Capítulo Trinta e Sete: Gostaria de pedir-te conselhos
— Se não fosse por Jiang Feng, Zhao Qian e Zhao Xue, provavelmente teriam sido apalpadas por aquele homem de barba cerrada!
Enquanto escutava as conversas dispersas dos colegas, um sorriso discreto surgiu em meu rosto e troquei um olhar cúmplice com Hao Long. Para ser sincero, pensando agora, ainda sinto um certo temor. Bastava um pequeno erro meu ou de Hao Long, e tudo teria acabado mal.
A turma inteira ficou impressionada conosco, elogiando-nos sem parar, mas de repente alguém exclamou:
— Aquele Zhao Degang é mesmo um inútil!
Logo todos começaram a reclamar de Zhao Degang. Só de mencioná-lo, todos sentiam vontade de xingá-lo, inclusive eu!
No entanto, Zhao Xue puxou-me para o fundo do ônibus. Olhei para ela, sentindo um aperto no coração — ela tinha levado um grande susto.
— Irmãozinho... dessa vez foi graças a você... — murmurou Zhao Xue, os olhos vermelhos, quase chorando. Aconcheguei sua mão e disse baixo:
— Não se preocupe, estou aqui, não precisa temer nada.
Essas palavras só fizeram Zhao Xue se sentir ainda mais vulnerável; ela assentiu levemente. Não sei que impulso me moveu, mas, de súbito, envolvi Zhao Xue em meus braços, escondendo todo seu corpo contra o meu. Naquele instante, seu corpo delicado estremeceu fortemente em meu abraço!
— Você... — assustada, Zhao Xue me empurrou de volta, olhando para mim atônita. Fiquei terrivelmente constrangido, felizmente ninguém percebeu. Como estávamos sentados ao fundo, os outros continuavam conversando ao redor de Hao Long.
Soltei um longo suspiro, cocei a cabeça e permaneci em silêncio. Meia hora depois, finalmente a polícia chegou. Dois policiais subiram no ônibus, perguntando quem era o representante da classe.
Ninguém respondeu, pois Wang Qiang, o nosso “responsável”, não comparecera aquele dia. Os policiais acabaram perguntando a mim e a Hao Long sobre as características dos assaltantes; descrevemos tudo por quase meia hora. Ao saírem, tranquilizaram Zhao Qian, dizendo que logo prenderiam os criminosos.
Assim que a polícia se foi, Zhao Qian mergulhou em preocupação, e o clima dentro do ônibus tornou-se pesado e silencioso.
Após quase três minutos de silêncio, Zhao Qian levantou-se, postou-se ao lado do motorista e, olhando para todos, informou:
— Fomos ao hospital e, felizmente, o ferimento de Sun Ming não foi grave. A facada atingiu a perna, quase pegando a artéria principal. Por sorte, chegamos rápido ao hospital, caso contrário poderia ter sido fatal.
Zhao Qian falava pausadamente, porém todos ouviam com clareza.
— Não entrem em pânico, nem comentem sobre isso. Quanto menos pessoas souberem, melhor. Se provocarmos os criminosos, eles podem voltar a nos procurar — alertou Zhao Qian.
Sorri amargamente por dentro — era óbvio que aqueles três não voltariam. Zhao Qian só queria mesmo que o caso não se espalhasse, pois um assalto desses prejudicaria a reputação da escola.
— Lembrem-se: vamos fingir que nada aconteceu e tentem não contar aos pais. Se souberem, certamente virão reclamar na escola. Depois que pegarem os assaltantes, avisem os pais, assim todos ficam tranquilos.
Zhao Qian fez uma pausa e continuou:
— Quanto ao Sun Ming, não há com o que se preocupar. Ele está ferido, mas fora de perigo. Fiquem tranquilos, seus celulares e dinheiro serão recuperados. Agora, todos estamos sem dinheiro, inclusive eu; vamos transformar essa viagem em uma aventura econômica, não é?
Ao dizer isso, um sorriso surgiu em seu rosto:
— Afinal, mesmo sem dinheiro, podemos nos divertir. Não se preocupem.
Enquanto prosseguia, lançou-me um olhar de gratidão:
— O mais importante é agradecer ao Jiang Feng e ao Hao Long.
