Quarenta jovens dragões presos na margem
Falando sobre esse tal de Zhu Bai, eu mesmo não sei muito, só ouvi rumores de que ele era um mestre de feng shui muito famoso, renomado até mesmo no penúltimo século. No entanto, desde então até o século passado, quando o feng shui da Vila do Laureado se manifestou, não há registros sobre Zhu Bai. Visitei muitos descendentes de pessoas que tiveram contato com ele, mas ninguém soube me dizer nada.
No meu íntimo, estava um pouco confuso, mas não exatamente surpreso, pois os mestres de yin e yang sempre foram um grupo misterioso. Desde que li aquele livro encadernado sem nome, descobri tantas coisas ocultas ao comum, como a possessão de corpos ou o empréstimo de vidas do mundo dos mortos, que são coisas triviais diante do que certos monges são capazes. Parece até que eles transcendem a própria forma da vida, utilizando apenas suportes externos. Ainda não tive contato com esses poderes, então não posso afirmar nada. Mas ao ouvir o nome de Zhu Bai, lembrei-me: será que ele e o Monge de Madeira são do mesmo tipo?
Antes de morrer, meu mestre me avisou para ter cuidado com esse homem, mas em todos esses anos nem ao menos avistei o rastro dele. Para ser sincero, me pergunto se ele ainda está vivo.
De repente, Dai acelerou o carro com surpreendente agilidade, considerando o seu tamanho.
— Dai, você já ouviu falar do Monge de Madeira?
Ele freou bruscamente e me lançou um olhar surpreso, perguntando com espanto:
— Você já encontrou o Monge de Madeira?
Assenti e lhe contei em detalhes sobre minha batalha com o Monge de Madeira, sem omitir que abri minha cova de energia negativa, apenas não citei a existência de Xiao Die, dizendo apenas que Duoduo estava comigo naquela noite.
— Não é à toa que aquele espírito chamado Duoduo ficou tão ferido. Foi culpa da sua cova de energia negativa.
Eu sabia disso. Chen Balian já havia me explicado o motivo das feridas de Duoduo e Xiao Die. Depois que abri minha cova, ela passou a devorar furiosamente energia fantasma. Quando chegaram, o Monge de Madeira já tinha sumido, e Xiao Die me segurava com força nos braços, enquanto Duoduo mordia minha mão direita, por isso se feriu mais.
— O Monge de Madeira é um adversário formidável. Meu mestre já me falava dele. Ele é ambicioso, queria ressuscitar sua mulher por meio de técnicas proibidas e, pelo visto, ainda é obcecado depois de tantos anos, o que mostra certa coragem.
Meu coração estremeceu. Chen Balian já havia me contado que o Monge de Madeira teve uma esposa. Agora, ouvindo Dai, percebo que talvez ele não seja um espírito maligno por natureza, mas alguém que se perdeu em seus próprios desejos e enlouqueceu.
Algumas horas depois, chegamos aos arredores da Vila do Laureado. Como da outra vez, Dai parou o carro, pegou duas garrafas de água e me ofereceu uma.
Caminhamos pela trilha da montanha e já era tarde, quase três da tarde, quando almoçamos na casa de Ye Hongmei — que nos recebera da última vez ao lado de Zhao Banxian. Só então, apressados por Dai, fomos até o topo da montanha nos arredores da vila.
Depois de termos ajudado Zhao Banxian a livrar a vila da entidade da bananeira, todos me tratavam com grande respeito, chamando-me de Mestre Yang, o que me deixava até um pouco constrangido.
— Vamos, rapaz, dar uma olhada naquele topo. Esta vila tem muitos segredos!
Assenti. Depois de tanto estudar o básico dos mestres de yin e yang e de ler o livro encadernado, minha percepção mudou muito. Desta vez, ao vir à Vila do Laureado, minha visão estava mais ampla.
— Veja, aquela cadeia de montanhas atravessa toda a vila como um jovem dragão, mas está totalmente presa pelas montanhas altas ao redor, ficando encapsulada nesse pequeno círculo. Até os dois rios que correm pelas laterais não saem da vila. Se não me engano, há um canal em algum ponto rio abaixo que faz a água dar a volta e retornar ao rio. Vamos conferir.
Dai, com seu corpo volumoso, desceu a encosta com surpreendente destreza, calçando sapatos simples, destoando do restante de suas roupas, mas com passos ágeis e firmes, nada parecido com um gordo desajeitado.
— Dai, devagar!
Corri atrás dele, que quase rolava morro abaixo como uma bola.
Seguimos o rio até seu fim, e, como ele previra, havia mesmo um canal circular que trazia a água de volta ao curso.
Ao parar ali, meu semblante mudou. O terreno estava coberto de mato, mas dava para ver algumas pequenas bananeiras brotando de novo.
Pequenas bananeiras? Ali era justamente onde queimamos o bananal da última vez.
Um pressentimento ruim me invadiu.
— Pelo meu raciocínio, aqui deveria haver algo maligno fixando a cauda do dragão, mas não há nada, nem sequer um pilar de fixação.
