Capítulo Trinta e Oito – Algo Está Errado
— Caramba, sai daqui! — exclamou Longo Hao, revirando os olhos e me empurrando para o lado. — Quem é que tem experiência aqui?
— Ora, fala sério! Se tu não tens experiência, achas que eu tenho? Nunca nem tive namorada! — Resmunguei, puxando Longo Hao e o jogando na cama. — Para de enrolar e me conta logo.
— Eu realmente não sei o que fazer contigo. Até isso quer aprender comigo... — Longo Hao suspirou, resignado, mas acabou cedendo diante da minha insistência: — Quando for ficar com uma mulher, não tenha pressa. Primeiro beije-a, começa pela boca, depois...
— Todos os alunos do Ensino Médio Experimental, reúnam-se! — Uma voz estrondosa chegou do lado de fora, cortando as palavras de Longo Hao. Evidentemente, era o som vindo de um megafone, tão alto que fazia os ouvidos doerem. Aposto que todos os estudantes da estância ouviram claramente.
— Droga! — resmunguei, virando-me para Longo Hao. — Longo, depois, quando der tempo, tens que continuar me contando, hein? — Puxei-o e saímos juntos do quarto.
Longo Hao parecia sem palavras, mas foi arrastado por mim. Logo que saímos, encontramos Qian Zhao, que acabava de deixar o quarto. Fiquei animado na hora e me aproximei junto com Longo Hao.
Longo Hao, ao encarar Qian Zhao, ficou visivelmente constrangido. Afinal, ela era professora e, além disso, nossa orientadora. Mas eu já estava à vontade, corri até ela, rindo: — Professora Zhao, o que vamos fazer nesses dois dias?
— Ah... brincar... quem é que sabe? Mas acho que o almoço de hoje, provavelmente, vamos ter que caçar por conta própria. — Qian Zhao sorriu para mim, com um charme especial. Confesso que fiquei hipnotizado. Não podia negar, ela era mesmo linda. Mulheres maduras exalam um fascínio difícil de explicar.
Também percebi que ela olhava diferente para mim. Talvez porque eu a tenha ajudado no ônibus, seu olhar carregava gratidão.
— Sério? Aqui ainda tem caçada? — perguntei, curioso, enquanto caminhávamos.
— Claro que sim. Olha para lá, está vendo aquela cadeia de montanhas? — Ela apontou para longe, explicando: — No almoço, todos teremos que ir até aquelas montanhas. Não parece tão grande, mas lá há muitos animais: coelhos selvagens, aves, e até cobras e javalis.
— Poxa, que divertido! — exclamei, surpreso com a existência de vida selvagem, mesmo com tanta destruição ambiental.
Enquanto conversávamos, chegamos a uma espécie de praça, que, na verdade, era só um terreno amplo em um canto da estância. Já havia muitos estudantes reunidos ali.
O nosso terceiro ano tinha mais de mil alunos e muitos já estavam ali, organizados por turma.
Segui Qian Zhao até a fila da nossa turma. Em menos de cinco minutos, todos estavam presentes.
Na frente dos estudantes estavam o diretor e Wang Bishui. O diretor segurava um microfone e, olhando para os alunos, falou pausadamente:
— Nosso acampamento de verão é para nos divertirmos. Esqueçam estudos, esqueçam deveres! — Assim que terminou, todos comemoraram. Afinal, estávamos no último ano, era raro ter uma folga assim. Com o aval do diretor, não tinha como não aplaudir.
— Mas, por outro lado... — O diretor riu e fez sinal para que todos se acalmassem. — Não podemos relaxar demais. Este lugar é ermo, não é seguro. No caminho para cá, já enfrentamos um assalto...
Nesse momento, o diretor percebeu a gafe e se corrigiu, tossindo antes de mudar de assunto:
— Colegas, logo vamos para aquelas montanhas. Mas lembrem-se: dinheiro aqui não serve para nada, não há onde gastar. O almoço não será fornecido, cada turma ficará em uma montanha diferente. São mais de dez picos, cada classe em um. Se todos fossem para o mesmo lugar, logo não sobraria nenhum animal.
— Voltem até as seis da tarde. E cuidado na montanha. Há cobras venenosas e aranhas. Fiquem atentos. — O diretor advertiu.
A última frase deixou muitas meninas pálidas. Afinal, cobras e aranhas são o terror das garotas.
— Não precisam se assustar. Se não correrem à toa, não haverá problema. Orientadores, por favor, venham pegar os equipamentos de caça — disse o diretor, largando o microfone e chamando os professores.
Em menos de cinco minutos, todos voltaram. A cena foi motivo de gargalhada geral. Havíamos imaginado rifles ou arcos, mas o que trouxeram foram apenas algumas lanças, dessas de madeira com garfos de metal na ponta.
— Isso aí caça alguma coisa? Nem o couro do javali fura! — murmurou Longo Hao ao meu lado.
Quase não consegui segurar o riso. Com esses equipamentos, no máximo mastigaríamos casca de árvore.
Qian Zhao distribuiu os garfos entre os alunos e, em seguida, cada turma embarcou em seu ônibus. Mais de dez veículos, cada turma num ônibus.
Logo, mais de mil estudantes rumaram para as montanhas. A viagem durou mais de uma hora, com estradas tão esburacadas que meu traseiro doía de tanto sacolejar.
As montanhas eram todas interligadas. Na primeira, desceu a turma 1; na segunda, a turma 2; e assim por diante. Quando chegou a vez da nossa, todos já estavam exaustos.
— Desce logo, ou vou acabar desmaiando. — — Nem tomei café da manhã, não aguento mais esse balanço! — reclamavam todos ao descer. Diante da montanha, o desânimo era geral.
— Não vou conseguir subir, estou morrendo de fome... — resmungou Longo Hao ao meu lado. Como estava perto de Qian Zhao, ela ouviu e caiu na gargalhada:
— Não se preocupe, vamos caçando pelo caminho. Quando chegarmos ao topo, já teremos o que comer.
— Professora, me dá um garfo! — Longo Hao riu, pegando o equipamento, e todos começaram a subir.
Com tanta gente, o clima era de festa. As meninas colhiam flores e plantas, enquanto os rapazes brincavam entre si. Para nossa surpresa, havia mesmo muitos animais. Pela metade da subida, já tínhamos capturado dois coelhos. Por mais rápidos que fossem, não resistiam a tanta gente. Também encontramos uns três ou quatro ninhos de pássaros.
— Quero comer ovos de pássaro! — exclamou Longo Hao, feliz, balançando um coelho. Qian Zhao também ria:
— Temos isqueiro? Precisamos acender a fogueira para assar os coelhos.
— Tenho sim! — respondeu Longo Hao, tirando um isqueiro do bolso. Na hora, Qian Zhao fez cara de brava, fingindo-se zangada:
— Então é por isso que anda fumando, hein!
A turma caiu na risada. Qian Zhao era mesmo esperta.
Eu olhava para Longo Hao, sorrindo, mas de repente ele me puxou para o lado. Com a turma toda distraída rindo, ninguém percebeu quando nos afastamos para o fim da fila. Ele olhou ao redor e sussurrou no meu ouvido:
— Louco, estou sentindo algo estranho.
— Estranho o quê? — perguntei, sem dar muita atenção, continuando a caminhar. A trilha não era íngreme, mas cheia de pedras, arbustos e árvores. Quem sabe não surgia uma cobra do nada.
— Acho que estamos sendo seguidos.