Espanto!
O rosto do Velho Gordo mudou drasticamente de expressão.
— Caramba, este lugar é estranho demais! Vamos, garoto, precisamos ir rápido até aquele pico, lá é o ponto mais alto da Aldeia do Laureado. Só quando chegarmos lá saberemos o que está acontecendo!
Ao ver o céu escurecer de repente, fiquei profundamente impressionado e, sem hesitar, segui o Velho Gordo, correndo velozmente em direção ao morro onde havíamos analisado o feng shui antes.
Quando nos posicionamos no alto, o que vi me deixou boquiaberto.
Aquela cadeia de montanhas começou a se mover, como uma enorme serpente que ainda não era ágil; cada deslocamento era seguido de uma longa pausa. Na frente, na floresta de túmulos, uma onda aterradora de energia sombria se elevava, subindo ao céu e cobrindo-o por completo.
— Isso é ruim. Parece que o dragão jovem da Aldeia do Laureado não pode mais ser contido. Assim que a energia do dragão se mover, atrairá outros mestres do ocultismo. Vamos voltar, e à meia-noite iremos ao cemitério investigar. Aproveitaremos para ajudar Dodó a recuperar o corpo e despertá-la. Aqui, Dodó tem uma sensibilidade muito maior do que nós.
Assenti, mas, ao me virar, aquela sensação familiar de chamado que eu não sentia há dias voltou intensamente, mais nítida e forte do que antes.
— Vamos, está quase escurecendo. Corri a tarde inteira, estou faminto. Melhor comer antes, este lugar é estranho demais, e provavelmente não vamos dormir esta noite!
Concordei, olhando mais uma vez para o cemitério envolto em energia sombria. Parecia que, entre as sombras, vi um rosto sorridente, meio fantasma, meio demônio.
Por volta das sete, eu e o Velho Gordo terminamos o jantar. Os moradores da aldeia pareciam não perceber nada de estranho; o Velho Gordo explicou que eram pessoas comuns, sem o olho espiritual, incapazes de enxergar. Mesmo se vissem, seriam apenas as crianças, mas elas não falam por medo.
Assenti novamente.
Depois, carregando Dodó, segui o Velho Gordo em direção à floresta de túmulos. Segundo ele, para salvar Dodó era necessário encontrar um local de grande energia sombria e deixá-la absorver essa energia, restaurando seu vigor espectral e permitindo que despertasse. Precisávamos dela, pois Dodó, sendo do lado sombrio, percebia e dominava essa energia muito melhor do que nós.
O Velho Gordo carregava uma caixa do tamanho de uma mala, guiando o caminho. Embora fosse a primeira vez que ele visitava a Aldeia do Laureado, parecia extremamente familiar com o local.
Depois descobri que essa era uma habilidade essencial dos mestres do ocultismo: popularmente chamada de "olho aguçado". Basta olhar uma vez para memorizar toda a geografia do lugar. Afinal, quando uma disposição de feng shui é implantada, a região se transforma gradualmente conforme o padrão, e o que vimos ao entardecer foi resultado da alteração do feng shui.
— Este lugar está carregado de energia sombria, e sinto que há algo nos observando!
O Velho Gordo colocou a caixa sobre um pequeno morro e olhou para baixo; a luz da lanterna iluminava fileiras de lápides.
— Velho Gordo, estou com medo — admiti, pois aquela sensação de chamado persistia, cada vez mais intensa.
Ele pegou novamente a caixa e resmungou, virando-se:
— Medo de quê? Você tem o pulso do fantasma, eles é que deveriam temer você! E comigo aqui, não se preocupe. Vamos procurar um ponto de concentração de energia sombria para despertar Dodó. E eu ainda acho que o tal caixão de sangue de que você falou está por aqui!
Assenti prontamente.
Quando o Velho Gordo já se afastava carregando a caixa pela trilha em direção à floresta de túmulos, uma rajada de vento gelado me fez estremecer e apressei-me a segui-lo.
Ao chegar à floresta, não vi nenhum fantasma como naquele dia, tudo estava mortamente silencioso, apenas o vento sombrio soprando inquietante.
O Velho Gordo abriu a caixa no chão e retirou um objeto parecido com uma bússola.
O ponteiro girava freneticamente, como se tivesse um motor.
Ele franziu o cenho e começou a se mover pela floresta de túmulos.
— Garoto, aqui! — ouvi sua voz após três ou quatro minutos. Peguei a caixa e corri até ele.
Ali havia cinco ou seis túmulos, apenas um com lápide. Ao contrário dos outros, estes estavam dispostos em círculo. O Velho Gordo estava no centro, e a bússola em sua mão milagrosamente parou de girar.
— Velho Gordo, é aqui? — perguntei.
Ele assentiu, sorrindo:
— Que sorte! Este lugar tem a disposição dos seis generais saudando o ministro. Se neste vilarejo não há especialistas, não acredito. Quem conseguiria enterrar alguém com um padrão de feng shui desses?
