Capítulo Noventa e Cinco – Com quem está falando?
— Certo, transfere o dinheiro primeiro. — Para minha surpresa, ao ouvir isso, Qin Xiong soltou uma risada: — Quando eu vir o dinheiro, é claro que consigo controlar minha língua.
— É mesmo? Por que eu deveria acreditar em você? — Pelo tom, era evidente que do outro lado da linha, Wang Yuyan não era nenhuma tola, devolvendo a pergunta.
— Se não confia, então nunca mais entre em contato conosco. — Qin Xiong soltou um riso frio e, ao terminar de falar, desligou o telefone abruptamente, passando o aparelho para mim: — Maluco, comprei um telefone novo, anota meu número. Se acontecer algo, me liga imediatamente. Em caso de emergência, vou chegar o mais rápido possível.
Assenti, memorizando o número de Qin Xiong. Olhei pela janela e soltei um longo suspiro: — Irmão Qin, vamos nos falando por telefone. Preciso resolver umas coisas.
— Certo, vou comprar uma casa agora. Assim que fechar negócio, te ligo. Quando quiser, pode ficar lá. — Ele sorriu para mim, concordei com a cabeça e, depois de conversarmos mais um pouco, saí apressado.
Assim que deixei o hotel, liguei para Zhou Bingna. Para ser sincero, eu tinha muito receio de Wang Yuyan. Não dava para continuar assim; eu precisava acabar com a família Wang! Caso contrário, viveria todos os dias sob ameaça, como agora, saindo do hotel sem coragem de andar livremente, temendo que Wang Yuyan enviasse alguém para me emboscar. Não queria mais um dia sequer essa vida pisando em ovos!
Zhou Bingna tinha me pedido para investigar os negócios obscenos da família Wang, não foi? Agora, era a minha chance de contar tudo a ela. Com provas contra Wang Bishui em mãos, se ela recorresse à lei, a família Wang estaria acabada! Esse era meu pensamento: maldita seja Wang Yuyan, o fato dela ter me humilhado me perseguia como uma maldição!
Quando a ligação com Zhou Bingna atendeu, a primeira coisa que ela perguntou foi: — Descobriu alguma coisa?
— Com quem você pensa que está falando? — Não sei por quê, mas o tom dela me irritou muito, ainda mais ao lembrar que ela não me ajudou quando precisei. Aquela maneira de falar, como se desse ordens, deixaria qualquer um de mau humor. Por isso, respondi daquele jeito, pouco me importando se ela ficaria brava.
Para minha surpresa, Zhou Bingna ficou em silêncio ao ouvir meu tom, demorando quase meio minuto para responder, num tom mais suave: — Jiang Feng... já estou quase acostumada a ouvir você assim...
— Venha até aqui, estou na cafeteria Encontro Casual te esperando. — Respondi friamente, desliguei e fui direto para lá de táxi. Escolhi uma sala reservada e me sentei. Logo um garçom se aproximou:
— Boa tarde, senhor. Gostaria de pedir algo?
— Duas xícaras de café clássico. — Pedi educadamente, o garçom assentiu e se afastou.
Brinquei um pouco com o celular e, em seguida, tateei o bolso, sentindo o livro que Long Yuanzi me dera. Por dentro, estava inquieto. A situação estava ficando cada vez mais complicada. Eu não fazia ideia do que Wang Yuyan planejava; temia que, na pressa de me encontrar, ela ameaçasse Hao Long, Zhao Xue, ou até minha família. Se isso acontecesse, eu seria forçado a enfrentar Wang Yuyan até o fim!
A melhor solução seria contar a Zhou Bingna sobre o calabouço sob o Clube da Família Wang e sobre os negócios ilícitos que aconteciam lá.
Além disso, esta noite eu precisava conferir o livro que Long Yuanzi me dera para descobrir qual seria a nova habilidade. Da última vez, ele me ensinou a arte da disfarce. O que será que viria agora?
