Armadilha 63 (Parte Um) (Terceira Atualização)

Apartamento do Além O jovem senhor da família Yang 3072 palavras 2026-02-09 14:10:42

— O que houve, velho Ingênuo?

Eu era quem estava mais perto dele. Assim que atendeu o telefone, ele não disse mais nada além de um breve som de assentimento.

— Nada demais, é melhor irmos logo. O velho Cume já chegou à Vila da Família Boi e pediu para nos apressarmos...

Assim que ele terminou de falar, todos se puseram em movimento rapidamente.

Já no carro, só então perguntei quem era esse tal velho Cume de quem ele falava. Foi aí que me explicou como era composta toda a equipe interna da Agência da Longevidade.

Só então percebi que o tamanho da Agência da Longevidade era realmente considerável.

Entre as organizações de feng shui e ocultismo do sul, a Agência da Longevidade era a maior, embora existissem alguns grupos menores e dispersos. Dentro da agência, havia um Fundador — uma espécie de líder máximo, a quem todos chamavam de Supremo. O velho Ingênuo disse que o Supremo se chamava Ge Qingfeng, mas não me contou nada sobre seus feitos. Segundo ele, cada mestre ocultista dentro da agência tinha seus próprios segredos, e os demais não costumavam perguntar.

O tal velho Cume a quem ele se referia era, na verdade, um dos Três Proeminentes da agência. Seu nome verdadeiro era Cong Feng, um sujeito de respeito.

Além de Cong Feng, os outros dois Proeminentes eram Chen Balin e Yuan Zai, este último especializado em adivinhações.

Em seguida vinham os Seis Cadáveres, sobre os quais o velho Ingênuo não se alongou, apenas disse que eram os tesouros guardiões da agência, e que eu os conheceria quando chegássemos à Vila da Família Chen.

Depois, havia os Nove Excêntricos. Os que vi naquela noite — Dragão Perverso, senhor Xuan, Ma Tongtian, Xiao Qi — todos eram membros desse grupo.

Além disso, a agência contava com diversos mestres de feng shui associados. Esses não faziam parte do núcleo, mas eram numerosos. Apenas por terem seus nomes vinculados à Agência da Longevidade, já podiam usufruir de certos benefícios. Às vezes, quando pegavam trabalhos complicados que não conseguiam resolver, podiam repassá-los à agência, ficando com trinta por cento da comissão.

No entanto, aquela noite parecia envolver algo mais complexo do que imaginávamos. O velho Ingênuo passou o trajeto inteiro me alertando sobre as habilidades dos “vivos-mortos”, mestres do ocultismo que inspiravam verdadeiro pavor. Não era à toa que Zhao Meio-Imortal e Chen Balin tinham tanto receio do mestre de madeira — era impossível não temer alguém assim.

Meu filho dormia profundamente em meu colo. Cobri-o com uma peça de roupa e aproveitei para perguntar:

— Velho Ingênuo, nunca entendi por que aquele tal de Salão Dragão Celeste emitiu o Decreto do Dragão para eliminar o mestre de madeira.

O velho Ingênuo pisou fundo no acelerador, alcançando o carro esportivo do Dragão Perverso, e balançou a cabeça.

— Essas são questões dos grandões, como iríamos saber? Talvez só o Supremo saiba. O que posso dizer é que o Salão Dragão Celeste tem poderes quase ilimitados. Pode-se dizer que qualquer mestre ocultista minimamente renomado na China está sob sua vigilância. Quanto ao motivo de quererem eliminar o mestre de madeira, imagino que devem ter previsto que ele atrapalharia seus planos ou, talvez, não quisessem que ele concluísse a fusão do feto demoníaco com o corpo de ossos imensos.

Após essas suposições, ele balançou a cabeça de novo:

— Não sei ao certo, só posso especular. Mas, se é ordem do Salão Dragão Celeste, não importa sobre quem recaia, nenhum mestre ocultista escapa. Virou uma regra invisível.

Embora ainda não compreendesse tudo, já tinha uma noção mais clara.

Aquele Salão Dragão Celeste era misterioso ao extremo — parecia o verdadeiro manipulador dos bastidores desse mercado de feng shui e ocultismo. Pensando nisso, senti que havia uma espécie de conspiração no ar.

Como não consegui chegar a nenhuma conclusão, desisti. O carro entrou numa estradinha rural, desacelerando. Apertei meu filho nos braços, pois a estrada estava bem esburacada.

Nesse momento, Dodó saiu voando da mochila e pousou em meu ombro. Seus olhos, na escuridão, pareciam duas chamas vermelhas e fantasmagóricas.

— Irmão, sinto um pressentimento ruim! — Dodó disse, de repente, com enorme seriedade.

Assenti com a cabeça. Eu também sentia esse clima estranho, mas, com tantos mestres poderosos reunidos essa noite, eu era apenas um figurante, alguém ali só para assistir. Por isso, não sentia medo algum.

— Chegamos, vamos descer aqui! — disse o velho Ingênuo, parando o carro.

