Capítulo Sessenta e Cinco — São ela e ele! (Cem reais de recompensa!)
— Maldição! — Naquele instante, gritei, tomado por uma fúria insana! Dei um pontapé na porta do quarto!
Um estrondo ecoou. A porta, antes trancada, quase foi arrancada do batente pela força do meu chute. O impacto foi tão grande que todo o meu corpo estremeceu! Como um louco, lancei-me pelo corredor, agarrei um extintor de incêndio que estava ao lado e, tomado por uma raiva incontrolável, fui até o quarto vizinho ao meu!
Meu rosto estava lívido, carregado de ódio. Eu podia apostar minha vida: era ela, não havia qualquer dúvida!
Eu já havia perdido todo o controle. Quando cheguei à porta do quarto ao lado, ainda consegui ouvir os gritos vindos lá de dentro:
— Hoje eu vou chamar a polícia, não importa o que você diga! Eu vou ligar para a polícia, vou sim!
— Se quer chamar, chame logo e pare de falar besteira comigo! — berrou o homem, a voz rouca e firme, impossível de esquecer. Ambos, homem e mulher, eram conhecidos meus! O que aquela mulher fazia não era novidade, mas aquele homem... seria possível perdoá-lo?
— Maldito seja! — Gritei, incapaz de conter a fúria que me dominava. Com outro chute, arrombei a porta do quarto vizinho! Ao mesmo tempo, ouvi um rasgo e arranquei minha máscara do rosto, revelando minha verdadeira identidade.
Aquele chute foi com toda a minha força; o impacto fez até meus pés ficarem dormentes! A porta, antes trancada, foi arrancada do batente e tombou ao chão com um estrondo assustador.
No silêncio do corredor, o barulho ecoou como um trovão, deixando tudo em um silêncio sepulcral.
Fitei o interior do quarto, cravando o olhar nos dois presentes. Exatamente como eu imaginara: um homem e uma mulher, ambos seminus. O homem fumava no chão, a mulher sentada na cama. Quando invadi o quarto, os dois se assustaram e me encararam, atônitos.
Sim, era ela! Eu não podia estar enganado. Aquela mulher de corpo esbelto, olhos grandes, cabelos longos... Não era outra senão Zhao Qian! Minha revolta não era por ela, mas sim pelo homem ao seu lado. Seu rosto, duro e marcado, era inconfundível: era o mesmo sujeito barbudo que, no ônibus, havia assaltado minha turma! Apesar de estar agora sem a barba, eu o reconheci imediatamente.
— Jiang Feng... você... — Zhao Qian olhou para mim, completamente sem palavras, apressando-se em pegar um cobertor para cobrir o corpo. Olhei para ela e depois para o barbudo; eu tremia de tanta raiva.
— Que diabos está acontecendo aqui? — O tom gélido saiu da minha boca. Aquele barbudo, junto com Xiao Feng e Xiao Han, haviam nos assaltado no ônibus, levando todos os pertences dos meus colegas. E agora Zhao Qian, nossa professora, estava envolvida com ele? Isso só podia ser piada! E ainda dizem que esses três assaltantes foram trazidos por Wang Qiang? Agora, Zhao Qian envolvida com o bandido... Será que ela também tinha relação com eles? Como professora, era simplesmente inadmissível!
— Não foi culpa minha, Jiang Feng! Ele me ameaçou! — disse Zhao Qian, tomada de pânico, vestindo as roupas apressadamente.
— Que diabos, de onde saiu esse moleque? Cai fora daqui! — O barbudo, já irritado, pegou uma cadeira e veio em minha direção. Mas, ao se aproximar, parou de repente.
— Agora me lembro de você! No ônibus, foi você quem tomou minha arma, não foi?
Fitei o barbudo furioso, sem dizer uma palavra. Era verdade, naquele dia, ele tentou abusar de Zhao Xue no ônibus, e eu, junto com Hao Long, conseguimos tomar a arma dele.
