Capítulo Cento e Quinze: Enfurecido pela Humilhação

Eu Sou o Rei Atirador Número Um 3353 palavras 2026-03-31 08:20:18

Cao Tiancheng tem se mostrado cada vez mais eficiente. Em meio dia, construiu uma latrina exclusiva para Helan Yan: bastou aplainar tábuas de madeira, pregá-las com firmeza, cobrir com esteiras de bambu e uma camada de palha, tudo bem compactado. Quanto a um banheiro privativo, o que Gao Yuan imaginara ser uma tarefa complexa resolveu-se com um grande tonel de madeira trazido da cozinha, limpo e posicionado no quarto.

O que deixou Gao Yuan entre o riso e a irritação, beirando a vergonha, foi o fato de Cao Tiancheng, por algum motivo insondável, ter decidido construir também o novo quarto de Gao Yuan. Com a abundância de mão de obra militar, a construção foi rápida. Quando Gao Yuan retornou de sua ronda, a obra estava praticamente concluída. A estrutura em si não importava, mas a localização era estratégica: o novo quarto fora erguido colado ao de Helan Yan. Para economizar material, Cao Tiancheng aproveitou uma das paredes do quarto vizinho. Sendo a estrutura feita de madeira, qualquer movimento no aposento ao lado seria ouvido com clareza absoluta.

Gao Yuan observava, perplexo, os soldados pregarem a última ripa de bambu e espalharem a palha sobre o teto. Cao Tiancheng aproximou-se, apoiado em sua muleta, com um sorriso largo:
— Comandante, ficou bom, não ficou? Os rapazes melhoraram muito o serviço. Veja que casa sólida e bonita!

Gao Yuan arrancou um galho ainda verde de uma das vigas e, encarando Cao Tiancheng, disse entre dentes:
— Ótimo. Muito bom. Melhor impossível!

Cao Tiancheng riu:
— Eu disse que você ficaria satisfeito! Sun Xiao e Bu Bing apostaram que você me daria uma bronca. Hahaha, eles perderam. Vou lá cobrar a aposta agora mesmo.
Ele saiu mancando, todo orgulhoso, em direção ao alojamento. Gao Yuan, olhando para as costas do soldado, sentia uma fúria crescente; se Cao Tiancheng não estivesse ferido, teria levado um chute certeiro.

— Que tipo de gente é essa! — resmungou Gao Yuan, pisoteando o galho na lama.

Em pouco tempo, os soldados trouxeram uma cama, mesa e cadeiras. Cao Tianci agilizou a mudança da roupa de cama de Gao Yuan, oficializando o novo dormitório. Gao Yuan entrou, aborrecido, e jogou-se na cama. Que situação absurda!

De repente, a porta ao lado se abriu com um estrondo. Gao Yuan sentou-se de imediato, aguçando os ouvidos. Apesar de ser apenas madeira, a parede não isolava nada. Helan Yan voltara do treinamento. Ouviu-se o som metálico da cimitarra sendo jogada sobre a mesa, seguido por outro ruído: provavelmente o cinto de couro, cujo fecho de ferro colidiu com a arma.

Helan Yan começou a cantarolar uma canção popular dos Xiongnu. Embora não entendesse a letra, a melodia era doce e hipnotizante. Gao Yuan perdeu-se no som. Momentos depois, ouviu-a abrir a porta e chamar por Cao Tianci. O rapaz, que treinava luta no pátio, correu prontamente — desde que ela prometera ensiná-lo a montar e dar-lhe um bom cavalo, ele estava à disposição absoluta da moça.

— Vá à cozinha ver se a água do meu banho está quente. Se estiver, traga para cá! — ordenou ela.

Gao Yuan, ao ouvir sobre o banho, levantou-se num ímpeto, pronto para sair, mas hesitou. Se saísse agora, pareceria óbvio demais. Helan Yan era astuta e nutria sentimentos peculiares por ele; qualquer gesto poderia ser mal interpretado. Ele se sentou novamente, decidindo fingir que nada ouvia.

