Capítulo Noventa e Sete – Consumindo a Vida
Sem muita vontade, tirei o telefone do bolso e, ao olhar, fiquei imediatamente paralisado. Uma chamada perdida, três mensagens! Olhei para a tela do celular, realmente sem saber o que fazer. Tanto a ligação quanto as mensagens eram de uma única pessoa: Zhao Xue. Abri as mensagens para lê-las desde a primeira.
“Irmãozinho, consegui encontrar a data de nascimento do meu pai, minha mãe me contou. Veja logo, por favor.”
“Irmãozinho, te imploro, minha família já está quase sem forças.”
“Irmãozinho, por que você não responde? A irmã está esperando.”
Ao ler essas três mensagens, soltei um longo suspiro. Que situação complicada! Eu já havia alertado Zhao Xue para que seu pai não comprasse ações do “Carro do Sul”. Mas ela não deu ouvidos. Agora, será que preciso mesmo fazer uma previsão...
Suspirei, angustiado, e comecei a analisar os dados de nascimento de Zhao Yingjun. Não havia muito que eu pudesse fazer; Zhao Xue já estava desesperada. Como poderia recusar? Sempre a chamei de irmã, e ela sempre foi muito boa comigo. Vê-la assim me deixava ainda mais incomodado.
Decidi ajudar. Perder alguns dias de vida, que seja. Enquanto pensava, fixei o olhar na tela do celular e iniciei a previsão. Essa era minha terceira vez fazendo isso: já havia feito para Zhao Xue e para Zhou Bingna. Agora, com a prática, em menos de meia hora, minha mente ficou completamente vazia.
Uma imagem nítida, como um filme, começou a se desenrolar em minha cabeça. Era novamente a casa de Zhao Xue, provavelmente a sala. Zhao Yingjun segurava um notebook, olhando para a tela com uma expressão de preocupação. A mãe de Zhao Xue também mostrava um rosto de desolação.
“Faltou um minuto, só um minuto! Se tivéssemos aberto o computador naquele minuto, teríamos conseguido vender as ações...” Zhao Yingjun lamentava. “É como se o destino estivesse contra mim...”
“Yingjun, não fale nada agora. Olhe para a tela, tem uma ação que está subindo feito louca!” exclamou a mãe de Zhao Xue.
Num piscar de olhos, toda a cena sumiu da minha mente. Voltei à realidade, olhando para a tela do celular e gritando por instinto.
Droga, qual ação está subindo? Por que a previsão terminou antes de eu descobrir? Fiquei frustrado, mas ao menos soube que, às 12h01 do dia seguinte, se Zhao Yingjun aproveitasse a oportunidade, conseguiria vender as ações que estavam em queda.
O maior problema de Zhao Yingjun agora era não conseguir vender as ações. Imagino que ele já tenha perdido bastante dinheiro. Resolvi ir até o fim e tentar novamente: queria descobrir qual ação estava subindo, quem sabe até comprar um pouco para mim...
Pensando nisso, analisei novamente os dados de nascimento de Zhao Yingjun e comecei outra previsão. Dessa vez, quase perdi a calma: após meia hora, tudo que descobri foi que Zhao Yingjun foi ao banheiro sem levar papel!
Droga, que sentimento tive naquele momento? Estava à beira do colapso, insatisfeito, tentei mais uma vez. Desta vez, vi Zhao Yingjun comendo peixe e engasgando com uma espinha.
Maldição! Como ele pode ter tantos incidentes em um só dia? Sentia-me como se mil cavalos selvagens galopassem em meu coração. Olhei para o relógio: já era madrugada. Em tão pouco tempo, desperdicei seis dias de vida!
Suspirei, resignado. Não havia outro jeito, precisava continuar. Finalmente, tive sorte e consegui a resposta.
“Estrela do Oriente.” Memorizei o nome dessa ação e, apressado, peguei o telefone. Era uma da manhã, mas mesmo assim liguei para Zhao Xue.
Como esperado, Zhao Xue ainda estava acordada. Ao atender, estava bastante emocionada: “Irmãozinho, conseguiu encontrar uma solução? Estou esperando você!”
