Capítulo Quarenta e Quatro: Um Novo Encontro com Su Yan
— Dálion! — gritei naquele instante, correndo para a frente e ajoelhando-me ao lado de Hailong, apoiando sua cabeça em meu colo. Sacudi seu corpo incessantemente, mas ele não dava o menor sinal de recobrar a consciência.
Olhei também para Zhao Xue e Mi Yue; estavam iguais, ainda mergulhadas no torpor. Inspirei fundo, franzindo o cenho. Malditos idiotas, realmente pegaram pesado! Estimei que os três, Hailong e as meninas, não despertariam antes de duas horas, no mínimo.
Soltei um longo suspiro e desabei sentado dentro da gruta. Eu mesmo estava atordoado com a situação. Nossos colegas de classe, imagino que já tenham descido a montanha com Zhao Qian.
Mas e eu? Como poderia, sozinho, levar os três até lá embaixo? Se eu levasse Hailong primeiro e uma cobra venenosa aparecesse e mordesse Zhao Xue? Já havia visto serpentes no caminho de vinda.
Respirei fundo, sentado no chão, tentando bolar alguma solução, mas minha mente era um turbilhão de pensamentos. Peguei lentamente a caixinha que Wang Qiang havia me dado.
Segundo ele, ali dentro havia uma pílula de força divina — tomar aquilo me daria um aumento de força descomunal. Para ser sincero, não acreditei muito. Mas, pensando melhor, não seria impossível.
O efeito descrito por Wang Qiang era semelhante ao de um estimulante. Todos sabem que, nas Olimpíadas, o uso de estimulantes é proibido justamente porque potencializam ao extremo as capacidades do corpo, tornando a pessoa insensível à dor.
Mas será que essa pílula seria mesmo tão poderosa? Se eu a tomasse e realmente ganhasse força, não poderia carregar os três de uma vez só montanha abaixo?
Com esse pensamento, abri a caixinha. Dentro, repousava uma pílula negra. No exato momento em que abri, senti um aroma suave exalar.
E se isso fosse veneno? O pensamento me atravessou de repente e um suor frio escorreu pelo meu corpo. Não era impossível! Wang Qiang, aquele idiota traiçoeiro, poderia muito bem ter me enganado. Se essa pílula fosse mesmo venenosa, seria repugnante.
Mas, naquela hora, Wang Qiang estava apavorado com minhas ameaças. Teria coragem de me enganar? Em meio à dúvida, devolvi a pílula à caixinha. Melhor não arriscar agora...
Suspirei, resignado, e guardei a pílula no bolso. Voltei ao lado de Hailong, sentindo-me impotente: sem celular, sem possibilidade de pedir ajuda.
De repente, uma ideia surgiu. Ora, lobos, insetos, tigres e leopardos — todos temem o fogo, não é? Se eu fizesse uma fogueira na entrada da gruta, as cobras não se atreveriam a entrar!
Ri alto, considerando-me genial. Saí apressado da caverna. Mas ali, não era o topo da montanha; havia muitas árvores, e um vento leve poderia causar um incêndio!
Pensei um momento, mas não havia escolha. Recolhi alguns galhos e acendi-os com o isqueiro.
Vendo a fogueira arder, sorri satisfeito: agora, nenhuma cobra venenosa ousaria entrar. E mesmo que houvesse incêndio, o fogo não avançaria até o interior da gruta. Hailong e as meninas estariam seguros.
Pensei ainda em colocar a máscara que tinha no bolso. Se o fogo realmente se alastrasse, pelo menos ninguém me reconheceria. Coloquei a máscara e corri para longe. Minha intenção era descer rapidamente até a vila, buscar ajuda e trazer alguém para carregar Hailong e as garotas de volta.
Apressei o passo, mas, de repente, vi uma silhueta surgindo não muito longe à minha frente. Logo depois, uma voz feminina irrompeu, furiosa:
— Pare aí!
