Capítulo Vinte e Um — Como Isso É Possível!

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2762 palavras 2026-02-07 12:34:06

Aquela mulher exalava um ar digno e imponente, e era evidente que se tratava do tipo de mulher forte e decidida.

— Juro pra você, maluco, não é exagero meu. Você não faz ideia de como ela é, só posso dizer: ela é um espetáculo, um verdadeiro espetáculo. Com esse seu porte físico, ela te esgotaria por completo — disse Hélio, soltando uma gargalhada e acenando pra mim. — Para de perguntar essas coisas. E aí, maluco, e quanto ao trabalho dela? Ela é eficiente mesmo?

— Eficiente! — confirmei, assentindo com a cabeça. Caramba, trocamos poucas palavras e ela resolveu tudo. Que sensação boa!

— Haha, vamos brindar! — Hélio ergueu a xícara e, feito dois tolos, batemos as xícaras de café como se fossem taças de vinho, bebemos até a última gota e só então saímos.

Deixando o café para trás, voltamos para a escola. Como esperado, Wang Qiang não apareceu à tarde. Durante a aula, Zhao Xue falou baixinho pra mim: depois do acampamento de verão, era melhor eu tomar cuidado. E recomendou que eu ficasse atento todo dia ao sair da escola.

Ao ouvir isso, fingi não entender: — Tem problema sair da escola? O Wang Qiang vai mesmo me pegar na saída?

— Acha que não? — ela repetiu, retirando o tom de dúvida. — Pode tirar o “vai?” da frase. Ele com certeza vai te pegar!

— Sério? E o que eu faço então? Mesmo que eu tome cuidado, se ele trouxer gente, não consigo escapar. Mana...

Fiz um ar de coitado de propósito, olhando para Zhao Xue enquanto sorria por dentro.

— E agora, o que eu faço... — Zhao Xue também parecia preocupada. — Não importa, a partir de hoje eu vou te acompanhar até em casa.

— O quê? — arqueei as sobrancelhas, mal conseguindo disfarçar a alegria. Mas ainda assim balancei a cabeça: — Melhor não, você é uma garota, se ele realmente aparecer, eu sozinho talvez consiga fugir. Se você estiver comigo, ainda vou ter que cuidar de você.

— Não tem problema. Se ele vier com gente, você aguenta uns tapas enquanto eu ligo pra chamar reforço. Pronto, está decidido! — afirmou Zhao Xue, com uma convicção inabalável.

— Não, mana...

— Nada de “mana”, senão não fico tranquila — cortou ela, acenando para mim.

Dei um sorriso resignado. Por que Zhao Xue era tão teimosa? Deixei pra lá, que fosse como ela quisesse. Afinal, Yao Qin já tinha arranjado alguém pra resolver o problema, não precisava temer Wang Qiang. E com Zhao Xue ao meu lado, pelo menos teria uma bela companhia no caminho — não seria chato andar sozinho.

Ri baixinho, deitei a cabeça sobre a carteira e parei de falar. No intervalo da segunda aula da tarde, Hélio me ligou. Era um número desconhecido. Atendi e a pessoa do outro lado disse que tinha sido indicada por Yao Qin e queria saber onde encontrar Hélio.

Hélio marcou por volta das nove da noite, na porta da escola.

Como estávamos no último ano, tínhamos aulas à noite e só saíamos às nove. Por isso ele combinou esse horário.

Esse telefonema me deixou mais tranquilo, mas mal desliguei, outro problema apareceu. Nem bem guardei o celular, recebi uma ligação da minha mãe. Achei que ela ia perguntar o que queria jantar.

Mas, ao atender, ouvi a voz aflita dela: — Filho, aquela pedinte, a velha que enganou seu pai e levou mais de seis mil, está aqui embaixo do prédio! Seu pai foi atrás dela de novo!

— O quê?! — Assim que ouvi, levantei num pulo! Era intervalo, ninguém me notou, mas fiquei furioso!

Porra, uma pedinte! Não tenho desprezo, mas já demos seis mil e ainda compramos aquela porcaria. Não foi o bastante?

Peguei do bolso o talismã. Aquilo vale seis mil? Nem por seis reais eu queria!

