Capítulo Cinquenta e Três Proteger Você

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2715 palavras 2026-02-07 12:35:57

— Certo, vou te dar uma chance. Segundo as regras do clã, você precisa se ajoelhar para mim. Só assim será meu irmão aprendiz. Venha, ajoelhe-se, e eu o reconhecerei como meu irmão! — gritou Wang Yuyan, soltando uma gargalhada logo em seguida.

— Vai se danar! Todos vocês, caiam fora! — naquele instante, berrei com toda força. A garrafa de bebida em minha mão voou descontrolada, estilhaçando-se contra um dos rapazes.

Eu já não controlava mais meu corpo; era a primeira vez em toda minha vida que me rebelava. Cada palavra de Wang Yuyan havia cravado-se em minha mente como uma lâmina. Ajoelhar-me? Eu, um homem feito, me ajoelhar para você?

— Fora daqui, todos vocês!

Com um estalo seco, a garrafa explodiu em minha mão, e ao som de um urro agudo, o sangue escorreu da cabeça do rapaz diante de mim.

Em questão de segundos, já havia levado dezenas de socos, mas dessa vez não gritei, nem reclamei de dor. Meus olhos fixaram-se friamente naquele jovem. No momento seguinte, cravei o que restava da garrafa em seu abdômen.

Houve um ruído surdo. O vidro pontiagudo rompeu a roupa, perfurou a pele e afundou.

— Aaaah! — O grito dilacerante ecoou pelo recinto. O rapaz, agora lívido, pressionava o ferimento no ventre e tombou ao chão, retorcendo-se em agonia.

Eu gargalhava, cada vez mais alto, cada vez mais enlouquecido. Já havia perdido completamente o juízo. Não me importava mais com nada. Sabia apenas que, cercado por centenas de estudantes, não podia me dar ao luxo de ser humilhado. Feri o rapaz, e daí? Vocês vêm ao meu quarto para me encurralar? Então vão encarar as consequências!

O silêncio caiu abruptamente sobre o aposento. Nem mesmo as respirações ousavam se manifestar.

Todos pararam, imóveis, olhando para mim como se vissem um monstro. Aqueles olhares, jamais os esqueceria. Havia medo neles, inclusive nos rostos de Yang Yun e Wang Yuyan. Especialmente nela, que empalidecera.

Continuei rindo. Não sabia ao certo por quê, apenas sentia o sangue fervendo nas veias. O cheiro do sangue no chão me excitava de uma forma estranha e sombria.

De repente, alguém rompeu o silêncio com um grito estridente, desencadeando o caos. O pânico tomou conta do lugar. Meninas gritavam, o ambiente mergulhou numa balbúrdia.

Porém, os dez rapazes ao meu redor pareciam paralisados, chocados com minha reação violenta. O jovem ferido já estava desacordado, respirando com dificuldade, mas ainda vivo.

— Você... Jiang Feng, você... — Wang Yuyan me fitava, furiosa. No momento seguinte, avançou, erguendo a mão para me esbofetear.

— Matem-no! — rugiu ela, tomada pela loucura, enquanto tentava me atingir.

Assim que suas palavras ecoaram, os rapazes se lançaram novamente sobre mim. Juro, se eu estivesse armado com uma faca, ninguém teria ousado me atacar. Vi o medo em seus olhos.

Agora, sem arma, eles ainda arriscaram. Num lampejo, agarrei o braço de Wang Yuyan, puxando-a com força para junto de mim. Logo fui derrubado a chutes, caindo pesadamente ao chão.

Mas, sob meu corpo, estava Wang Yuyan. Segurei seu peito com uma das mãos, sentindo a maciez sob meus dedos, minha mente mergulhando num torpor momentâneo.

Chutes e socos me atingiam, mas trinquei os dentes e não emiti um som.

— Jiang Feng, vou te matar! — berrava Wang Yuyan, debatendo-se em vão sob meu peso esmagador.

— Solta-me! — Sua voz já estava rouca, mas eu continuava apertando seu peito, cada vez com mais força.

Naquele momento, meu corpo inteiro estava anestesiado, incapaz de sentir dor. Sabia apenas que queria humilhá-la, fazê-la passar vergonha diante de toda a escola.

— Ficou louco... Jiang Feng perdeu o juízo. Como vai encarar a escola depois disso?

— Caramba, não viu que ele está apalpando a irmã Yuyan? Se fosse eu, só de tocar já me daria por satisfeito! — Ouvi sussurros ao redor, e sorria. Quanto mais Wang Yuyan gritava, mais excitado eu ficava.

Então, um grito furioso irrompeu do corredor:

— Parem todos já! — Aquela voz me era familiar. Imediatamente, todos interromperam seus movimentos, mas eu não larguei Wang Yuyan, mantendo minha mão onde estava.

A multidão abriu caminho. Dois se aproximaram: um homem e uma mulher. Eram Hao Long e Zhao Qian. O grito partira dela.

Soltei um longo suspiro, sentindo a tensão em meus nervos finalmente aliviar. Ainda bem que pedi para Hao Long chamar Zhao Qian. Caso contrário, talvez acabasse internado por meses.

Porém, ao lado de Zhao Qian, Hao Long estava tomado pela fúria ao ver a cena diante de si.

— Malditos! Vou acabar com vocês! — rugiu ele, e num salto, apanhou um caco de garrafa do chão e partiu para cima de um dos rapazes.

Naquele instante, meus olhos se encheram de lágrimas. O que é ser irmão? É isso: pode te xingar e provocar, mas se você estiver em perigo, ele enfrenta até a morte por você.

Tremia descontroladamente, as lágrimas desciam ininterruptas. Nunca imaginei que Hao Long, em minha defesa, fosse tão longe. Eu podia alegar legítima defesa, mas ele não.

Meu grito rouco não conseguiu detê-lo. Hao Long já estava insano ao me ver ensanguentado e caído.

Tudo parecia perdido. Observei, petrificado, enquanto o caco de vidro se aproximava do rapaz, a um segundo de ser cravado.

Mas, de repente, uma silhueta veloz surgiu da multidão, movendo-se tão rápido que parecia impossível. Em um piscar de olhos, a pessoa alcançou Hao Long, golpeou seu pulso com precisão e o fez largar o vidro. Logo em seguida, imobilizou-o com destreza.

Todos ficaram boquiabertos, inclusive eu. Que velocidade era aquela? Parecia sobre-humana.

Só então percebi quem era: o diretor de nossa escola.

Um dotado de habilidades especiais! Essa foi a conclusão imediata que me veio à mente. Não haveria outra explicação para tamanha agilidade.