Sob o Edifício 78

Apartamento do Além O jovem senhor da família Yang 3928 palavras 2026-02-09 14:12:42

A próxima parte do capítulo mais recente de Rocha Negra do Pavilhão foi atualizada. Senti uma mistura de curiosidade e nervosismo. Afinal, depois de tantas vezes entrando no Apartamento do Além, nunca imaginei que houvesse um andar "-1".

Movido pela curiosidade, pressionei o botão -1 com firmeza.

De repente, o elevador começou a se mover. Duoduo, pousada em meu ombro, estremeceu subitamente e, preocupada, disse: "Irmão, Duoduo tem um pressentimento ruim. A irmãzinha Xiaodie já me disse antes que não existem andares negativos neste Apartamento do Além."

Meu coração também oscilava entre inquietação e ansiedade, mas agora que o elevador já estava em movimento, fosse o que fosse que encontrássemos, só restava a coragem para encarar. Afinal, ainda estávamos no Apartamento do Além, e, aqui, eu deveria estar absolutamente seguro.

O elevador descia sem parar, mas eu não sentia qualquer mudança de peso. E, considerando que era só um andar abaixo do térreo, já não estava demorando demais?

Passaram-se vários minutos e o elevador continuava descendo.

"Duoduo..."

Chamei por Duoduo. Um medo começou a tomar conta de mim, lembrando exatamente a primeira vez que estive no Apartamento do Além, completamente sem saber o que esperar em seguida.

Olhei para o celular: onze horas.

"Irmão, estou sentindo muitas almas penadas, é assustador. O que fazemos agora?"

Duoduo, ainda em meu ombro, exibia no rosto um traço de pavor. Meu coração também se agitou. Tantas almas por aqui? Xiaodie e os outros não eram almas desse tipo? Já havia perguntado isso antes, mas Xiaodie nunca me respondeu diretamente.

O que haveria afinal sob o Apartamento do Além?

Por um instante, a curiosidade superou o medo em minha mente.

O elevador finalmente parou e, ao soar um "ding", as portas se abriram à minha frente.

Um vento gélido me envolveu, e um calafrio percorreu minha espinha. A temperatura ali devia estar abaixo de zero. Com Duoduo no ombro, saí do elevador e, logo ao olhar ao redor, deparei-me com rostos tão horrendos que quase me fizeram vomitar.

Talvez por possuir a Visão Yin-Yang, tudo que via era terrivelmente vívido. Mal saí do elevador, avistei dois espectros agachados não muito longe, levando à boca punhados de larvas fétidas, como se percebessem minha presença. Levantaram-se rapidamente e flutuaram para longe.

Não os segui, apenas esfreguei os olhos.

Cenas assim não eram para serem vistas de perto. Melhor evitar.

Ao abrir os olhos sem recorrer à Visão Yin-Yang, deparei-me com um longo corredor, repleto de iguarias dispostas em mesas — quase todos meus pratos favoritos. Mas, ao recordar o que acabara de presenciar, meu estômago revirou.

"Irmão, vamos", sugeriu Duoduo.

Assenti, pois já podia ouvir sons de algazarra vindos de dentro.

Impulsionado pela curiosidade, avancei passo a passo. Diante de mim, o ambiente era rústico, a iluminação formada por pedras de jade incrustadas no teto. Ainda bem que não usava a Visão Yin-Yang, ou quem sabe que horrores veria.

Bastou virar a esquina para ficar boquiaberto: um mercado noturno, não menos movimentado que os mais animados de Chengdu. Vendedores gritavam suas ofertas, "pessoas" iam e vinham, ora em brados de júbilo, ora devorando comida ou bebendo generosamente.

Ao entrar, alguns dos "presentes" que bebiam olharam para mim, perplexos e desconfiados.

Sorri, calado.

"Irmão, siga em frente. Sinto que o ponto mais carregado de energia maligna está adiante!" Duoduo sussurrou em meu ouvido.

Assenti e, por fim, esfreguei os olhos para ativar a Visão Yin-Yang.

Ao reabrir os olhos, quase vomitei com a cena. Os espectros à minha frente tinham aparências deformadas: uns sem cabeça, outros sem braços, corpos mutilados por toda parte. O que comiam era ainda mais grotesco: ratos assados nas brasas, pedaços de carne humana. As garrafas de bebida continham líquidos avermelhados, e, mais ao fundo, o chão estava tomado por larvas brancas e corpos putrefatos amontoados, em torno dos quais as larvas se moviam incessantemente.

Olhei ao redor — o espaço subterrâneo era imenso, do tamanho de vários campos de futebol. Por toda parte, corpos despedaçados, ossos e sombras errantes.

Continuei avançando, sentindo cada vez mais forte a energia maligna. Mas, juntamente a isso, vozes infantis ecoavam, surpreendentemente puras e limpas, diferentes de qualquer alma penada comum. Consegui ouvir até o que aprendiam: eram recitações de escrituras budistas.

