Capítulo Oitenta - Não é nada, vou desligar

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2754 palavras 2026-02-07 12:36:13

Eu pensava que essa mulher, por ousar confrontar forças tão poderosas, devia ser uma pessoa bastante íntegra. Mas jamais imaginei que, depois de eu tê-la salvado e ainda ter ajudado a capturar o Barba Cerrada, fazendo com que ela ganhasse um grande mérito, ela simplesmente não iria me ajudar! Por que ela estaria me ligando agora? Esse pensamento me incomodava, mas, por mais que hesitasse, acabei não retornando a ligação. Decidi que, dali em diante, lidaria com ela de modo frio e distante. Afinal, se não conseguir tirar vantagem alguma e ainda tiver que me humilhar, por que insistir?

Por isso, não retornei o telefonema. Estava pensando nisso quando o telefone voltou a tocar! Era mais uma vez Bianca Zhou! Franzi a testa; era já a terceira ligação dela naquele dia. Como imaginei, por não ter retornado, ela insistiu. Respirei fundo e atendi lentamente.

— Jiang Feng... você... está aí?... — Ouvi a voz de Bianca Zhou do outro lado. Diferente do tom altivo e frio que usava com os outros — e até comigo, antes de eu começar a tratá-la friamente —, agora parecia muito mais cordial, o que me deixava entre o divertido e o irritado. As pessoas realmente são contraditórias.

— Estou — respondi com um sorriso sarcástico, como se não fizesse questão de conversar. Bianca não era tola e percebeu meu desdém, ficando em silêncio por longos segundos antes de falar de novo:

— Você... você consegue juntar tanto dinheiro assim? Ouvi o nosso chefe dizendo que você vai precisar de um milhão e quinhentos e cinquenta mil, e tem que arranjar tudo em uma semana.

— Não é da sua conta — retruquei, ainda com sarcasmo. — Se não tem mais nada, vou desligar.

Não escondi minha irritação com Bianca Zhou. Não era por outro motivo; só de pensar nessa situação já me deixava furioso! Eu não precisava gastar tanto dinheiro. Tendo salvo Bianca, ela, como vice-chefe de polícia, não tinha poder para me ajudar? E no fim das contas, ela se recusou. Como quer que eu me sinta? Arrisquei minha vida naquele beco escuro para salvá-la, e ela me retribui assim? Por que eu a trataria bem?!

Cerrei os punhos, sentindo-me profundamente contrariado. Pelo menos, não salvei Bianca Zhou em vão; no hotel, tirei suas roupas e fiz várias fotos dela, o que, de certo modo, compensou. Afinal, aquelas fotos eram de uma sensualidade e variedade impressionantes. Não tenho dúvidas de que, se quisesse vendê-las, renderiam uma boa soma. Contudo, não tenho motivos para odiá-la tanto assim, seria cruel demais expor tais imagens. Basta que eu as aprecie em segredo; são, de fato, muito provocantes!

E comparando aquelas fotos com a sua postura habitual de rainha, o contraste é de tirar o fôlego. Com esse material, já tenho diversão para várias noites!

Estava pensando nisso quando, prestes a desligar, Bianca Zhou se apressou:

— Espere... não desliga! Não desliga!

— Se tem algo, fala logo! — respondi, impaciente. Bianca percebeu meu tom, mas não se irritou. Fez uma breve pausa e continuou:

— Você... poderia me ajudar com uma coisa? Pode investigar... pode descobrir o endereço da casa do Wang Qiang...?

O quê?! Não acredito! Quase desmaiei de raiva. Quer que eu investigue? Está de brincadeira comigo?

Fiquei perplexo com a ousadia dela. Já a ajudei e ela não retribui, ainda espera que eu faça mais? Relações são via de mão dupla. Veja meu amigo Hao Long: somos pobres, mas nunca faltou dinheiro entre nós. Agora, com tanto que lhe devo, ele alguma vez me cobrou? Se fosse o contrário, eu também não cobraria. Amizades se sustentam na reciprocidade; ninguém nasce devotado ao outro à toa. Se ela não faz por merecer, por que eu faria? Não estou interessado nela, afinal!

A irritação me consumia. — Não posso.

— Me ajuda... por favor... — Bianca pediu, mas sem nenhum tom de súplica. Sei que ela é acostumada a ser firme; pedir algo humildemente não faz parte de sua natureza. Até o chefe da polícia se curva diante dela, então não é de se espantar que seu pedido não tivesse humildade alguma.

Ainda assim, suspirei profundamente e, sem saber o motivo, cedi um pouco:

— Você quer que eu descubra onde ele mora? Vocês, policiais, não conseguem fazer isso?

— Não é que não conseguimos... é complicado. A família de Wang Qiang tem, segundo nossos registros, cinquenta e seis apartamentos. Todos esses imóveis estão sob vigilância, mas Wang Qiang nunca volta para nenhum deles à noite depois da escola — explicou Bianca. — Já tentamos segui-lo, mas sempre tem alguém de carro para buscá-lo depois das aulas, e não conseguimos acompanhar sem sermos descobertos.

— Por isso... suspeitamos que Wang Qiang e seu pai dormem todas as noites em um esconderijo subterrâneo. Acho que a família Wang mantém um esconderijo assim, onde tocam negócios ilícitos. Se você puder descobrir onde é, poderemos acabar com tudo. Basta saber onde Wang Qiang passa as noites que localizaremos o esconderijo e poderemos processar toda a família — continuou Bianca.

O quê?! Fiquei chocado! Mais de cinquenta propriedades? Que absurdo! O pai de Wang Qiang, Wang Bishui, tem mais de cinquenta imóveis? Com o preço dos imóveis hoje em dia, isso é surreal!

Respirei fundo e, naquele instante, senti claramente a distância entre mim e Wang Qiang. Um arrepio me percorreu.

— Tudo bem, mas não crie grandes expectativas. Não sei se vou conseguir te ajudar. — Falei educadamente, mas por dentro ri com escárnio. Se nem os policiais deram conta, acham que eu sou algum tipo de deus?

Enquanto pensava nisso, do outro lado Bianca Zhou agradeceu. Sorri e desliguei.

Não dei muita importância ao pedido; não pretendia mesmo ajudá-la. Lavei o rosto rapidamente e me deitei, exausto do dia.

Mas para minha infelicidade, justo quando estava quase pegando no sono, Hao Long, aquele idiota, me ligou!

Caramba! Quase enlouqueci. Atendi já resmungando:

— Que porcaria você quer agora?!

— Seu idiota! Por que você não foi à escola? A Zhao Qian disse que você está doente? — Hao Long gritou do outro lado.

— Doente, nada! Ontem mesmo te pedi vinte mil emprestado, como estaria doente?! — retruquei com má vontade. Hao Long não gostou e quis saber o que houve.

Não escondi nada dele e contei que me machuquei para salvar Zhao Qian. Só não revelei que gravei aquela cena entre Zhao Qian e Zhao Degang, e que o Barba Cerrada roubou meu celular.

Essas coisas não poderiam ser ditas. Hao Long não perguntou mais nada, só quis saber se eu estava bem. Respondi que sim, e ele ficou aliviado.

Conversamos uns dez minutos, até que o cansaço me venceu e fui direto ao ponto:

— Tem mais alguma coisa? Se não, vou desligar.

Para minha surpresa, mal terminei a frase, Hao Long ficou em silêncio do outro lado.

Senti um calafrio naquela hora!

— O que foi? Fala logo! — gritei, ansioso.

Ouvi Hao Long soltar um longo suspiro do outro lado:

— Louco, vou te contar uma coisa, mas não perde a cabeça...