Descemos. Os outros também desceram.

À nossa frente, a noite era tão escura que não se via um palmo à frente do nariz. O senhor Xuan logo pegou algumas lanternas no porta-malas e distribuiu para cada um. Como eu carregava meu filho, não aceitei a minha e fui caminhando entre eles.

Ninguém pareceu surpreso ao ver Dodó, como se já estivessem acostumados. Apenas perguntaram seu nome e seguiram adiante. Caminhamos uns dez minutos até que vimos um homem e uma mulher correndo em nossa direção.

— Velho Ingênuo, vocês chegaram! — exclamou o homem, trajando um agasalho esportivo.

O velho Ingênuo assentiu e perguntou:

— Onde está o velho Cume?

A mulher ao lado logo respondeu:

— Eles já foram para o alto da Vila da Família Boi, estão despejando água ritualística no rio!

O velho Ingênuo assentiu e se dirigiu a mim:

— Irmão Yang Sen, fique atrás de mim. Vamos primeiro para a parte baixa da vila. Wu, você e os outros deem uma olhada ao redor da vila. Sejam cautelosos!

Wu Rongzhou concordou, e nos separamos.

A trilha noturna era realmente difícil. Carregando meu filho, tive de redobrar o cuidado, enquanto o velho Ingênuo impacientava-se atrás de mim. Finalmente, após meia hora, contornamos uma colina fora da vila e chegamos à parte baixa.

A Vila da Família Boi fica a mais de duzentos quilômetros de Chengdu, cortada por um riacho sem nome. Ali, nos agachamos à margem do rio, no trecho abaixo da vila.

Antes mesmo de me agachar, senti um cheiro forte de podre misturado com sangue.

O velho Ingênuo iluminou o caminho com a lanterna e subiu uns dez metros pela margem do rio. Parou e, com um galho de árvore, pescou do rio um corpo magro e pequeno.

Minha expressão mudou. Aproximei-me rapidamente para ver.

À luz da lanterna, o corpo foi tomando forma diante de mim.

Era o cadáver de uma mulher de estatura miúda. O velho Ingênuo usou o galho para rasgar-lhe facilmente o abdômen — estava completamente vazio por dentro.

— Velho Ingênuo, isso...

— Esse mestre de madeira é realmente monstruoso. Se eu o pegar, vou abrir sua barriga para ver o que há lá dentro — resmungou ele, caminhando alguns passos adiante e parando de repente. Chamou-me.

Corri até ele, e a cena à frente quase me fez tropeçar no barranco do rio.

O leito do rio, normalmente largo, estava repleto de cadáveres dispostos de todo jeito, ao menos quarenta ou cinquenta corpos. Sob a luz da lanterna, vi que todos eram magros, muitos deles crianças e até bebês.

A água do rio estava avermelhada, quase negra, e os cadáveres estavam inchados e azulados. Uma brisa noturna trouxe um fedor insuportável, fazendo-me virar o rosto.

— Dodó, segure a lanterna para mim; vou examinar mais de perto! — pedi.

Dodó, furiosa, voou até o lado do velho Ingênuo e segurou a lanterna com a boca. O velho arregaçou as mangas e começou a remexer os cadáveres com o galho.

Fiquei parado, observando a cena, sentindo cada vez mais que o mestre de madeira merecia a morte.

Nesse momento, avistei, no fundo do rio quase bloqueado pelos corpos, uma mulher ensanguentada emergindo lentamente da água. No começo, achei que fosse alucinação. Segurei meu filho com uma mão e esfreguei os olhos com a outra.

Mas aquela mulher, coberta de sangue, era real. Ela se ergueu da água parada, caminhando passo a passo na nossa direção, rasgando crânios dos cadáveres e devorando seus miolos com as mãos.

— Velho Ingênuo! — gritei.

Ele se virou, fez sinal de silêncio e imediatamente recuou com Dodó até o ponto onde havíamos pescado o primeiro corpo.

O velho Ingênuo empurrou o cadáver de volta ao rio e resmungou:

— O que será que o mestre de madeira pretende? Ele absorveu todas as almas desses cadáveres, e repare: são só mulheres, crianças e idosos, nenhum homem.

— Velho Ingênuo, deixe isso de lado por ora. Veja ali... — apontei.

O velho Ingênuo iluminou a mulher ensanguentada que devorava miolos, franzindo a testa:

— Já percebi ao entrar na água: trata-se de um espírito d’água morto neste rio, mas também está sendo controlado pelo mestre de madeira. Só que, ao que tudo indica, não é magia que a domina, mas sim...

— Veneno? — arrisquei, vendo o sangue escorrer sem parar e ela rasgando crânios para engolir miolos, que depois caíam pelo ventre já vazio, uma cena de horror absoluto.

— Fique aqui me esperando, vou buscar o equipamento! — disse o velho, entregando-me a lanterna e disparando na direção da colina sem esperar resposta.

Fiquei ali, encarando o espírito d’água deformado que se aproximava cada vez mais, o terror crescendo dentro de mim...