Capítulo Sessenta e Sete - Conquista! (E ainda tem recompensa!)
— Você... você... — O rosto de Ana Zhou estava tomado por um choque profundo; ela olhou para suas roupas encharcadas e levantou-se da cama.
— Ainda se lembra do que aconteceu agora há pouco? — Eu a observei, forçando um sorriso, parado ao seu lado.
— Agora há pouco... — Ana parecia murmurar para si mesma, balançando a cabeça, tentando clarear a mente. As cenas do beco vieram à tona, inundando seu coração.
— Quando nos despedimos no café, vi dois homens roubando bolsas... Eu corri atrás deles, muitos apareceram e me golpearam... — Ana falava baixo sem parar, e ao chegar a esse ponto, finalmente ergueu um pouco a cabeça, seus olhos fixos em mim: — Onde estou... Por que estou aqui... Eu... eu... — Enquanto falava, ela examinava suas roupas. Só ao perceber que estavam intactas, ficou aliviada.
Ana também estava assustada! Ela sabia bem sua aparência, desde criança, incontáveis homens a haviam cortejado! Cercada por um grupo de homens, desacordada, como não temer que algo lhe acontecesse? Mas agora, seu corpo não sentia qualquer desconforto, além disso, parecia estar num hotel... Será que foi João Feng quem a salvou? Impossível! Não podia ser!
— Fui eu quem te salvou. — Finalmente, uma resposta serena saiu dos meus lábios. Ao ouvir, Ana ficou completamente atônita.
— Como pode ser?! Você... — Ana me analisou de cima a baixo. Apesar de eu ser bem constituído, aqueles brutamontes eram enormes. Como João Feng poderia enfrentá-los?
— Nós dois saímos do café, eu também vi os ladrões. Você já os perseguia, temi que algo te acontecesse, fui ao supermercado ao lado, comprei uma pistola de brinquedo e peguei um táxi... — Contei tudo, omitindo o fato de ter levado Ana ao hotel e tirado mais de cem fotos dela.
Falei por cinco ou seis minutos. Quando terminei, a expressão de Ana estava cheia de gratidão.
— João Feng... Como posso te agradecer... Se não fosse por você hoje... — Ana abaixou a cabeça, lançando olhares furtivos para mim: — Antes, você me ajudou com o celular do Tiago Wang, agora me salva de novo, estou realmente em dívida contigo...
— Não se preocupe, teria feito o mesmo por qualquer pessoa. — Naquele momento, meu humor era péssimo, nem sabia o que pensava, minha voz era fria.
— Você... — Ao ouvir meu tom, Ana pensou ter cometido algum erro, ficou nervosa: — Por que está tão sério...?
— Nada demais, venha aqui. — Chamei Ana, abri a porta do quarto. Meu tom era quase de comando, algo que normalmente nunca ousaria, mas já não sabia mais o que fazia.
Mas, para minha surpresa, Ana Zhou, que estava ao lado da cama, ficou em silêncio por um instante e seguiu atrás de mim!
Droga! Naquele momento, recuperei parte da lucidez! Não podia acreditar: falei daquela maneira e ela obedeceu?! Aquela mulher sempre agia como uma rainha diante dos outros!
Senti um súbito entusiasmo, apesar da cabeça ainda turva. Não havia como negar, aquela sensação era incrível! Ana sempre foi imponente, e falar com ela assim dava uma estranha sensação de conquista! E, surpreendentemente, ela não parecia incomodada. Seria pelo fato de eu tê-la salvado? Se for, daqui pra frente vou falar sempre assim com ela!
Rindo por dentro, abri devagar a porta, fui até o quarto ao lado, Ana acompanhando como uma assistente.
O corredor estava cheio de gente, todos murmurando. Quando me viram, ficaram em silêncio.
Com um sorriso no rosto, fui até o quarto de Catarina Zhao, que estava sentada na cama, olhos vazios. Aos seus pés, um homem barbudo, sem sinais de vida. O quarto era um caos, sangue por toda parte.
— O quê... — Ao ver a cena, Ana ficou paralisada! Correu até o barbudo, chutou seu corpo e, num grito, exigiu: — O que aconteceu aqui? Quem fez isso? Quem?!
— Eu. — Estendi a mão e interrompi Ana.
— O quê?! — Ela me olhou incrédula: — Você... você...
— Sim, fui eu. Esse homem foi quem roubou nossos colegas. Eu o deixei nesse estado. Não há problema, certo? — Olhei para Ana, sorrindo tranquilamente.
— Não... — Ana quis dizer algo, mas engoliu as palavras: — Não pode ser você. A diferença física entre vocês é enorme...
Depois de pensar muito, Ana finalmente falou, principalmente ao ver que o barbudo segurava uma faca. Seus olhos, incrédulos, tornaram-se ainda mais intensos.
Era impossível! A diferença de força era abismal, como ele poderia ser derrotado assim?
Ana estava tremendo, mas sentia uma excitação crescente. Não era por outro motivo: roubo a estudantes era um caso grave, e agora tinha o principal suspeito diante dela. Ela, recém-promovida a vice-diretora, se solucionasse esse caso, poderia receber grande mérito, talvez até uma promoção!
Mas... O olhar de Ana voltou para mim. Primeiro, consegui o celular de Tiago Wang, depois a salvei no beco, agora deixei o criminoso naquela condição. Tudo feito por esse jovem de dezoito, dezenove anos! Quem acreditaria que ele tinha tanta força?
Foi a primeira vez que Ana achou João Feng misterioso, como se estivesse envolto numa névoa, impossível de decifrar.
— Eu... não sei direito, mas... vou te ajudar como puder... — Ana falou pausadamente para mim, um pouco constrangida. Afinal, eu a salvei e ainda lhe dei prestígio.
Assenti, e nesse momento, sirenes começaram a soar lá embaixo. Em menos de meio minuto, uma dúzia de policiais chegou, cercando o quarto. Quando reconheciam Ana, ficavam quietos, chamando-a de vice-diretora e “irmã Ana”.
Ana retomou o ar frio de antes, apenas assentindo com indiferença. Apontou para dois policiais: — Levem esse homem ao hospital, coloquem guardas na porta do quarto. Se ele fugir, vocês responderão por isso! — E, com um resmungo, indicou o barbudo caído. Os policiais tremiam de medo, assentindo apressados.
Ana ficou em silêncio por meio minuto antes de ordenar que dois policiais me algemassem, junto com Catarina Zhao, levando-nos para a viatura. No carro, estávamos apenas eu, Catarina e Ana.
Ana, naturalmente, conduzia. Para ser honesto, se eu quisesse resistir, poderia facilmente derrubar os policiais, pois o efeito do remédio ainda não passara, mas seria insano atacar a polícia! Durante o trajeto, Ana perguntou a mim e a Catarina o que havia acontecido, como o barbudo ficou daquele jeito.
Contei tudo, omitindo o fato de ter tomado o Elixir do Poder.
Catarina também explicou a Ana o motivo de ter se envolvido com o barbudo. Quando terminou, admito que fiquei completamente atordoado, cheio de culpa.
— Eu realmente fui forçada, não queria me envolver com ele. Na verdade, a culpa é sua... — Sentada na viatura, Catarina murmurou para mim.