Armadilhas 64 (Parte Inferior) (Quarta Atualização)

Apartamento do Além O jovem senhor da família Yang 2999 palavras 2026-02-09 14:10:45

— Não tenha medo, mano, esse espírito da água não tem consciência própria. Suas ações são totalmente controladas pelo verme dentro da cabeça dela. Basta esmagar o crânio e matar o parasita, aí tudo se resolve! — murmurou Dodó, pousada no meu ombro para me confortar.

Assenti, apertando meu filho junto ao peito, e recuei mais uns vinte metros até encontrar uma grande pedra onde me sentei. Surpreendeu-me que, num lugar tão carregado de energia sombria, não houvesse sequer um fantasma à vista — nem mesmo aquela mulher do rio, dominada pelo parasita, tinha qualquer traço de alma penada. Era totalmente semelhante a um cadáver ambulante.

A cena me parecia repugnante, e virei a lanterna para o lado, observando a paisagem ao redor. O rio seguia para dentro das montanhas e, por todos os lados, erguiam-se picos altos. Se não fosse pela companhia de Dodó, eu jamais teria coragem de permanecer ali.

Logo apareceu o velho Dai, carregando sua mala modificada. Atrás dele vinha um homem alto, empunhando uma espada de madeira de pessegueiro. O velho Dai me apresentou: aquele era Liu Yiming, também membro do escritório.

Ao ver a cena diante de si, Liu Yiming empalideceu e virou-se depressa para vomitar. O velho Dai comentou, sem paciência:

— Anda logo! Se ela terminar de devorar os miolos desses corpos, vai vir atrás dos nossos. Esse tipo de cadáver é o mais difícil e nojento de lidar...

Corri para ajudar, ainda que minha função se limitasse a trazer as ferramentas.

Perto dali havia um bambuzal. O velho Dai e Liu Yiming cortaram um bambu, afiaram a ponta e fizeram uma argola na extremidade.

— Yiming, vai lá, laça o espírito da água e puxa pra cá!

O velho Dai apertou a argola com força e se dirigiu a Liu Yiming:

— Anda, não enrola! Se não quer puxar, logo vai ser tua vez de esmagar com pedra!

Diante disso, não pude deixar de perguntar:

— Velho Dai, o que pretende fazer com esse espírito da água?

— Simples: trago pra cá e esmago a cabeça dela com uma pedra. Pronto!

Fiquei arrepiado dos pés à cabeça. Aquilo não parecia exorcismo, mas sim uma brutalidade digna de criminosos insanos.

— Não tem outro jeito, o parasita já se alojou no cérebro dela. E você viu o que ela está fazendo: devorando cérebros de cadáveres. Sabe o que isso significa?

Um calafrio me percorreu. Lembrei dos tempos de necessidade, quando já devorei corações sangrentos. Agora, aquela mulher do rio — ou melhor, o parasita desconhecido — também reunia forças.

— Velho Dai, será que esse parasita já se fundiu ao corpo da mulher, e não apenas entrou em sua cabeça?

Ele balançou a cabeça e explicou:

— Não necessariamente. Ainda não sei que tipo de parasita é esse, mas se ela continuar devorando cérebros, teremos sérios problemas.

Enquanto falava, o velho Dai entregou o bambu a Liu Yiming.

— Três minutos pra laçar a mulher e arrastar até aqui. Vou cavar um buraco pra ela!

Dodó segurou a lanterna com a boca, enquanto o velho Dai, do outro lado, procurava um ponto entre pedras grandes, um espaço pequeno, mas suficiente para o corpo do espírito da água.

— Já está pronto? — apressou o velho Dai. Apontei a lanterna para Liu Yiming, que já laçava o pescoço da mulher e a arrastava para a margem. Dava pra ver suas mãos lutando em desespero, o crânio jorrando massa encefálica, a boca cheia de sangue pálido e os olhos vazios, negros, causando náusea em quem olhasse.

— Pronto, pronto...

No instante em que me virei, Dodó gritou:

— Cuidado!

Olhei e presenciei uma cena assustadora: a mulher do rio, já sem o corpo, tinha a cabeça voltada para mim, a boca escancarada mostrando dentes ensanguentados, entre cujos vãos escorria massa cerebral...

Dodó soprou um jato de energia fantasmagórica. O velho Dai, por sua vez, traçou um círculo no ar com a espada de pessegueiro e, mordendo o dedo médio, tocou o sangue no crânio voador.

