Capítulo Sessenta e Um – O Rei dos Carros
— Está bem, outro dia eu te agradeço direito. Preciso ir à casa da minha amiga agora. — sorriu para mim, com uma voz suave.
Naquele momento, senti um aperto no peito. Meu rosto ficou um pouco pálido, mas não disse nada e segui com ela para fora.
Sim, exatamente igual ao que imaginei na hora! Eu estava parado na porta do café, observando a rua movimentada, e então olhei para ela, ponderando uma frase por muito tempo, até que finalmente decidi falar:
— Irmã Na, preciso te dizer uma coisa. Se algum dia você vir alguém assaltando ou roubando, nunca, jamais os persiga. Tire uma foto com o celular, depois, quando estiver na delegacia, você prende eles.
— Hum? Haha, está bem, tudo certo. — Ela nem prestou atenção no que eu disse, apenas respondeu distraída.
Balancei a cabeça, não era o momento de insistir, então concordei e fingi virar para ir embora. Mas, na verdade, não fui muito longe; após alguns passos, olhei para trás e vi que ela já tinha partido, andando com um jeito irresistivelmente atraente. Olhando para aquele perfil, mordendo os lábios, finalmente tirei do bolso o cartão de visita.
O Rei dos Volantes.
O cartão já estava amassado, e até hoje lembro do táxi: velocidade incrível, derrapagens, ultrapassagens, melhor que qualquer piloto profissional! Da última vez, quando fui salvar Xue Zhao, acabei pegando esse “Rei dos Volantes” sem querer, mas ele me cobrou duzentos reais! Hoje, não vou me importar, são só duzentos. Se estiver correto, em breve ela vai ser roubada, então chamo o “Rei dos Volantes” para salvar Na, e ela vai me agradecer. Esse dinheiro vai valer a pena! Só tem o risco de não dar tempo... Pensando nisso, liguei rápido, e em menos de três segundos atenderam.
— Alô, aqui é o Rei dos Volantes, precisa de alguma coisa?
— Café Mini. Pode chegar em cinco minutos? — Falei direto, olhando para ela enquanto falava no telefone.
— Ah! — E foi nesse exato momento que, não muito longe, ouvi um grito! Vi claramente, uma moça teve a bolsa arrancada por dois brutamontes!
— Vrum! — A rua virou um caos, e Na, que estava ali perto, reagiu imediatamente:
— Parem! Polícia! — Gritou furiosa, correndo atrás deles!
— Uau! — Naquele instante, comecei a suar frio! Era exatamente como imaginei, igualzinho! Não faltava nada!
Mordi os lábios, nem eu acreditava! A previsão, realmente, tem gente que acerta!
— Rápido, pode chegar em cinco minutos ou não? Fala logo! — gritei ao telefone, enquanto o tumulto aumentava e todos olhavam para Na. Tudo o que estava acontecendo, até nos detalhes, era igual ao que imaginei!
— Que pressa é essa! — Mas a resposta do outro lado me trouxe de volta à realidade: — Você é macaquinho? Tá apressado igual um. — Resmungou: — Não precisa de cinco minutos, estou aí do lado, três já bastam.
— Certo... Certo, venha logo! — Apressei, desligando de imediato. Minha cabeça estava vazia, parado, sem saber o que fazer.
Como eu ia convencer Na a entrar no carro? Lembro claramente do que previ: ela perseguindo os brutamontes, entrando num beco, depois apareciam cinco ou seis homens, cercando ela. E então, a cena sumia.
Eu mesmo, como enfrentaria tantos homens?
Pensando nisso, uma ideia brilhante surgiu. Eu tinha uma solução! Ri alto e corri para o mercadinho ao lado, perguntando ao dono se tinha pistola de brinquedo. Ele disse que sim, comprei uma por cinco reais.
Não dá para negar, era muito parecida com uma de verdade. De longe, ninguém distinguiria. Ri satisfeito e saí correndo do mercado. Nesse momento, um barulho de freada estridente ressoou ao meu lado!
— Chi, chi! — O som era insuportável, e logo um táxi parou diante de mim!
— Foi você que chamou? Entre! — O motorista chamou, e sem hesitar entrei no banco de trás:
— Vai para aquele beco ali na frente, depressa!
Quase gritei, e mal terminei a frase, ele fez uma manobra espetacular, alinhou o carro e acelerou, disparando com tudo!
— Como sabe que fui eu quem pediu o táxi? — Olhei para o motorista. Maldito, só vi esse cara uma vez, mas nunca esqueci, ele me roubou duzentos reais!
— Conheço você! Foi você quem me deu aquele dinheiro, não foi? — Ele respondeu: — Me chame de Rei dos Volantes, ou de Velho Volante, tanto faz. Vamos manter contato! — Ele riu, todo satisfeito.
— Se não fosse pela sua velocidade, quem pegaria seu táxi? — Revirei os olhos: — Seu sobrenome é Volante?
— É sim, Volante e primeiro nome Rei, juntos dá Rei dos Volantes, meu apelido é Rei dos Volantes, pode me chamar assim, mas não se apaixone, eu...
— Para de enrolar, não pode só dirigir? — Eu estava exasperado, esse cara só tinha habilidade ao volante, de resto, nada de especial! E me intrigava, tinha pouco mais de vinte anos, mas dirigia como um mestre.
Apesar da curiosidade, não me preocupei, só fiquei de olho no retrovisor. Em pouco tempo vi Na correndo. Ela já tinha tirado os saltos altos, perseguindo os brutamontes descalça. Igualzinho ao que previ!
Assistindo a tudo, dentro do carro, meu coração disparava. A velocidade era impressionante, em instantes ultrapassei Na e os dois brutamontes. Dirigi o Rei dos Volantes para o lugar certo, em dois minutos chegamos ao beco.
Daqui a pouco, Na vai chegar ali, perseguindo os brutamontes! O coração batia forte, e falei ao motorista:
— Espere aqui, logo vou trazer uma moça para entrar no carro!
— Hum? Então me dê os duzentos agora, e se você fugir? — Ele sorriu, estendendo a mão.
Não era hora de negociar, tirei o dinheiro do bolso e entreguei:
— Lembre, quando eu trouxer ela, arranque com tudo!
— Pode deixar, sem problema! — Ele riu, pegando o dinheiro satisfeito. Não tinha tempo para conversar, abri a porta e saí.
Eu estava na entrada do beco, ao lado direito havia uma casinha abandonada. Se não me engano, daqui a pouco Na entra, e os cinco ou seis homens saem da casinha, cercando ela.
Pensei um pouco, mas voltei ao carro, esperando. Parecia uma eternidade, cada segundo era um ano. Fiquei de olho no retrovisor. Não sei quanto tempo passou, mas finalmente, dois brutamontes chegaram ofegantes, entrando direto no beco!
— Corre, cara, aquela mulher disse que era policial!
— Droga, será mesmo policial? Se fosse, estaria de uniforme, teria arma!
— Esquece, já estamos no nosso território, vamos atrair ela para cá! — Os dois conversavam apressadamente. Só então consegui ver bem os brutamontes.
Ambos tinham mais de um metro e oitenta de altura.