28. O Selo do Bebê Morto
Não sei quanto tempo demorei para despertar, mas quando finalmente acordei, o telefone ainda estava ligado.
Ao abrir os olhos, deparei-me com três fantasmas diante de mim.
Eram a Xiaofang, Zhang Dan e Dodo, que tinha apenas uma cabeça.
—Irmão Sen, você está bem?
Assim que me viu acordar, os três se aproximaram, e Xiaofang perguntou, preocupada.
Balancei a cabeça. Apesar de a dor persistir, já estava bem melhor do que antes. Estendi a mão e peguei o celular.
—Tio Oito Liang...
—Acordou, hein? Parece que conseguiu. Xiaoyang, seu corpo está muito fraco agora; precisa se esforçar para se exercitar e reforçar a alimentação, comer mais coisas que ajudem a repor o sangue. E, embora tenha aberto o Ponto da Má Fortuna, lembre-se de nunca usá-lo sem motivo. Cada vez que o utiliza, você consome parte da sua própria vida. No momento, só lhe restam pouco mais de três meses... Enfim, tome cuidado. Primeiro, resolva esse bebê morto seguindo o método que o vidente lhe ensinou; deixaremos o resto para quando voltarmos!
Respondi com um murmúrio.
Provavelmente, Zhao Banshan tomou o telefone rapidamente e, em voz baixa, falou comigo:
—Rapaz, você é bom mesmo, mas precisa tomar cuidado. Não quero que você parta antes de mim, viu? E, a propósito, sua recompensa da última vez, mais de cem mil, eu doei para o Projeto Esperança em seu nome, para acumular um pouco de virtude para você. Qualquer coisa, conversamos quando eu voltar. Vou desligar agora!
Sem esperar resposta, Zhao Banshan desligou.
Fiquei um pouco desapontado e dei um sorriso amargo. Levantei-me, mas, ainda sentindo as dores anteriores, cambaleei e quase caí.
—Irmão Yang, você está com o sangue e energia do corpo muito fracos! —Dodo se colocou à minha frente, impedindo que eu caísse, praticamente me amparando.
Assenti. Já sabia disso. Provavelmente, foi por ter aberto o Ponto da Má Fortuna e absorvido as energias negativas do bebê morto, o que me deixou exausto.
Aproximei-me do corpo do bebê. Agarrei seu pescoço, levantei-o e fui em direção ao apartamento de Zeng Yuhan, no sexto andar. O cansaço era tamanho que, se me dessem um canto silencioso, dormiria ali mesmo.
—Xiaofang, Zhang Dan, tragam também o corpo de Zeng Yuhan. Precisamos resolver tudo esta noite, antes que aconteça mais alguma coisa!
Dodo flutuava à frente, acendendo as luzes para mim. Carregando o bebê morto, procurei pela casa e encontrei um grande jarro de barro, que, ao abrir, exalou um cheiro forte e fétido de sangue.
—Irmão Yang, isso é sangue de cão preto!
Fiquei satisfeito. Era como receber um travesseiro justo quando estava com sono. Porém, não era sangue de galo colorido, então talvez não fosse potente o suficiente. Lembrei-me de que Dodo já estava ali há algum tempo e provavelmente saberia onde encontrar o que eu precisava.
—Dodo, há sangue de galo colorido aqui?
Ela balançou a cabeça e voou até uma porta, batendo com a cabeça para indicar. Corri e abri. Dentro, vários jarros grandes, todos com sangue de cão preto. Havia também alguns talismãs amarelos, cobertos de símbolos estranhos feitos com cinábrio. Peguei tudo sem cerimônia e fui levando jarro por jarro para fora.
Procurei mais um pouco, mas nada de sangue de galo colorido.
Sem alternativas, tentei ligar novamente para Zhao Banshan, mas ele desligou de imediato e me enviou logo uma mensagem:
—Se for urgente, escreva logo!
Resumi a situação por mensagem, e Zhao Banshan disse que mandaria alguém buscar-me. Quando há vantagem, ele é eficiente: dez minutos depois, recebi uma ligação.
—Qual é o endereço? Vou até aí agora!
Pelo tom, era uma mulher. Não precisei perguntar: era certamente a bela moça que eu vira na funerária de Zhao Banshan. Mas se ela tinha ou não algum envolvimento com ele, só Deus sabia.
Enquanto esperava, continuei explorando o apartamento, já sem medo, graças à companhia de Dodo. Com a ajuda dos fantasmas, juntei uma sacola cheia de olhos—dezenas deles.
