Capítulo Setenta e Dois – Atrair a Atenção

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 2706 palavras 2026-02-07 12:36:07

Dei um sorriso amargo, sentindo um grande incômodo por dentro. Nunca imaginei que ler o destino poderia trazer consequências desse tipo! O preço a pagar era simplesmente alto demais. Engoli em seco, sem saber o que fazer naquele momento, então liguei imediatamente para Branca Zhao, pois também havia lido o destino dela. Vi inclusive que seu pai perderia uma grande soma comprando certas ações.

Meu coração batia acelerado, mas Branca atendeu rapidamente. Ouvi do outro lado da linha uma voz doce: “Alô?”

“Mana, e aí, seu pai comprou ações da ‘Carro do Sul’?” perguntei direto.

Naquele instante, Branca ficou em silêncio, hesitou bastante antes de responder. Eu não fazia ideia de que ela não acreditava em mim! Achava que eu só estava brincando, e por isso não impediu o pai de investir.

No fim, Branca desabafou: “Maninho, eu avisei meu pai... Ele não acreditou. Não adiantou nada do que eu disse…”

Soltei uma risada conformada e, por fim, apenas consenti: “Tá bom, mana, tenta convencer o tio de novo, evita que ele compre essas ações, se puder.”

Dei alguns conselhos e Branca respondeu de modo vago. Percebi que ela não levava a sério, então, após mais algumas palavras, desliguei.

“Ufa...” Sacudi a cabeça, maldizendo a sorte. Uma leitura do destino me custava dois dias de vida, e se mudasse o destino, então eram mais de dez dias a menos! Quem aguentaria isso? Não fazia ideia do que o Vento Celestial me ensinaria da próxima vez, o que me deixou animado, mas logo voltei à realidade: o mais urgente era ganhar dinheiro! Um milhão quinhentos e cinquenta mil — esse valor era como uma montanha esmagando meu peito, mal conseguia respirar.

Tossi levemente e, sem pensar em mais nada, coloquei a máscara e saí de casa antes que meus pais voltassem.

Rapaz, assim que pus a máscara, a autoconfiança tomou conta de mim! De verdade, era uma confiança que vinha de dentro. Quando saí do condomínio, as pessoas não paravam de olhar; eu era, sem exagero, um galã de cinema. Muitas garotas viravam o rosto para mim enquanto eu passava. Em toda minha vida, nunca tinha experimentado algo assim!

Sentia os olhares sobre mim e, sem perceber, já andava de cabeça erguida, peito estufado. Mas, para ser sincero, aquilo ainda era estranho, afinal, aquele rosto não era meu. Se fosse uma máscara feia, não teria problema, mas usar uma tão bonita era até desconfortável.

Lambi os lábios e decidi ligar para Dragão Hao, que atendeu perguntando o que havia acontecido.

Pensei um pouco e fui me sentar num banco à beira da rua: “Dragão, tenho um amigo querendo trabalhar como relações públicas no Bar Mar e Céu de vocês. O cara é realmente bonito...”

“É mesmo? E quão bonito? Você não vive dizendo que é o cara mais bonito do mundo? Hahaha, nunca pensei que admitiria que alguém é mais bonito que você!” Hao resmungou, rindo. “Olha, hoje nem vou ao bar. Faz assim, manda seu amigo ir lá e procurar o gerente do saguão. Diz que foi indicação minha, tudo certo.”

“Fechado.” Confirmei, mas antes de desligar, Hao ainda reclamou: “Sério, qual amigo seu quer ser relações públicas? Eu conheço todos os seus amigos! Assim como você conhece todos os meus!”

“Você não conhece esse, para de enrolar. É um amigo virtual!” respondi, fingindo irritação. Na verdade, eu estava inventando tudo. Afinal, eu e Hao nos conhecíamos tão bem que era impossível um ter amigos que o outro não soubesse. Entre nós, não havia segredos.

Mas agora era diferente. Hao não sabia das minhas habilidades especiais. Eu até pensei em contar sobre isso, mas ainda não tinha coragem. Quem sabe se era bom ou ruim possuir tais poderes?

Especialmente depois de experimentar a leitura do destino, fiquei ainda mais inseguro. Quem poderia imaginar que isso custaria dias de vida? Sem falar que, observando outros com dons, percebia que muitos levavam vidas piores que pessoas comuns, alguns até na miséria. Por quê? Só havia uma explicação: usar poderes sempre trazia efeitos colaterais.

Ainda que eu não pudesse afirmar com certeza, os fatos estavam aí. Por isso, precisava entender melhor antes de contar para Hao.

Revelar a técnica de disfarce para Hao também não seria impossível, mas eu o conhecia muito bem — seu único interesse era mulheres. Não fosse por isso, não teria virado relações públicas. Embora sua família não fosse rica, também não passava necessidade. Ele queria o emprego tanto pelo dinheiro quanto pela possibilidade de conhecer mulheres. Se eu lhe ensinasse a técnica e ele se deixasse bonito como eu estava agora, perderia a conta de quantas mulheres seduziria. Sendo sincero, se isso acontecesse, ele acabaria se destruindo.

Ele já estava magro demais. Ver meu amigo daquele jeito me doía, então decidi esperar para contar tudo. Assim, peguei um táxi e logo estava diante da entrada do Bar Mar e Céu.

Na frente do bar, havia uma fila de carros importados. Quem frequentava aquele lugar era, em geral, gente influente e jovem. Para famílias como a minha, era difícil frequentar um ambiente daqueles — o consumo era alto demais.

Ao entrar, senti o ambiente pesado. Andei um pouco e as luzes ficaram mais baixas. Grupos de pessoas conversavam e bebiam, outros se balançavam na pista de dança, homens e mulheres exibindo charme ao máximo. Não faltavam deusas e galãs, mas, independentemente da beleza, a maioria estava ali em busca de consolo. Não era exagero: tão logo entrei, atraí olhares de todos os lados! Não só das mulheres — muitos homens me lançaram olhares de inveja! Entre eles, algumas mulheres de trinta e poucos anos, claramente abastadas, olhavam para mim como se eu fosse um prato requintado.

Observava ao redor quando um garçom se aproximou, parou diante de mim e fez uma reverência respeitosa: “Boa noite, senhor, quantos são?”

“Boa noite.” Respondi, coçando a cabeça. Mesmo usando a máscara, fiquei meio sem graça. Pensei um pouco e finalmente disse: “Amigo, o gerente do saguão está? Vim para uma entrevista.”

“Entrevista?!” O garçom pareceu surpreso, me analisou de cima a baixo e, por fim, assentiu: “Senhor, tem certeza?”

“Claro, por quê?” Sorri. O garçom ficou boquiaberto e, de repente, caiu na risada: “Nada, nada, ótimo, vou chamar o gerente agora!”

E saiu quase correndo. Olhei atrás dele, achando tudo estranho, até que desapareceu de vista. Só então esbocei um sorriso. Mas, nesse exato momento, senti alguém tocando minhas costas. Virei-me imediatamente, franzindo a testa.

Atrás de mim havia uma mulher de cerca de trinta anos, vestida com um vestido branco curto e meias-calças pretas. Parecia já um pouco embriagada, segurava uma taça de vinho tinto, deu um gole e me lançou um olhar provocante: “Garoto, nada mal... Que rosto, que corpo...”

E então ela estendeu a mão e acariciou de leve meu peito.

Puxa vida! O que senti na hora? Quase gritei! Nunca tinha passado por isso antes — era uma clara provocação! Mas, já que usava a máscara, precisava manter a pose, então, com calma, retirei a mão dela do meu peito.