Capítulo Oito: Ameaça

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2756 palavras 2026-02-07 12:33:56

Achei que tivesse ouvido errado e, parado à porta, ouvi por quase meio minuto. Embora o som fosse baixo, colei o ouvido na fresta e ouvi tudo com clareza! Meu coração batia acelerado; jamais imaginei que uma professora pudesse... Além disso, embora Zhao Qian fosse bonita, sempre me pareceu tão reservada. Eu sabia que ela era mais ousada na internet, mas não a esse ponto! Naquele instante, uma curiosidade intensa tomou conta de mim.

Até esqueci que estava ali para investigar o segredo em seu computador. Só queria saber, afinal, quem era que estava com Zhao Qian na sala dos professores! O marido dela morreu no ano passado, então, com certeza, não era ele! Céus, isso sim era um segredo! Se eu registrasse aquilo, sem dúvida poderia chantageá-la!

Meu corpo vibrava de excitação. Fiquei na ponta dos pés, movendo-me com o máximo cuidado para tentar espiar pela janela.

Meu nervosismo era extremo. Mas, quando minha cabeça estava prestes a alcançar a janela, jamais imaginei que, naquele momento, meu celular tocaria!

"Minha querida, como você está~~"

O toque estava no volume máximo — era minha música favorita. Mas, naquele instante, tive vontade de atirar o celular longe!

Droga! O susto foi tão grande que não tive tempo de pensar. Saí correndo imediatamente! Corri uns cinco ou seis metros e ainda ouvi, lá dentro, Zhao Qian gritar: "Quem está aí fora?!"

Maldição! Imagine o meu desespero! Fiquei completamente atordoado, a mente em branco, e corri até a sala, onde me joguei na cadeira, ofegante.

Acabou... Dessa vez, acabou de vez...

Esse era meu pensamento. Zhao Qian perceberia alguém na porta e com certeza checaria as câmeras. Se descobrisse que fui eu, minha vida estaria arruinada!

Meu coração parecia querer saltar pela boca, mas, no fundo, sentia também uma pontinha de frustração. Eu só queria saber quem estava com Zhao Qian naquela sala. Seria algum diretor da escola?

Maldição, quem conseguisse ficar com Zhao Qian teria realmente vencido na vida! Que corpo, que rosto... Só de pensar eu me agitava.

"Por que você saiu correndo? Tá doente?" Enquanto eu recuperava o fôlego, Hao Long se aproximou, perguntando. Parecia ter acabado de almoçar, ainda segurava uma marmita. "Chamei você pra comer e nada... Ainda tive que trazer comida pra você!"

Hao Long resmungou, irritado.

Pensei em contar, mas acabei não falando nada. Embora fosse meu amigo, menos gente soubesse, melhor. Abri o celular, ainda intrigado. Quem tinha me ligado naquela hora?

Assim que vi, fiquei furioso! Maldito Wang Qiang! Havia sido ele!

"Wang Qiang, por que você me ligou?!" Gritei, ainda tomado pela raiva, olhando para ele, que também acabara de voltar do almoço.

"Vi você na porta da sala dos professores, todo suspeito, sei lá se ia roubar alguma coisa! Liguei pra dar um susto. E, por favor, para de respirar alto — esse cheiro de alho tá insuportável. Sai daqui," zombou Wang Qiang.

Sinceramente, fiquei vermelho de vergonha na hora. Esse Wang Qiang só podia ter comido estrume! Como podia ser tão grosseiro?

Olhei para ele, furioso.

"Wang Qiang, qual o seu problema?" Berrei. Ele já tinha mandado o Huang Mao me encurralar na sala antes — se não fosse Zhao Xue, eu teria passado a maior vergonha. Agora, quando eu quase descobria o grande segredo de Zhao Qian, ele me atrapalha! Maldito!

Uma raiva me consumia, quase não conseguia me controlar.

"Problema nenhum. Não posso te ligar?" Wang Qiang sorriu, com aquele ar de arrogância. "Aliás, um aviso: toma cuidado. Você e Zhao Xue."