A curiosidade cresceu ainda mais, e continuei na direção indicada por Duoduo.

À medida que avançava, os espectros que me viam tremiam de medo e abriam passagem, e atribuí essa reação à presença de Duoduo em meu ombro.

No fim do corredor, deparei-me com uma escada manchada de sangue. Já estava imune à visão de cadáveres em decomposição nas laterais.

As vozes infantis estavam cada vez mais próximas. Decidi descer para investigar e iniciei a descida.

Mas, ao dar poucos passos, uma enorme serpente, com mais de dez metros de comprimento, surgiu à minha frente. O corpo era de um verde intenso, a cabeça se projetou na minha direção, a língua longa se balançando, os olhos negros e sem traço de hostilidade.

"Você é o menino chamado Yang Sen?"

Dei vários passos para trás, assustado.

A serpente falante moveu-se, aproximando a cabeça e balançando a língua.

Naquele instante, um único pensamento me atravessou:

"Demônio-Serpente!"

Essa enorme serpente era um monstro capaz de falar, uma criatura sobrenatural. Embora o velho Dai já tivesse me falado sobre isso, vê-la com os próprios olhos era difícil de aceitar.

"O senhor já sabia que você viria hoje. Espere um pouco, quando as crianças terminarem a aula, levo você para vê-lo."

Como fiquei em silêncio, a serpente acrescentou:

Assenti, atônito, sem conseguir raciocinar direito.

Duoduo, também em meu ombro, estava igualmente paralisada.

Uma serpente falante era coisa de novela ou filme, mas agora estava diante de mim.

"Os céus veem e ouvem através do povo..."

Logo, o som de leituras infantis subiu do subsolo.

Aos poucos, recuperei a calma. Afinal, já estava ali, e a serpente não demonstrava hostilidade. Apesar de desconhecer quem era o "senhor" e como sabia meu nome, nada mais me surpreendia. Só me perguntava se, mais uma vez, minha avó preparara esse caminho para mim.

Ao lembrar das palavras de Zhu Bai na Vila do Campeão, um calafrio percorreu meu corpo.

Zhu Bai dissera que minha avó abrira o caminho, mas só dependia de mim o quanto eu conseguiria avançar.

Observando a grande serpente enrolada na escada, não pude deixar de sentir uma grande curiosidade pelo tal "senhor" de que falava.

"Irmão, Duoduo está com medo!"

Acariciei sua cabeça e disse: "Não tenha medo, Duoduo, estou aqui."

Não sei quanto tempo passou. Já lutava contra o sono quando uma voz soou:

"O senhor terminou a aula, venha comigo!"

Estremeci e levantei rapidamente.

Vi então as crianças subindo do corredor escuro, cada uma trazendo rolos feitos de pele humana, escritos com sangue, em diferentes tamanhos de letras.

Algumas tinham só um olho, outras faltava metade da cabeça, outras tinham o crânio achatado...

Ao subirem, todas reverenciavam a grande serpente, e ao verem Duoduo e eu, acenavam amigavelmente. Forcei um sorriso e retribuí o gesto.

Passaram por mim cerca de uma centena de crianças.

"Vamos, vou levá-lo até o senhor."

Assenti e segui a grande serpente.

"Com licença, posso perguntar quem é esse 'senhor' de quem fala?"

Após um tempo caminhando, criei coragem para perguntar.

A grande serpente parou, depois continuou:

"Também não sei o nome dele. Quando me acolheu, eu era apenas uma pequena serpente à beira da morte. Foi ele quem me ensinou a cultivar. Todos aqui o chamam de 'senhor'."

"As pessoas daqui?"

"Sim, de toda Chengdu. Mudamo-nos para cá faz décadas. Antes era uma montanha deserta. Depois virou escola, mas houve um incêndio e muitos morreram. A escola foi reformada, mas o terremoto a destruiu. Aos poucos, o local ficou conhecido como amaldiçoado. Transformaram os supermercados em crematórios e aqui virou depósito de lixo. Há dois anos, o Apartamento do Além se instalou, e desde então vivemos no subsolo."

A grande serpente explicava enquanto me guiava.

"E antes disso...?"

"Antes, eu e o senhor vagávamos por aí, à noite caçando espíritos malignos e instruindo os outros. Segundo ele, era para acumular méritos e buscar a redenção. Mas, desde que vieram para cá, não precisamos mais sair todas as noites, pois este lugar é o maior polo de energia yin de Chengdu, o mais desejado por todas as almas, mas nem todos podem entrar aqui. Estrangeiros então, impossível. Até o senhor só conseguiu se mudar para o Apartamento do Além há poucos dias."

As palavras da grande serpente me deixaram ainda mais pensativo. Ia perguntar mais quando uma luz tênue surgiu diante dos meus olhos...

"Chegamos!" A serpente virou-se, balançando a língua.

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