— Jiang Feng, obrigada — disse, sinceramente, olhando nos meus olhos. Pude ver sua gratidão genuína. Afinal, quando o sujeito tentou apalpar Zhao Qian, Zhao Degang não fez nada; fui eu quem interviu a tempo.
Com Zhao Qian dizendo isso, ninguém ousava discordar. Mas, sinceramente, viajar sem dinheiro ou celular, que graça tem?
Mesmo calados, todos estavam desanimados. Especialmente Zhao Degang, que não sofrera ferimentos graves; bastaram alguns curativos no hospital e logo voltou para o ônibus. Só de vê-lo, sentia repulsa.
Dessa vez, o ônibus acelerou bastante e, após quase uma hora, finalmente nos aproximamos do destino.
Olhando pela janela, percebi que estávamos nos arredores de Wanhai. Em volta, apenas campos cobertos de mato e, ao longe, uma pequena cadeia de montanhas. Não eram altas, mas cobertas de árvores e, vistas de longe, eram belas.
Diante do ônibus, havia uma mansão rural, muito simples, exceto pelo portão principal, que era imponente, feito de pedras brancas, com cerca de cinco metros de altura e três de largura. O portão de madeira escura era cercado por muros.
“Residência Água Esmeralda” estava inscrito claramente na placa. Os alunos se levantaram para espiar.
Porém, ao descermos e entrarmos, logo percebemos algo estranho. Que mansão era aquela? Na verdade, tratava-se de fileiras de casas térreas feitas de tijolos vermelhos. Ao todo, contei mais de quinhentas!
Embora pequenas, era fácil imaginar o tamanho do lugar. Fora as casas, não havia mais nada.
Pagar quinhentos reais para a escola e acabar num lugar assim? Francamente!
Assim que descemos, todos começaram a reclamar. Ninguém percebeu que, atrás da multidão, Zhao Xue se aproximou de mim, colando-se ao meu lado.
Sorri por dentro — Zhao Xue estava começando a depender de mim. Mas, nesse instante, algumas pessoas saíram da mansão. À frente, um homem de semblante austero, com certa imponência, aparentando uns quarenta anos. Parecia-se com Wang Qiang. Se não me enganasse, era o dono da mansão, pai de Wang Qiang: Wang Bishui.
— Irmão Wang! — exclamou Zhao Degang ao vê-lo, sorrindo largamente e estendendo a mão para cumprimentá-lo.
Imbecil do Zhao Degang! Xinguei mentalmente. Antes que Wang Bishui dissesse algo, o diretor da escola aproximou-se rapidamente de Zhao Qian, franzindo o cenho:
— O que aconteceu com sua turma? Por que demoraram tanto?
— Diretor, preciso explicar... — Zhao Degang interveio, puxando-o de lado e começando a cochichar.
Ignorei-os, enquanto Wang Bishui conduzia nossa turma até a mansão. Dois alunos por quarto; eu e Hao Long, naturalmente juntos. Zhao Qian, como professora, ficou sozinha em um quarto, que, por acaso, ficava apenas uns cinco metros do nosso.
Que sorte! Quando terminei de arrumar as coisas, não pude evitar rir. Meu quarto, tão próximo ao de Zhao Qian? Tinha que aproveitar para testar a acústica do lugar. Se fosse boa, à noite, daria um jeito de ir até o quarto dela!
Minha mente estava repleta de imagens de Zhao Qian. Como seria a professora, sempre tão altiva, na intimidade? Certamente, irresistível!
Enquanto fantasiava, um sorriso malicioso escapou ao meu rosto.
— Dà Lóng, Dà Lóng! — Fechei a porta e chamei Hao Long em tom conspiratório.
— O que foi? — respondeu, impaciente. — Estou indignado, todos os contatos das minhas clientes estavam no meu celular! Eram mulheres incríveis: ou bem ousadas, ou com dinheiro e influência! Aqueles três idiotas roubaram tudo!
— Deixa disso, já avisamos a polícia. Quando pegarem eles, devolvem seu celular. Agora, preciso de uma dica.
Sorri para Hao Long:
— Você tem experiência, me diga: como fazer com que uma mulher perca o juízo de prazer e implore por mais?