Ao ouvir isso, meu rosto empalideceu. Da última vez, quando vim com Zhao Banxian, não notei aquela cadeia montanhosa — lembro-me perfeitamente. Só vimos montículos de vários tamanhos, que de longe pareciam um tabuleiro de xadrez improvisado, com o cemitério no centro. Mas hoje, tudo estava diferente. Os montículos sumiram, e o cemitério parecia abrir a cadeia montanhosa.
Eu não conseguia entender esse novo arranjo.
Revirei mentalmente tudo que havia aprendido sobre feng shui naquele livro encadernado, mas não consegui decifrar. Não tinha assimilado tudo ainda, então não conseguia aplicar os conhecimentos de imediato.
— Você disse que veio aqui com Zhao Banxian enfrentar uma entidade da bananeira, foi exatamente aqui?
Assenti.
— Vocês só conseguiram queimá-lo de dia, depois de tentarem à noite sem sucesso? — O rosto de Dai ficou ainda mais sombrio, os olhinhos arregalados.
Confirmei.
— O quê?! Vocês... ah...
Os olhos dele se arregalaram, e fiquei surpreso ao ver um homem tão gordo parecer a pequena Fang, da vila, quando abria os olhos daquele jeito.
— Dai, o que houve?
Sua expressão me assustou, pois já estava inquieto desde que vi aquele arranjo. Agora, vendo a reação de Dai, fiquei ainda mais aflito.
Chen Balian também dissera que o bananal poderia ser parte de um arranjo feito por Zhu Bai, e destruí-lo poderia acelerar a formação do padrão de feng shui.
— Zhu Bai certamente armou aqui uma grande formação de energia negativa, trancando o fluxo do dragão neste local, fixando-o com vários pilares e prendendo o dragãozinho na pequena vila. Depois, estabeleceu um ponto central para, aos poucos, absorver essa energia. Quando a energia fosse toda sugada, a cova negativa se completaria e ele transcendia o ciclo natural, tornando-se um verdadeiro mestre de yin e yang.
Enquanto falava, Dai olhava para todos os lados, inquieto.
— Sabia que estava aqui!
Dez minutos depois, Dai desenterrou um boneco de madeira no canal onde a água fazia a curva. Na testa do boneco, estava incrustada uma moeda de cobre, já avermelhada, e a metade inferior do boneco estava negra, exalando um fedor terrível.
— Dai, o que é isto?
Fiquei pasmo. O boneco era feito com minúcia, com traços bem definidos, embora o rosto já estivesse indistinto. Mas o tronco era nítido, e a moeda na testa, de vermelho intenso, saltava aos olhos.
— Isto é chamado de Prendedor de Dragão. Poucos dominam essa técnica, mas eu conheço. O problema é que, depois que vocês queimaram o bananal, o feng shui daqui mudou completamente. Agora, a Vila do Laureado está prestes a enfrentar uma catástrofe, uma situação sem saída, ninguém poderá salvar!
— O quê?
Situação sem saída? Eu sabia bem o peso dessas palavras. Era como no dia sete de maio, no necrotério, quando Fan Ming não tinha como escapar do destino, e eu nada pude fazer. Agora, Dai deduzia o destino da vila só de ver aquele boneco. Eu não sabia quanto tempo restava, mas tinha certeza de que o perigo era real.
No momento em que Dai retirou o boneco, o chão tremeu e o céu, ainda claro, escureceu subitamente, de forma assustadora.
Um vento frio e cortante se ergueu, e comecei a ouvir sons que não deveria.
— Entendi! — exclamou Dai, mudando de cor. Sua mão trêmula largou o objeto.
— Dai, o que aconteceu? Agora há pouco...
Ele cuspiu na testa do boneco, pressionou-o contra uma pedra e o quebrou com um soco. Dentro dele, havia uma agulha de aço, agora tingida de vermelho opaco.
— Estamos em apuros! — disse ele, trêmulo, segurando a agulha e com o rosto tomado de preocupação.
— Dai, mas afinal, o que houve? O céu mudou, até um tolo percebe que algo terrível vai acontecer!
— Uma situação de morte certa, nestes próximos dias. Vocês destruíram o arranjo de feng shui. Zhu Bai armou aqui uma configuração chamada "Dragão Jovem Preso nas Margens", que levaria pelo menos um século para se formar naturalmente. Mas, ao destruírem o objeto maligno, o feng shui mudou drasticamente em pouco tempo. E veja, a parte inferior do boneco está negra, a moeda na testa, vermelha como sangue. Sabe o que isso significa?
— Grande desgraça!
Antes que eu respondesse, Dai gritou.
Agitado, ele levantou a agulha e perguntou:
— Sabe qual deveria ser a cor normal desta agulha?
Balancei a cabeça.
— Deveria ser vermelho-vivo, tingida de sangue espesso de cadáver. Agora está desbotada, o que indica uma grande perturbação no feng shui!
— Como diz o ditado: "Terra de feng shui, protegida é bênção, alterada é desgraça". Ou seja, se não há mudança, tudo vai bem. Mas, ao mudar, ou vira um local de grandes bênçãos, ou de mal extremo!
Meu rosto empalideceu, pois o céu escurecia diante dos nossos olhos...