Já tinham se aproveitado e nem chamamos a polícia. E ela ainda voltou? Fechei o punho com força. Dane-se, faltaria aquela aula, mas precisava ir pra casa! Tinha que impedir meu pai, ou seria enganado outra vez!

Não tinha problema em matar aula — Zhao Qian nem teria coragem de reclamar. Com esse pensamento, saí correndo da escola, peguei um táxi e fui direto pra casa. Antes mesmo do carro entrar no condomínio, vi meus pais. Minha mãe segurava meu pai com força, mas ele parecia impaciente. À frente deles, uma mulher idosa.

Olhei pela janela do táxi. A velha devia ter mais de sessenta anos, cabelos brancos, segurando uma caixa de bambu, roupas cheias de remendos. Olhava para os meus pais.

Droga! Fiquei ainda mais irritado. Normalmente, vendo uma idosa assim, eu sentiria pena, talvez desse um trocado — afinal, viver de esmolas na velhice é triste. Mas enganar os outros é desprezível!

— Motorista, pode parar — pedi, engolindo a raiva. Paguei, abri a porta e saltei do carro.

— Pai, vamos embora! — gritei, puxando meu pai. Só então meus pais me viram. Minha mãe, sentindo-se injustiçada, desabou:

— Filho, tira o seu pai daqui, ele enlouqueceu!

— Sai! O dinheiro da casa é meu, não posso gastar como quiser? — meu pai também se exaltou, tentando me afastar, mas segurei firme.

— Pai, já chega! Não fomos enganados o bastante?

Olhei para a mendiga com revolta, sentindo o sangue ferver. — Você está se aproveitando da nossa família? Todo esse dinheiro não basta? Não ganhamos dinheiro no vento. Aqueles seis mil, pode ficar! Mas vá embora!

Mesmo irritado, minha índole não me permitiu xingá-la. Por pior que fosse a velha, era digna de compaixão. Suspirei fundo e tentei levar meu pai embora.

— Então este é o rapaz que pegou o talismã, não é? Muito bem... Mesmo agora, ainda é educado — a idosa me olhou e assentiu. Meu pai também juntou as mãos, respeitoso:

— Mestra, este é meu filho. Por favor, oriente-o.

Mestra?! Meu Deus, não acreditei. Meu pai estava completamente dominado. Só de ouvir “talismã”, fiquei ainda mais furioso. Tirei o papel do bolso e joguei diante da velha.

— Ai... menino — mas a mendiga não desistiu e suspirou, resignada: — Não sabe valorizar a sorte que tem...

— Filho, vou te dar mais uma chance. Se não quiser o talismã, devolvo os seis mil pra sua família — disse ela.

Essas palavras me deixaram radiante: — Não quero, devolva o dinheiro! — gritei. Não era louco de pagar seis mil por aquilo! Se ela devolvesse o dinheiro, melhor impossível!

— De jeito nenhum! — Mas mal terminei de falar, meu pai me puxou de volta: — Só por cima do meu cadáver! Você vai ficar com esse talismã!

Fiquei sem palavras. Minha mãe também. Um longo silêncio caiu. Minha mãe balançou a cabeça e se afastou. Eu, indignado, peguei o talismã do chão. No fim das contas, era meu pai, o que podia fazer?

— Espere, filho — de repente, a mendiga estendeu a mão e agarrou meu braço! Nem consegui reagir, tentei soltar mas, naquele instante, fiquei paralisado!

Não consegui me soltar! Tentei forçar, mexendo o braço, mas ela segurava firme, como se fosse de ferro!

Impossível! Olhei, estupefato, para a velha, sem conseguir dizer uma palavra sequer!

Ela mantinha os olhos fechados, prendendo meu braço com força, imóvel, como se meditasse.

Olhei para aquelas mãos secas, mas só eu sabia: eram como pinças de aço, prendendo-me sem piedade.

— Mestra, meu filho é jovem, não lhe faça mal! — meu pai ficou desesperado, suando em bicas.

Mas a velha parecia não ouvir. Calou-se por cinco ou seis minutos, só então soltou meu braço e disse uma frase. E essa frase gelou meu corpo inteiro, fazendo meus pelos se arrepiarem de medo!