Espada de Dinheiro de Vinte e Seis Moedas

Apartamento do Além O jovem senhor da família Yang 3261 palavras 2026-02-09 14:10:14

Não!
Senti um calafrio no coração, tomado por uma intensa onda de raiva — este era um presságio funesto! Sem hesitar, agarrei a pequena Ana e corri para a escada; os prédios do condomínio tinham seis andares e não havia elevador. Subi até o sexto andar ofegante e exausto.

No sexto andar ficava a residência do perito forense Zeno Han. A porta estava escancarada quando cheguei, e entrei rapidamente. O ambiente estava impregnado de um cheiro pútrido de cadáveres em decomposição. Tateando a parede, acendi a luz e a cena que se revelou diante dos meus olhos fez meu corpo inteiro estremecer de horror.

O chão estava coberto de restos de corpos dilacerados. Perto da janela havia uma enorme mesa, sobre a qual repousavam vários membros e fragmentos de corpos, como se tivessem acabado de ser retirados do congelador.

Ana se escondeu atrás de mim, suas pequenas mãos agarradas com força à minha roupa, enquanto eu a conduzia cuidadosamente pelo ambiente. O apartamento tinha dois quartos e uma sala; bastaram poucos passos para avistarmos a cozinha, que parecia ter sido transformada em um pequeno depósito. Porém, ao contrário de um depósito comum, este armazenava apenas cadáveres desmembrados.

A luz da cozinha era de um tom verde e mórbido. Bastava um olhar para ver corpos esquartejados, tanto de homens quanto de mulheres. Cheguei a notar um corpo reduzido quase só aos ossos, tingidos de vermelho vivo, tornando a cena ainda mais aterrorizante sob a fraca luz esverdeada.

O medo tomou conta de mim, mas caminhei até a grande mesa e, lançando olhares ao redor, percebi que Zeno Han não estava ali; além dos cadáveres, não havia nenhum ser vivo naquele apartamento.

O sangue na mesa ainda estava fresco, e pude sentir o cheiro metálico da hemoglobina. Ao lado, havia um freezer de três compartimentos. Pensei que talvez Zeno tivesse colocado o cadáver do bebê ali dentro. Sem hesitar, estendi a mão para abrir o freezer.

Ana imediatamente puxou minha camisa, fazendo-me vacilar, mas minha convicção só aumentou. Antes que ela dissesse algo, abri a porta do freezer.

Um grito escapou de mim.
No instante em que abri o freezer, um tremor percorreu meu corpo; senti os cabelos da nuca se eriçarem. Vocês conseguem imaginar o que vi ali dentro? Tenho certeza de que não.

O freezer de três compartimentos exalava vapor gelado, completamente abarrotado de vísceras ensanguentadas. O mais aterrador era que, na segunda prateleira, havia uma cabeça humana.

A cabeça de uma mulher!

Cabelos longos, rosto delicado porém lívido, olhos enormes e abertos, de um vermelho intenso.

— Que falta de educação a sua! — exclamou a cabeça.

Fiquei atônito — a cabeça estava falando!

Dei alguns passos trôpegos para trás e senti minha mão pousar sobre algo macio, semelhante a bolinhas. Olhei de lado e imediatamente recuei, pois minha mão estava sobre um monte de globos oculares, alguns ainda sangrentos, outros já ressequidos.

— Seu fantasma novato, como ousa assustar o irmão Mor, vou dar um jeito em você! — gritou Ana, saindo de trás de mim e avançando para atacar a cabeça da mulher.

— Ana! — Detive-a rapidamente, limpando as mãos na roupa e procurando me recompor. Dei alguns passos à frente, fitando a cabeça da mulher, que agora parecia assustada.

— Quem é você? Por que está aqui? — perguntei, intrigado. Era óbvio que aquela cabeça era um espírito vingativo, mas por que apenas a cabeça, e por que estava congelada no freezer? Minha curiosidade era grande.

Ana ficou de lado, encarando friamente a cabeça da mulher, imobilizada entre as vísceras.

A boca da cabeça sangrou novamente quando começou a falar:

— Meu nome é Duda. Sou moderadora do Clã dos Jogos. Por passar o tempo todo jogando, quase nunca saía de casa. Naquela noite, enquanto eu postava algo no fórum, houve um apagão. Quando a energia voltou, percebi que eu havia entrado no mundo do jogo. No começo achei interessante, mas, de repente, fui morta por um estranho de roupa preta. Quando despertei, já estava aqui...

Enquanto Duda narrava sua história, não pude deixar de estranhar, mas ela continuou:

— Demorei alguns dias para aceitar que estava realmente morta. Não sei onde está meu corpo, e fui mantida por um monstro dentro deste freezer. Todos os dias ouço ele falando sozinho e cortando corpos humanos.

Com o relato de Duda, o olhar de Ana também suavizou; percebi que ela sentia compaixão por sua história.

— Irmão Mor, tenho certeza de que a irmã Duda foi assassinada por Zeno Han através de rituais demoníacos. Acho que ele queria transformar seu corpo em um cadáver sem cabeça — explicou Ana.