— Seu desgraçado, procurei por você todo esse tempo e agora aparece aqui, de bandeja? Morra! — rugiu ele, erguendo a cadeira e tentando me acertar.
Instintivamente, desviei para o lado, reagindo com rapidez.
— Jiang Feng, foge daqui, rápido! — Zhao Qian, já vestida, correu até mim e me abraçou com força.
— Solte-me! — gritei, empurrando-a para longe. O que ela queria, afinal? Nossa professora, agora envolvida com um assaltante? Isso só podia ser brincadeira de mau gosto! Zhou Bingna dizia que esses três bandidos eram amigos de Wang Qiang? Agora Zhao Qian envolvida com o barbudo, será que ela também fazia parte do esquema? Como professora, isso era inadmissível!
— Eu fui forçada! — gritou Zhao Qian, a voz rouca de tanto pânico, o rosto lívido. Eu a lancei contra a parede com violência.
Mas, antes mesmo que ela terminasse de falar, a cadeira do barbudo acertou em cheio minha cabeça!
Senti um zumbido. Naquele momento, minha mente ficou em branco, quase desmaiei. O golpe abriu um corte profundo em minha cabeça, e o sangue começou a jorrar.
— Maldito! — Já não havia limites para minha raiva. Só pensava em lutar até o fim! Suportando a dor, acertei um soco brutal no rosto dele.
O impacto foi tão grande que até eu me surpreendi com minha própria força. Meu punho ficou dormente, e o barbudo cambaleou, rugindo de dor.
— Fique aí, seu miserável! — Nesse instante, ele deu um passo à frente, pegou as próprias roupas e, do bolso, tirou uma navalha de mola.
Com o estalo característico, a lâmina brilhou diante de mim. Admito, nesse momento, o suor frio escorreu pelo meu corpo e fiquei paralisado, incapaz de me mover. Zhao Qian também ficou atônita, encarando o barbudo e ficando ainda mais pálida.
— O que você vai fazer? Não faça nenhuma loucura! — Zhao Qian gritou, dando alguns passos em direção a ele.
— Afaste-se! — rugiu o barbudo. — Hoje, nenhum de vocês vai sair daqui! Moleque, você é mesmo ousado, hein? Vem até aqui sozinho?
Ele me lançou um olhar ameaçador, um sorriso cruel se desenhando em seus lábios.
— Hoje você não sai vivo daqui!
Sem mais palavras, ele avançou com a faca em minha direção.
O suor escorria pela minha testa, o medo tornando-se quase palpável. Como não sentir medo numa situação dessas? Mas, em momentos de vida ou morte, a força humana se revela. Inclinei o corpo para a esquerda e, por milagre, consegui desviar da facada!
— Maldito! — O barbudo, ainda mais furioso, agarrou meu ombro e, sem pensar, cravou a faca em mim!
Gritei de dor, a pontada lancinante rouca minha voz até o limite.
O sangue escorria de meu ombro, tingindo minha roupa de vermelho. Zhao Qian, próxima de mim, ficou completamente em choque e, pude ver, pegou o celular e chamou a polícia.
Meu coração pulsava acelerado, tão rápido que podia ouvir as batidas. Naquele momento, percebi quanto era precioso simplesmente estar vivo. Nunca havia sofrido uma dor tão intensa; era uma experiência inesquecível.
Fitei o barbudo, que estava a menos de meio metro de mim, o rosto tomado por um sorriso perverso. Não havia dúvida: ele, Xiao Feng, e Xiao Han eram criminosos perigosos, dispostos a tudo, até mesmo a matar. Eu sabia: aquele homem seria mesmo capaz de me matar.
Apesar de estar no centro da cidade e Zhao Qian já ter chamado a polícia, sabia que eles demorariam pelo menos dez minutos para chegar. Dez minutos! Nesse tempo, eu poderia morrer centenas de vezes...
Naquele instante, todo o meu orgulho desapareceu. Eu não queria morrer, não queria mesmo!