Ouviram-se os passos pesados de Cao Tianci e o som da água sendo despejada no tonel. Logo depois, a porta foi trancada. Gao Yuan sentou-se na borda da cama, tentando concentrar-se em qualquer outra coisa que não fosse o som da água. Foi inútil. A melodia suave misturada ao ruído da água formava uma música perigosa. Apesar de tentar evitar, sua mente projetava imagens — especialmente do busto generoso e das pernas longas que ele vira anteriormente.

Gao Yuan podia ouvir o próprio coração bater. Ao sentir o calor subir, sentiu-se frustrado. Sua determinação não era tão inabalável quanto imaginava. Ainda assim, não se sentia envergonhado; era uma reação natural. Deitou-se e comparou Helan Yan a Ye Jing'er. Enquanto Ye Jing'er era toda timidez e delicadeza, Helan Yan era como uma pimenta ardente. Cada uma com seu encanto. Curiosamente, ao pensar em Ye Jing'er, o desejo que sentia dissipou-se.

De repente, batidas na parede o sobressaltaram.
— Gao Yuan, seu grande pervertido, está aí? — a voz cristalina de Helan Yan ecoou.

— O que você quer? — respondeu ele, mal-humorado.

— Quando eu terminar meu banho, você me acompanha para passear por Juri Guan?
— Não tem nada para ver. Estou cansado e vou dormir!
— Você é o dono da casa, sou sua convidada e instrutora de cavalaria — sem receber salário, aliás! Não pode nem me acompanhar? — a voz dela soava infinitamente ofendida.

Gao Yuan suspirou. Ela tinha razão.
— Está bem, vamos passear. Ainda falta muito para o jantar. Ficarei lá fora esperando, apresse-se!
— Ótimo! — ela respondeu, radiante.

Logo ouviu-se um estrépito: Helan Yan, em sua euforia, saltara do tonel. Na mente de Gao Yuan, surgiu a imagem dela, nua e molhada. Ele sentiu o nariz esquentar e quase sangrou. Limpou o rosto rapidamente, agradecido por ninguém ter visto.

Cao Tiancheng e os outros eram, sem dúvida, mal-intencionados. Amanhã, faria com que cobrissem essa parede de madeira com uma camada espessa de barro. Caso contrário, acabaria tendo uma hemorragia nasal por causa daquela mulher provocadora.

Ele ficou no pátio com as mãos nas costas. Os soldados, ao vê-lo, sorriam de forma suspeita. Gao Yuan sentiu que eles zombavam dele. "Esperem só", pensou, "vou dar o troco".

A porta atrás dele se abriu. Helan Yan saiu, radiante. Suas tranças haviam sido desfeitas, deixando os cabelos negros soltos. Em vez de suas roupas habituais, vestia apenas uma túnica larga de algodão e caminhava descalça, exibindo pés brancos e delicados.

— Gao Yuan! — chamou ela, sorrindo.

Ele suspirou de alívio por ela não ter gritado "pervertido" na frente dos homens.
— Helan Yan, estamos em um acampamento cheio de homens. Seria melhor se você se vestisse de forma mais apropriada.

— Não estou apresentável? — ela olhou para si mesma. — Acho que estou muito bem!

Gao Yuan desistiu.
— Vamos logo.
— Vamos! — ela saltou ao lado dele, exalando um perfume suave e fresco, o mesmo que sentia em Ye Jing'er.

Gao Yuan estranhou. Diziam que os nômades tinham um cheiro forte de carneiro, mas ela cheirava maravilhosamente bem. Ao notar o olhar dele, Helan Yan sorriu:
— Sou bonita, não sou?
— Sim, claro que é — admitiu ele.
— E entre mim e sua noiva, quem é mais bonita?

Gao Yuan temia essa pergunta.
— Se for uma opinião neutra, vocês são como a primavera e o outono: cada uma tem sua beleza única.
— Existe outra opinião? — ela perguntou, curiosa.
— Claro. Como noivo, prefiro dizer que ela é a mais bonita.
— Isso é uma contradição! — ela fez bico.
— Não é — sorriu Gao Yuan. — É o que chamamos de "a beleza está nos olhos de quem ama".
— Quem é essa "Beleza"? — ela indagou.
— Ah, é apenas um ditado antigo sobre uma grande beldade de nossas lendas — explicou ele.

Helan Yan silenciou por um momento e, com um suspiro suave, disse:
— Entendi.