar de estudar — Hao Long suspirou fundo, mostrando estar realmente frustrado. — Te mostrei as fotos só pra te contar com o que trabalho e como ganho esse dinheiro.

— Você vende fotos tiradas escondido? — perguntei, sabendo que era uma pergunta idiota, mas não conseguia imaginar outro motivo.

— Pelo amor de Deus... — Hao Long quase perdeu a paciência. — Que ideia é essa? Doido, como você pode ser tão lerdo?! Quer saber? Vou falar logo: eu trabalho num bar.

— O quê? Em qual bar dá pra ganhar tanto assim? — fiquei boquiaberto.

Hao Long passou a mão na testa, resignado:
— Não sou garçom, doido. Eu... faço companhia para os clientes, bebo com eles...

— O quê?! — meu rosto ficou paralisado de espanto, completamente incrédulo.

Como... como isso era possível? Se Hao Long fazia isso, por que eu não sabia?

— Não se espante, doido, escondi de propósito. E lembra que sempre falei que Zhao Xue era atirada? Sabe por quê? — Hao Long olhou para mim, esperando minha reação.