Estava ansioso e, ao mesmo tempo, achava que já era hora de visitar a empresa Entretenimento Jiao Tian. Ouvir Wang Yuyan falar de bilhões como se fossem trocados me deixou abalado. Eu tinha seiscentos mil no celular, o que para um cidadão comum era muito, mas para gente rica, isso não era nada.
Enquanto pensava nisso, delineando meus próximos passos, ouvi atrás de mim o som ritmado de saltos altos. Instintivamente, virei para olhar e fiquei completamente paralisado.
Um aroma suave veio de trás. Ao me virar, quase perdi o fôlego. Zhou Bingna estava vestida com um vestido preto justo, que realçava o colo sensual num decote em V profundo. As pernas alvas e torneadas estavam à mostra, o quadril destacado pelo tecido. O corpo dela era de uma voluptuosidade impressionante. Os saltos altos pretos completavam o visual, emanando uma aura irresistível de maturidade e poder. Aquela sensualidade era de uma mulher madura, uma verdadeira rainha.
Diante daquele visual, senti meu coração disparar e, sem querer, meu corpo respondeu também.
Minhas mãos tremiam levemente enquanto desviava o olhar dela, fixando as duas xícaras de café sobre a mesa. Inspirei profundamente, tentando controlar minhas emoções:
— Sente-se.
Assim que terminei de falar, Zhou Bingna já estava à minha frente. Não resisti e lancei um olhar furtivo para as costas dela — aquele quadril empinado estava a menos de meio metro de mim. Ela juntou os joelhos, inclinou-se levemente e sentou-se. Só então consegui desviar o olhar, fingindo calma ao perguntar:
— Pedi um café clássico para você. Espero que goste.
— Sim. — Zhou Bingna respondeu laconicamente, o olhar fixo em mim. — O que foi? Por que tanta pressa para me chamar?
— Nada demais, só queria conversar um pouco. — Sorri, sem ir direto ao ponto. Como imaginei, ela franziu a testa:
— Nada?...
Percebi que Zhou Bingna estava aborrecida; afinal, era uma mulher ocupada e eu a fiz vir até aqui.
— O que foi? Ficou chateada? Por acaso não te ajudei várias vezes? Salvei sua vida, ainda te consegui um grande mérito, e agora não posso nem te chamar para conversar?
Sorri para Zhou Bingna. Antes, jamais teria coragem de falar assim com ela, mas agora algo em mim mudou, e me senti confortável ao tratá-la desse jeito.
— Você... — Zhou Bingna manteve a expressão gelada, sem responder; apenas pegou a xícara à frente e bebeu.
— Ah, desculpa... você pegou a que eu já tinha bebido. Aquela era a sua... — Falei sorrindo.
— O quê?! — Na hora, o olhar dela se tornou gélido, como se quisesse me matar. — Você...
Com o rosto cheio de repulsa, Zhou Bingna gritou:
— Garçom! Traga um copo de água, rápido!
Em seguida, começou a vasculhar a bolsa, tirando um pacote de lenços para limpar a boca. Fiquei atônito, rindo sem graça:
— Precisa de tanto? Só tomou um gole do meu café...
— Cale a boca! Tem algo a dizer ou não? Se não, vou embora! — Zhou Bingna já tinha perdido a última gota de paciência e se levantou para sair.
— Espere! — Gritei, já irritado, olhando friamente para ela. — Que temperamento, hein? Pensei que, como descobri o que você pediu, seria razoável te chamar aqui. Mas, com esse comportamento, deixa pra lá. Não me procure mais.
Minha voz estava gelada. Levantei devagar e virei de costas para sair.
— Ei... você... — Ouvi Zhou Bingna me chamar, mas não olhei para trás, saindo rapidamente. Então, ela finalmente não aguentou, elevando o tom:
— Ei... eu... me precipitei... Achei que você só queria conversar mesmo... Você realmente descobriu alguma coisa?
— Vou repetir. — Virei bruscamente, lançando um sorriso frio para ela: — Meu nome é Jiang Feng, entendeu? Não sou "ei". Se você chama "ei", eu nem sei com quem está falando!
— Jiang Feng... Está bem, Jiang Feng, então me diz logo...