Liu Yiming ficou parado, atônito com o ocorrido, e acabou segurando o corpo sem cabeça nos braços. O pescoço, cortado pelo bambu afiado, jorrava massa branca e pegajosa.

— Aaah! — Liu Yiming gritou e atirou o cadáver no rio.

— Saiam daqui! É um parasita devorador de almas! Mordam o dedo e toquem o sangue na testa, depois corram! — gritou o velho Dai, fazendo um salto mortal ao se aproximar do crânio ensanguentado. Em dois movimentos, já estava diante de mim.

Obedeci sem hesitar: mordi o dedo, marquei minha testa e também a do meu filho, e saímos correndo montanha acima com Dodó guiando. Liu Yiming, porém, não teve a mesma sorte: ao marcar a própria testa, a boca imensa do crânio já o havia abocanhado.

Virei-me e vi Liu Yiming parado, imóvel, enquanto aquela boca monstruosa ia engolindo sua cabeça, como uma serpente devorando um cervo. O couro da cabeça da mulher, então, se esticou e envolveu o crânio de Liu Yiming.

— Que azar... Saia da frente! — exclamou o velho Dai.

Afastei-me depressa e vi o velho Dai sacar um canhão quase do tamanho de uma coxa. Pegou uma esfera de ferro do tamanho de um punho e a carregou no tubo.

— Yiming, fique tranquilo, cuidaremos da sua família! — disse ele, apoiando o canhão no ombro e puxando o gatilho.

Com um estrondo, o corpo imóvel e digerido à minha frente virou uma nuvem de fragmentos. O velho Dai cambaleou alguns passos devido ao recuo do disparo.

— Velho Dai, que coisa é essa? É potente demais!

Ele guardou o canhão na mala e respondeu:

— Isso é uma invenção do nosso escritório, chama-se Canhão Esmaga-Cadáveres. O nome é feio, mas a eficiência é ótima. Contra cadáveres ambulantes e mortos-vivos, é imbatível.

Assenti, espantado. Era uma arma de verdade, como armas de fogo e explosivos. Será que o governo não proíbe isso?

Não perguntei, mas admito: foi uma sensação gratificante ver aquilo em ação.

Nesse momento, o telefone do velho Dai tocou.

— O quê? Já estou indo! — disse ele, encerrando a ligação, colocando a mala no ombro. Ao ver o gesto, logo percebi que ele ia sair correndo outra vez.

— Vamos, rápido! O velho Wu e os outros caíram numa armadilha do feiticeiro da madeira e estão presos no círculo dos cadáveres ambulantes!

Ao ouvir isso, lembrei da cena no crematório e empalideci, abraçando meu filho e correndo atrás do velho Dai pelos caminhos da serra.

— Como está a situação? — perguntou o velho Dai ao telefone para o senhor Xuan, enquanto corria.

— Anda logo, velho Dai! Já perdemos alguns, estamos esperando pelo teu canhão! — a voz do outro lado soava angustiada.

— Aguenta firme, estou quase chegando!

Desligou e, ao chegar à encosta, abriu a mala, montou o canhão e carregou três ou quatro projéteis.

— Leva meus equipamentos e vem depois. Vou na frente!

Assenti, pois com meu filho no colo eu não conseguiria correr rápido. Notei que a resistência física deles era bem diferente da minha — já estava ofegante.

— Certo, vai lá!

O velho Dai disparou montanha abaixo em velocidade espantosa. Era difícil imaginar que um homem gordo pudesse ser tão ágil; realmente, os exorcistas são pessoas extraordinárias.

Com uma mão segurando meu filho e a outra a mala, segui Dodó, que iluminava o caminho com a lanterna. Levei um tempo para descer. Assim que cheguei ao sopé, ouvi uma explosão a uns quinhentos metros adiante, seguida de outra.

Reconheci o som do Canhão Esmaga-Cadáveres e corri na direção das luzes.

Naquele instante, percebi que minha concepção dos exorcistas tradicionais estava mudando — aquele mundo novo tornava-se cada vez mais interessante...

Um vento frio soprou, fazendo-me estremecer.

Olhei para as chamas distantes, decidido a encontrar o velho Dai antes de mais nada. Mas, no exato momento em que me movia, Dodó virou-se e gritou em alerta:

— Mano, cuidado atrás de você!

— Atrás de mim...? — Meu rosto empalideceu de súbito!