Dodo disse que esses olhos, depois de imersos em sangue de cão preto, podiam ser engolidos para ver fantasmas à noite, algo semelhante ao Olho de Yin-Yang, mas com efeito temporário.
Assenti. Conhecia vários métodos para abrir caminho ao mundo dos mortos—o mais simples era passar lágrimas de boi nos olhos, mas isso podia causar infecções e só durava três horas. Segundo Dodo, usando sangue de cão preto, o efeito durava seis horas; com sangue de galo colorido, um dia inteiro.
Ficava cada vez mais impressionado com os conhecimentos de Dodo nessas artes. Descobri que seu avô também fora um mestre Yin-Yang, morto há mais de dez anos, e desde pequena Dodo aprendera essas coisas por influência dele. Depois, já adulta, envolveu-se em comunidades de ocultismo, o que só ampliou sua experiência.
De repente, achei que Dodo poderia ser uma ótima assistente para mim. Pensei que seria bom levá-la para o apartamento, onde Xiaodie poderia protegê-la. Não sei por quê, mas sentia que o apartamento era extremamente seguro.
Enquanto conversava com Dodo, bateram à porta. Sabia que era a moça. Abri e vi uma mulher alta, de cabelos longos e negros, pernas esguias e atraentes o suficiente para despertar desejo mesmo naquele ambiente sombrio.
—Olá, meu nome é Chen Ruowei, gerente do departamento de redação da Funerária Zhao Banshan.
Assim que entrou, deu uma olhada ao redor, franzindo levemente a testa, e estendeu a mão para se apresentar.
Assenti e apertei a mão delicada e macia.
—Meu nome é Yang Sen.
—Hehe, o chefe já me falou de você. Bem, onde está o objeto?
Chen Ruowei sorriu educadamente e perguntou.
Fiquei sem palavras com tanta formalidade. Funerária Zhao Banshan? Só tem um dono e um funcionário, mas fala como se fosse uma grande empresa!
Apontei para o grande jarro junto à porta:
—Tio Zhao disse para deixar de molho no sangue de cão preto. Não há sangue de galo colorido aqui.
Chen Ruowei assentiu, aproximou-se do jarro, abriu a tampa e conferiu. Satisfeita, sorriu:
—Yang Sen, pode lavar o corpo dele direitinho? Já que esse feto maligno começou a mostrar sinais de transformação esta noite, não podemos cometer nenhum erro.
Ao falar, virou-se e seus seios fartos bateram direto contra meu peito.
Eu não sou alto, tenho cerca de um metro e setenta, mas Chen Ruowei devia ter uns um metro e setenta e dois. Com salto alto, ficou mais alta que eu; ao se virar, a altura era perfeita para que seus seios tocassem meu peito, e senti um leve perfume.
—Er... preciso descer para pegar umas coisas. Lave o sangue de cão preto do bebê enquanto isso.
O rosto de Chen Ruowei corou. Ela deu um passo atrás e, apontando para Zhang Dan e Xiaofang, pediu:
—Peça para eles me ajudarem. Não consigo carregar tudo sozinha.
Assenti apressadamente, fui até a grande mesa junto à janela pegar as luvas de borracha e pedi para Xiaofang e Zhang Dan acompanharem Chen Ruowei.
Assim que ela desceu, coloquei as luvas e, olhando para o bebê morto imerso no sangue, senti um certo pavor, mas criei coragem e o tirei de lá.
Ainda bem que aquela sensação de choque me impulsionou; do contrário, jamais teria feito aquilo tão rapidamente.
—O banheiro é por aqui!
Dodo abriu a porta do banheiro com a cabeça e acendeu a luz.
A água jorrou sobre o bebê morto. Ele era tão pequeno que parecia um brinquedo nas minhas mãos, mas à medida que a água escorria, um fedor pútrido e rubro se espalhou, me deixando enjoado.
—Yang Sen, já terminou? Não deixe a água escorrer por muito tempo. A água pertence ao yin e pode atrair energia negativa.
Desliguei a torneira imediatamente e saí do banheiro com o bebê.
—Seque bem o corpo dele. Preparei tudo para selá-lo...
Peguei a toalha que Chen Ruowei me entregou e comecei a limpar o bebê. Era uma sensação estranha, mas, naquela altura, já não me importava tanto.
—Pronto, coloque o bebê dentro deste jarro!
Enquanto falava, Chen Ruowei virou-se e abriu um jarro vermelho-sangue...