"Você..." Meu rosto se fechou de vez. A sala estava quase vazia. Zhao Xue também não estava presente.

Na verdade, pensei em deixar pra lá. Não podia enfrentar Wang Qiang; ele vinha de família rica. Mas Hao Long, ao meu lado, perdeu a paciência e berrou, apontando para ele: "Vai se ferrar! Tá achando que é quem? Bora resolver isso agora!"

"Dois idiotas," Wang Qiang resmungou, sentando-se. Hao Long estava furioso, mas eu o segurei pelo braço. "Calma, Dalong, senta."

Falei em voz baixa. Hao Long acenou, sentando-se, sem dizer mais nada. Mas eu não imaginava o que viria à tarde: Zhao Qian explodiu de raiva na sala!

Lembro-me bem: eu estava assistindo à aula quando Zhao Qian chamou meu nome. Levantei rápido, e ela logo me fez uma pergunta. Como errei ao responder, fui xingado quase meia aula inteira.

No começo, aguentei calado. Ela me chamou de burro, disse que eu gastava o dinheiro dos meus pais à toa, que era uma decepção. Depois, piorou: apontando para mim, gritou: "Só de olhar para você já vejo que seus pais também não prestam! Você não tem nenhum respeito pelos professores?"

Quando ouvi isso, tive vontade de matá-la! Senti-me humilhado como nunca. Desde pequeno, ninguém nunca tinha me tratado assim. E a sala cheia, mais de sessenta alunos assistindo. Sabia que Zhao Qian tinha visto as câmeras e me reconhecido na porta de sua sala.

Quer dizer que não respeitei os professores só porque não cedi o lugar para ela no ônibus?

Naquele dia, voltei para casa arrasado, sem dormir a noite toda. No dia seguinte, fui para a escola com olheiras profundas. Achei que tudo acabaria ali. Mas não esperava que, a partir daquele dia, Zhao Qian começaria a me perseguir ainda mais.

Hao Long insistiu várias vezes para eu largar tudo e trabalhar como acompanhante de bar. Mas eu não desistia. Até que, numa quinta-feira, após a aula, Zhao Qian me chamou à sala dos professores.

Ao chegar, ela se sentou no sofá e me olhou friamente: "Jiang Feng, como tem passado esses dias na escola?"

Balancei a cabeça, sem responder, olhando-a fixamente.

Ela deu um sorriso: "O que você estava fazendo na porta da minha sala, todo suspeito? Vi tudo pelas câmeras!"

"Professora, eu juro que não vi nem ouvi nada," respondi, nervoso. Não tinha dúvidas: ela conferiu as imagens. Se soubesse que a escutei fazendo aquilo, tentaria de tudo para me expulsar! Neguei, esperando que ela me deixasse em paz.

"Não ouviu?" Zhao Qian riu, irônica. "Está brincando comigo? Você ficou espiando um bom tempo. E ainda diz que não ouviu?"

"Eu ouvi," admiti, respirando fundo, encarando-a com firmeza. "Mas não vou contar a ninguém. Até agora, só eu sei disso."

"Ótimo," ela assentiu, finalmente sorrindo. "Mas, se você ousar contar, Jiang Feng, lembre-se: em três dias, te faço sair desta escola."

Assenti. Que mais podia fazer? Não podia negar: a presença de Zhao Qian era esmagadora. Suas palavras me deixaram atordoado.

"Pronto, pode ir. Não tenho mais nada a dizer," disse ela, sorrindo. Só então consegui respirar aliviado e sair. Lá fora, senti o peso sair dos ombros.

Ser ameaçado daquela forma era revoltante. Rangei os dentes. Mas o que me surpreendeu foi a forma como Zhao Qian falou comigo. Ela admitiu o que fez na sala! Ela, professora!

Naquele instante, uma ideia me ocorreu. Em vez de ser ameaçado por Zhao Qian, por que não ameaçá-la eu mesmo?