Fiquei confuso; Duda não parecia alguém comum, mas não conseguia imaginar qual seria o motivo de Zeno para matar — apenas para criar um cadáver sem cabeça?

— Duda, você conhece Zeno Han? — perguntei.

Duda balançou a cabeça com dificuldade; as vísceras ao seu redor a mantinham presa, quase sem poder se mover.

Sorri de modo amargo, peguei um par de luvas de borracha na mesa e fui afastando as vísceras ao redor da cabeça de Duda. O cheiro pútrido me provocou ânsias de vômito.

— Obrigada... — disse ela, assim que ficou livre. Flutuou para fora do freezer, mexendo o pescoço e girando os olhos. — Essas coisas são repugnantes! Aquele psicopata se alimenta dessas vísceras todos os dias.

Senti um frio na espinha; só de imaginar alguém comendo aquilo, meu estômago se revirou.

— Duda, aquele homem trouxe hoje o cadáver de uma criança? — perguntei apressado.

Duda assentiu e, com expressão de pavor, acrescentou:
— O cadáver parecia tomado por uma fúria terrível, fiquei tão assustada que nem consegui abrir os olhos. Parece que agora há pouco o espírito da criança, envolto em energia maligna, saiu correndo daqui; o psicopata foi atrás, subindo para o terraço.

Terraço?

Arranquei as luvas e saí correndo do apartamento.

Nesse momento, eu já estava quase certo de que a criança de quem Duda falava era o mesmo bebê retirado do ventre de Lívia.

— Irmão Mor, rápido! Eles estão no terraço! — gritou Daniela, ensanguentada e pálida, parada à porta.

Assenti e corri em direção à cobertura.

Bum!

Assim que subi ao terraço, vi um homem magro, vestido com uma túnica amarela de sacerdote, sendo arremessado a vários metros de distância, colidindo violentamente contra a parede.

— Excelente! É realmente um feto maligno, um bebê demoníaco. Ainda nem despertou e já emana uma energia sombria aterrorizante. Que coisa preciosa! — ouvi a voz rouca do homem, vinda do escuro, como a de um demônio escondido nas sombras.

— Irmão Mor, olhe! — Daniela ignorou completamente Zeno Han, que tossia sangue após o impacto, e apontou para o bebê morto, flutuando no ar, envolto por uma aura sombria.

O bebê estava coberto de sangue negro, seu corpo pairava num tom avermelhado, o rosto era esverdeado e assustador. Ao redor dele, redemoinhos de energia negra giravam como tentáculos desordenados; parecia que, se o bebê abrisse os olhos, tudo seria devorado.

— Irmão Mor, estou com medo! — Ana agarrou com força a barra da minha roupa, mostrando apenas os olhinhos, agora vermelhos.

Nesse instante, Zeno Han também nos avistou — eu e as duas almas penadas. Seu rosto empalideceu e, imediatamente, lançou uma espada brilhante de energia dourada.

— Querem roubar meu feto maligno? Nem pensem! — protestou, furioso.

Senti-me profundamente irritado. Se Zeno Han não fosse um idiota, só podia ser um psicopata: aquele bebê demoníaco era perigosíssimo mesmo antes de despertar. Se esperássemos sete dias até Lívia se transformar em espírito vingativo, temo que a primeira coisa que faria não seria matar Fábio, mas sim buscar seu filho; o laço entre mãe e filho é inquebrável — e então, morreríamos sem nem saber como.

— Irmão Mor, é essa espada de moedas douradas! Ela não pode te ferir; tome-a dele e deixe comigo. Anos atrás, ele me enganou para ir ao hospital, fez experimentos comigo e arrancou meu coração. Desde então, só penso em vingança! — explicou Daniela.

Meu coração se apertou; agora entendia por que, ao mencionar Zeno Han, o peito de Daniela ficava ensanguentado: ele havia arrancado seu coração.

Isso aumentou ainda mais meu desprezo por Zeno Han. Coloquei Daniela e Ana atrás de mim, avancei com rapidez e agarrei a espada dourada, desferindo um forte chute no rosto do sacerdote.

Na infância, mesmo sofrendo bullying, meu pai me ensinou técnicas de defesa; nunca as exibi, pois sabia que há muitos talentosos neste mundo, e eu não passava de um peixe pequeno.

Zunido!

A espada dourada cortou minha mão direita, causando uma dor aguda no pulso; passei-a para a esquerda, aliviando o incômodo.

— Nó de espíritos? — exclamou Zeno Han, caído ao chão, espantado, recuando alguns passos.

Nesse momento, o cadáver do bebê, flutuando ao longe, começou a absorver a energia sombria ao redor com velocidade frenética; até o luar pálido e frio era sugado para dentro do seu corpo.

Ao ver aquilo, meu rosto se desfigurou de pavor. Absorver energia sombria e luz da lua? Estava se preparando para despertar. Antes mesmo de acordar já era assim tão assustador; quando despertasse, seria impossível detê-lo.

— Não! Precisamos impedir que ele absorva mais energia... Senão, as consequências serão inimagináveis! — gritei para Zeno Han, encostado à parede.