Reforços

Apartamento do Além O jovem senhor da família Yang 3656 palavras 2026-02-09 14:12:50

No momento em que chutei a cabeça do Rei dos Mortos, Ventogume, ele começou a urrar loucamente.

— Sen, saia daqui rápido, esse rei dos mortos vai enlouquecer! — gritou Tio Oito Taéis ao ver a cena. Com uma mão pressionando o ferimento no abdômen, pegou a espada longa do chão e, num piscar de olhos, colocou-se à minha frente.

Zunido.

A lâmina afiada foi agarrada quase instantaneamente por Ventogume.

— Corre! — Tio Oito Taéis largou a espada sem hesitar e me puxou em direção a Zhao Meio-Imortal.

— Tio Oito Taéis, esse morto-vivo não morre de jeito nenhum! — exclamei.

— Isso é um rei dos mortos. Os métodos usados contra mortos-vivos comuns não surtem efeito algum nele. Pode-se dizer que esse morto-vivo está quase se tornando um espírito. Precisamos sair daqui o mais rápido possível, senão vai ser o nosso fim! — respondeu Tio Oito Taéis, que já havia me arrastado até Zhao Meio-Imortal e o colocou nas costas, pois ele estava desacordado.

— Irmão, aquele morto-vivo está vindo de novo! — avisou Duoduo.

Antes mesmo de Duoduo alertar, já sentia uma mão agarrando meu ombro. O frio cortante daquela respiração me fez mudar de expressão.

Desta vez, antes mesmo que Tio Oito Taéis ou Zhao Meio-Imortal pudessem agir, uma onda poderosa de energia cadavérica lançada por Ventogume os arremessou para longe.

Quando me virei, deparei-me com aqueles olhos vermelhos de sangue e o rosto quadrado e sinistro, estampando um sorriso zombeteiro.

— Não pense em machucar meu irmão! — gritou Duoduo, e de seus olhos irrompeu um brilho deslumbrante, como duas lâminas atravessando a cabeça do Rei dos Mortos.

Mas Ventogume permaneceu ali, com seu único braço ainda cravado em meu ombro, os olhos cheios de cobiça.

— Solte meu irmão! — Duoduo gritou outra vez. Com um movimento, seus cabelos cresceram de forma sobrenatural, enrolando-se ferozmente ao redor da cabeça de Ventogume e puxando com violência.

Risos agudos e macabros ecoaram.

— Yang Sen, impeça Duoduo! — Ouvi a voz de Tio Oito Taéis, e meu coração tremeu. Pena que, naquele momento, eu não conseguia mover um músculo; o braço de Ventogume me prendia com tal força que sentia suas garras afiadas penetrando minha carne, e meu ombro já estava dormente. Era como se todo o meu corpo estivesse subjugado por uma pressão esmagadora, sem a menor chance de resistência.

— Duoduo, fuja! — gritei, já ciente de que Ventogume não descansaria enquanto não me matasse. Eu havia destruído seu sangue vital, e os novecentos e noventa e nove corpos de mulheres decapitadas, depois de enterrados com arroz glutinoso ensopado em água benta e cinábrio, haviam se reduzido a pó, tornando-se inúteis para ele. Talvez fosse por isso que enlouquecera.

— Apenas um espírito yin... Foram vocês que esmagaram a cabeça do meu discípulo ontem à noite? — Sua voz era carregada de fúria.

Não respondi. Ventogume soltou uma gargalhada selvagem que fez tremer todo o espaço ao nosso redor. Senti a dormência se espalhar do ombro para o peito.

Duoduo, vendo aquilo, mordeu com força o braço que me segurava.

— Saia daqui! — rugiu Ventogume, lançando Duoduo a quatro ou cinco metros de distância. Avançou sobre mim, e pude ver claramente as quatro presas afiadas que surgiram em sua boca ensanguentada.

Cuspi sangue da língua, mordendo-a de propósito, e meu corpo estremeceu.

O corpo de Feng Luo tremeu ligeiramente. Aproveitei, recuei e mordi o dedo médio, desenhando um círculo na palma da mão. Quando estava prestes a tocar o centro da palma, Tio Oito Taéis cuspiu sangue e berrou:

— Sen, jamais ative a Maldição do Desastre!

— Morra! — Ventogume passou a mão no rosto, e o sangue da minha língua corroeu seu nariz.

— Ouse tocar meu marido, está pedindo para morrer! — De repente, um frio cortante tomou meu pulso direito e, num instante, a figura de Xiaodie apareceu ao meu lado, desferindo um tapa que arrancou metade do rosto de Ventogume.

Mesmo sendo apenas um espírito, ela parecia extremamente real diante de mim.

— Xiaodie! — exclamei.

— Marido, fuja com eles. Eu não vou aguentar por muito tempo! — disse ela.

— Xiaodie, você...

— Vá logo, e traga nosso filho do apartamento. Só a saliva dele pode dissolver esse tipo de rei dos mortos!

Assenti, lembrando da força do chute do meu filho na noite anterior, e senti-me mais confiante. Corri até Zhao Meio-Imortal e Chen Oito Taéis, ambos caídos e quase imóveis. Peguei rapidamente arroz glutinoso da mochila de Zhao Meio-Imortal, rasguei minha camisa e pressionei o arroz nos dois ferimentos já enegrecidos.

A dor lancinante quase me fez desmaiar.

Mas não havia tempo a perder. Pressionei mais arroz nas feridas e só então voltei a movimentar o braço. Fui até Tio Oito Taéis e despejei todo o arroz restante em seu abdômen.