Não entendi muito bem, por isso fiquei em silêncio.
— Rápido, entregue Dodó para mim e fique de lado. Vai levar cerca de uma hora.
Obedeci, entregando Dodó ao Velho Gordo e afastando-me vinte metros, sentando-me ao lado de um grande túmulo.
Vi então o Velho Gordo retirar da caixa uma espada de madeira de pessegueiro incrustada com moedas de cobre, morder o dedo e tocar a testa de Dodó…
De repente, surgiram inúmeras sombras de fantasmas diante dos meus olhos: eram os ancestrais da Aldeia do Laureado que eu havia invocado naquele dia. Levantei-me imediatamente, mas o Velho Gordo sumiu.
Gritei por ele, mas não houve resposta.
— Marido, corra! — ouvi a voz de Pequena Borboleta. Ao me virar, ela estava ao meu lado, puxando minha mão para fugir da floresta. Mas o mais assustador é que, por mais que corrêssemos, não conseguíamos sair dali. Parecia que toda a aldeia havia se transformado numa floresta de túmulos, e as casas se tornaram sepulturas.
— Pequena Borboleta, o que está acontecendo?
— Marido, a Aldeia do Laureado está perigosíssima agora. O Velho Gordo avisou: lugar de feng shui, protegido é abençoado, alterado é maldito! O padrão do feng shui foi destruído, então hoje à noite tudo vai mudar radicalmente.
Fiquei assustado. Tudo ao meu redor eram túmulos. Seria esse o chamado padrão de morte inevitável?
— Marido, siga esta trilha e corra até a Ponte do Laureado. Assim que atravessar, poderá deixar a aldeia!
O rosto de Pequena Borboleta estava tomado pelo terror. Mal comecei a falar, um vento sombrio a envolveu e a arrastou.
— Pequena Borboleta… — gritei, mas fui empurrado com força pela energia espectral dela, rolando descontrolado pela trilha.
Rolei uns dez metros até conseguir me levantar, todo dolorido. Olhei para a trilha e fiquei ainda mais apavorado: juro que nunca a vi na Aldeia do Laureado. Talvez em outros lugares eu não conhecesse, mas na floresta de túmulos, já fiz oferendas em todos os cantos, não havia essa trilha.
Será que um fantasma me cegou?
Mordi a língua até sangrar.
A paisagem diante de mim oscilou, mas logo voltou ao normal.
O que estava acontecendo?
Eu me preocupava com Pequena Borboleta, mas a floresta à minha frente começou a se dissipar e, por fim, transformou-se numa corrente de vento sombrio que avançava para me devorar.
Assustado, corri o máximo que pude. Alguns minutos depois, vi algo ainda mais aterrador.
Diante de mim, uma ponte de pedra antiga; desta vez, vi claramente as palavras "Ponte do Laureado" gravadas. Sobre ela, uma lanterna fraca brilhava.
Aquela lanterna, aquele lugar, aquele ambiente…
— Pai…
Não resisti e chamei. Era o cenário do meu sonho: meu pai segurando uma antiga lanterna de óleo, de pé sobre a Ponte do Laureado.
Mas, agora, meu pai não estava lá.
Aproximei-me cautelosamente da ponte; naquele momento, meus pelos se arrepiaram. A sensação de chamado estava cada vez mais intensa, como se da escuridão à frente pudesse surgir de repente o caixão de sangue, que se abriria e um espírito maligno saltaria para me devorar instantaneamente.
Quanto mais pensava, mais sentia ser observado por olhos invisíveis.
Pare sobre a ponte, vi claramente a cena diante de mim.
Na ponte, só podia ver o espaço iluminado pela lanterna, todo o resto era trevas. Ouvi o som da água corrente, parecia haver um rio subterrâneo sob a ponte.
De repente, senti alguém tocar meu ombro.
Estremeci, quase desmoronei, pois minha mente estava cheia de imagens do caixão de sangue e espíritos malignos perseguindo-me.
Ao me virar, vi um rosto familiar, dentes amarelos, segurando um cachimbo, vestido com um casaco cinza escuro.
— Pai…
Gritei, abraçando-o, e as lágrimas escorreram sem controle.
Meu pai não respondeu, apenas sorriu. Seu rosto mostrava alívio, bem diferente da primeira vez que o vi, quando estava angustiado e insistia para eu partir.
— Pai, por que está aqui? O que é este lugar?
Soltei meu pai e comecei a perguntar, pois sua presença ali era, no mínimo, estranha.
Ele não respondeu, apenas apontou com o cachimbo para a escuridão à frente e me entregou a lanterna antiga.
— Quer que eu vá?
Ele assentiu, sorrindo ainda mais.
Respirei fundo. Com meu pai ali, ganhei coragem, peguei a lanterna e avancei na direção indicada.
À medida que a luz tremulava, meu rosto mudou drasticamente, o suor frio escorrendo, pois eu vi…