“Irmã, escute, não se preocupe,” respondi, com o semblante sério. “Amanhã, peça para seu pai pegar algum dinheiro e comprar ações da ‘Estrela do Oriente’. E depois de amanhã, às 12h01, ele deve ficar em frente ao computador para vender as ações em queda. Entendeu?”
“O quê?” Zhao Xue exclamou, surpresa. “Você tem certeza? Você realmente pode controlar o mercado de ações?”
Sorri amargamente. Eu sabia que, não importa o que dissesse, Zhao Xue jamais acreditaria que eu podia prever o futuro. Por isso, apenas sorri, dei algumas instruções e desliguei.
Não podia me expor. Se continuasse, todos saberiam que eu sabia prever o futuro, e aí viria uma fila de amigos pedindo previsões. Eu não teria como negar. Seria como comer fel sem poder reclamar. Cada previsão custa dois dias de vida, e naquelas situações absurdas, ainda mais. Assim, eu poderia morrer jovem!
Com esses pensamentos, a sonolência me envolveu e, sem perceber, adormeci.
Mal sabia eu que, enquanto dormia, do outro lado da cidade de Wan Hai, uma tempestade se armava.
Várias viaturas policiais percorriam as ruas de Wan Hai, silenciosas, sem sirenes para não levantar suspeitas. Visto de longe, mais de vinte viaturas alinhadas formavam um espetáculo impressionante.
Na viatura da frente estavam três pessoas. O motorista era um jovem policial. No banco traseiro, um homem e uma mulher. O homem era Sun Guo, o chefe da polícia de Wan Hai. A mulher, de cabelos longos e perfume suave, exalava um ar de rainha, sentada elegantemente e fixando o olhar à frente sem piscar. Era Zhou Bingna, a quem até Sun Guo precisava tratar com respeito.
Essas vinte e poucas viaturas dirigiam-se ao Clube da Família Wang, em Wan Hai.
“Bingna... você tem certeza? Wang Bishui realmente construiu um calabouço ilegal? E tem gente presa lá dentro?” Sun Guo, já suando, perguntou a Zhou Bingna. “Se a informação for correta, será ótimo: poderemos prender todo o Grupo Wang de uma vez. Mas se não for, sabe as consequências? Toda a corporação está mobilizada; se não encontrarmos nada, a situação será difícil para nós...”
“Sem enrolação!” Zhou Bingna interrompeu com um gesto rápido. Sun Guo ficou sem palavras. Se fosse outro falando assim, já teria explodido, mas com Zhou Bingna, nunca teve voz. Ela sempre foi assim, e ele não sabia como lidar.
“Quando chegarmos, fale pouco e dê a ordem: todos sigam minha liderança, entendeu?” Zhou Bingna lançou um olhar firme para Sun Guo, com um tom que mais parecia uma ordem.
Sun Guo, já acostumado, apenas assentiu: “Entendido.”
Zhou Bingna sorriu satisfeita. Sem que percebessem, as viaturas já haviam chegado discretamente ao Clube da Família Wang, um dos mais prestigiados de Wan Hai. Oito andares, frequentado apenas pelos ricos da cidade. Os pobres nem deveriam sonhar em entrar ali. Um dia nesse clube custava facilmente mais de dez mil yuans.
Quando o carro de Zhou Bingna parou, as demais viaturas formaram um semicírculo, cercando o clube por completo.
“Todos, desembarquem!” Nesse momento, Zhou Bingna pegou o rádio e, ao comando, todas as viaturas abriram as portas ao mesmo tempo. Setenta ou oitenta policiais fardados posicionaram-se diante dos carros, armados com cassetetes ou pistolas.
“Todos sigam as ordens! Venham comigo! Quem não obedecer será punido severamente!” Zhou Bingna ordenou, com voz firme. Entre os muitos policiais, Sun Guo também vestia farda, mas Zhou Bingna destoava: usava calças jeans azul-escuro e uma jaqueta preta. Parecia fora de lugar, mas ninguém ousava questionar.
Setenta ou oitenta policiais seguiram Zhou Bingna, aproximando-se passo a passo do Clube da Família Wang.