Fumaça negra subiu dos ferimentos, e Tio Oito Taéis cerrou os punhos, suando em bicas, mas não gritou.

— Sen, rápido! Vamos sair daqui. Xiaodie está usando toda sua energia espiritual para manter a forma física, mas não vai durar muito. Depressa!

Assenti, ajudei Zhao Meio-Imortal e Chen Oito Taéis a se levantarem e coloquei Duoduo, coberta de sangue, dentro da mochila.

Quando dei alguns passos, vi Xiaodie ser arremessada a três metros de distância, mas ela não hesitou e voltou a voar, concentrando ao redor de si um turbilhão de energia espectral.

Seus olhos estavam vermelhos como sangue, e as unhas cresceram tão afiadas que rivalizavam com as de Ventogume.

— Vamos! — alertou Tio Oito Taéis.

Coloquei Zhao Meio-Imortal desmaiado nas costas e corri em direção à saída.

— Já disse que ninguém vai sair daqui hoje, nem vocês nem qualquer outra pessoa! — rugiu Ventogume atrás de nós. — Já que destruíram meu altar, serão usados para preenchê-lo!

Quando corri uns dez metros, aquela voz gélida ressoou atrás de mim. Meu coração gelou: será que Xiaodie já havia sido derrotada?

Antes que pudesse pensar, o chão à minha frente começou a tremer violentamente. Ventogume surgiu do subsolo, e, para meu espanto, seus ferimentos haviam desaparecido por completo.

— Isso não é bom, Sen! Leve Meio-Imortal e Duoduo, deixe o resto comigo. Quando eu atacar, fuja sem olhar para trás, entendeu?

— Não, Tio Oito Taéis, não temo a morte! — respondi. Diante de Ventogume, já sabia que não podíamos vencê-lo.

Todo mestre do yin-yang tem uma última cartada para se salvar, e senti que Tio Oito Taéis, com o olhar sereno, já estava pronto para o sacrifício. Eu não queria aceitar isso.

— Tio Oito Taéis, leve o Tio Zhao e deixe-me ativar a Maldição do Desastre!

A três metros de distância, Ventogume começou a regenerar a carne com rapidez assustadora. Só então percebi que aquele era seu verdadeiro corpo e poder; não imaginava que um rei dos mortos pudesse ser tão aterrorizante.

— Leve Meio-Imortal e Duoduo! — ordenou Tio Oito Taéis, com uma ponta de raiva na voz.

— Tio Oito Taéis, você prometeu que ainda me ensinaria as artes do yin-yang! — insisti, sem sair do lugar. Duoduo saiu da mochila e pousou no ombro dele.

— Que bela relação de mestre e discípulo. Serão todos parte do meu novo altar! Fiquem tranquilos, estarão juntos, nunca sentirão solidão... — zombou Ventogume, caminhando em nossa direção.

Naquele instante, não sentia mais medo algum. Segurei com força o pulso direito, onde estava o laço espiritual com Xiaodie, já completamente frio.

Bang!

No exato momento em que o rei dos mortos avançou, uma explosão o lançou a mais de dez metros de distância.

Logo avistei um homem corpulento de jaqueta do outro lado. No ombro, carregava um lança-granadas de calibre imenso, e ao lado dele estava um homem de meia-idade com uma espada de madeira de pessegueiro.

— Cong Feng! Velho Wu! — exclamou Chen Oito Taéis, aliviado ao ver os dois.

— Hahaha, Oito Taéis, sabia que você e Zhao Meio-Imortal não dariam conta. E aí, o novo Canhão Exterminador de Mortos que desenvolvi não é excelente? — Cong Feng pousou o canhão e caminhou até nós.

Wu Rongzhou se aproximou, pegou Zhao Meio-Imortal das minhas costas, tirou um talismã amarelo do bolso, fez um movimento rápido, acendeu uma chama carmesim e pressionou direto no ferimento abdominal de Chen Oito Taéis.

Chen Oito Taéis não aguentou e gritou, cambaleando nos braços de Wu Rongzhou.

— Jovem Yang Sen, quer tentar também? — perguntou Wu Rongzhou.

Balancei a cabeça imediatamente.

— Interessante, chegaram dois especialistas. Gosto disso! — Ventogume levantou-se do chão, com a carne recém-regenerada destroçada e o corpo coberto de sangue.

— É mesmo uma múmia de séculos! Velho Wu, leve todos embora, vou usar o Cadáver de Fogo para lidar com ele — disse Cong Feng.

Wu Rongzhou assentiu, colocou Zhao Meio-Imortal nas costas e passou Chen Oito Taéis para mim.

— Vamos! — ordenou.

Não hesitei. No instante em que demos o primeiro passo, Ventogume investiu contra nós em fúria.

— Fogo, ataque! — gritou Cong Feng.

De repente, o vento gelado ao redor ficou ainda mais forte. Vi uma sombra se mover; era mais rápida que tudo que já vira, até mais veloz que Tio Oito Taéis e Ventogume.

Antes mesmo que Ventogume se aproximasse, essa figura o agarrou e arremessou a mais de dez metros. Só então consegui ver seu rosto: usava roupas vermelhas, os olhos brilhavam como fogo, o rosto era todo desfigurado, as mãos negras como carvão. Estava descalço, com os pés negros como tinta.

— Fogo, esse morto-vivo é teu! — disse Cong Feng, recarregando o canhão.

O homem chamado Fogo apenas assentiu para Cong Feng e, num piscar de olhos, desapareceu...

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