Fiquei paralisado. O grito vinha de uma mulher — e, à medida que ela se aproximava, meu coração acelerou.
Ela tinha cerca de um metro e sessenta e quatro, usava shorts bem curtos e, por baixo, uma meia-calça cor de pele, que realçava o branco de suas pernas. O corpo era exuberante ao extremo; olhos grandes, lábios finos e vermelhos, uma deusa em forma humana. Era ninguém menos que Su Yan, uma das duas professoras mais belas da nossa escola!
Lembrei-me claramente: quando saímos da escola, logo cedo, Su Yan e Zhao Qian vieram juntas, atraindo todos os olhares dos estudantes.
Agora, Su Yan caminhava apressada em minha direção, e seu corpo balançava de modo hipnotizante. Era impossível não notar o quanto era sensual, ainda mais vestida assim, emanando um charme maduro e envolvente.
No entanto... Por que Su Yan, que era diretora de outra turma, estava aqui? Fiquei nervoso. Não a conhecia pessoalmente, pois ela não dava aulas para mim, mas todos no colégio experimental conheciam sua reputação: nenhum aluno que passou por Su Yan deixava de temê-la.
Linda, sim, mas de temperamento explosivo! Muitos estudantes, porém, admitiam que, mesmo sendo repreendidos por ela, aceitavam de bom grado — afinal, ela era irresistível. Ser repreendido por ela era até prazeroso.
Mas, no fundo, por que eu deveria temê-la? Eu não tinha feito nada de errado! E, com a máscara, Su Yan não teria como me reconhecer.
Com esse pensamento, sorri levemente e avancei alguns passos, sentindo-me mais ousado.
— Quem é você? — Su Yan parou bem ao meu lado, fitando-me com olhos flamejantes.
Fiquei perplexo. Parecia que queria me bater! O que foi que fiz? Olhei para ela sem saber o que dizer; sua expressão era pura raiva.
— Isso não é da sua conta! — retruquei, meio irritado, abafando a voz para não ser reconhecido. Se estivesse sem máscara, não teria coragem de falar assim com Su Yan; não era tolo, afinal, ela era professora!
Para minha surpresa, Su Yan imediatamente gritou, apontando para trás de mim:
— Quem te autorizou a fazer fogo aqui? Sabe que pode pôr a montanha toda em risco?
— E o que você tem a ver com isso? — respondi friamente, palavra por palavra. Aquela atitude me deixava constrangido; por sorte, não havia mais ninguém ali, senão eu perderia totalmente a compostura.
— Como assim o que eu tenho a ver? Você acha certo colocar fogo aqui? — Su Yan não se intimidou, encarando-me com firmeza.
— Como sabe que fui eu? Que eu saiba, há um grupo de estudantes do colégio experimental nesta montanha, não? E se foram eles? Está me acusando injustamente.
Deixei escapar um sorriso sarcástico. Era a primeira vez que eu falava com Su Yan. Apesar de ouvir falar muito dela na escola, nunca havíamos trocado uma palavra. Não podia negar: aquela mulher era realmente fascinante.
— Estudantes do colégio experimental? — Su Yan riu. — Pois fique sabendo: sou professora do colégio experimental. Viemos para cá num acampamento de verão, mas há pouco nosso diretor recebeu da Secretaria de Educação uma ordem para retirar todos os alunos, pois a montanha está perigosa. Vim procurar os estudantes e já rodei a montanha toda — não há mais ninguém aqui, todos já desceram. E ainda ousa dizer que não foi você quem acendeu o fogo?
Ao ouvir isso, fiquei em silêncio. Então, Su Yan estava ali para avisar Zhao Qian e os outros que deveriam descer. Como todos do nosso grupo, inclusive Zhao Qian, estavam sem celular por causa do roubo, a escola só poderia mandar alguém pessoalmente para avisar.
Mas eu já havia dito a Zhao Qian para descer imediatamente com os colegas. Era óbvio que Su Yan não encontraria mais ninguém.