Cinquenta e nove não é suficiente para salvar.

Apartamento do Além O jovem senhor da família Yang 2939 palavras 2026-02-09 14:10:37

Após ouvir o relato do homem de terno e barriga avantajada, eu e o velho Dae começamos a compreender o que estava acontecendo.

Há mais de uma década, esse homem chamado Paulo Grandão, então apenas um membro de uma equipe de demolição de um pequeno empreiteiro, foi encarregado de um grande projeto. Porém, aquela região era um bairro antigo e havia alguns moradores irredutíveis. Paulo Grandão foi designado para remover uma área no oeste da cidade, onde uma família se recusava a sair, alegando que a indenização não era suficiente. Com o tempo, restou apenas essa família ali: os Li, cinco pessoas, um casal, um idoso e dois filhos pequenos.

A impossibilidade de demolir impedia o início das obras, deixando os investidores ansiosos. Alguns sugeriram dobrar a indenização, mas outros, mais rígidos, recusaram-se a pagar e passaram a tarefa para Paulo Grandão.

Ele sabia que seria difícil, mas, querendo se mostrar, aceitou o desafio e garantiu que concluiria em três dias. Depois de dois dias de espera sem resultados, pressionado pelos superiores, decidiu por uma demolição forçada.

Naquele dia, a família dormia após o almoço, sob o sol forte. Paulo Grandão e sua equipe iniciaram a demolição abruptamente, enterrando todos sob os escombros. Depois, ele inventou uma desculpa, não houve consequências, apenas pagou uma quantia aos parentes da família, que aceitaram e não fizeram mais perguntas.

— Então, todos morreram? — perguntou o velho Dae, entregando o pequeno Vane para mim.

Paulo Grandão assentiu, mas depois balançou a cabeça:

— Parece que o filho deles estava na escola naquele dia, então não morreu. Porém, depois esse menino sumiu. Achamos que, resolvendo as questões com os superiores, tudo ficaria bem... mas não foi assim.

— Você está colhendo o que plantou. Deixa eu te perguntar: depois desse episódio, você rapidamente prosperou, não foi?

Paulo Grandão sorriu e confirmou:

— De fato, após esse incidente, fiquei escondido por um ano, mas então os grandes empresários me promoveram. Hoje, estou no mesmo patamar que eles, com patrimônio de centenas de milhões.

Falando de sua carreira, Paulo Grandão estava exultante.

— E ainda se orgulha disso? Orgulho de quê? Tudo isso é uma armadilha! Você sabe o que significa "destino sombrio e calamidade luminosa"?

Paulo Grandão balançou a cabeça, e eu fiquei curioso.

— É simples: significa que o restante de sua vida e sorte foi condensado, fazendo com que você consuma dois, três, até quatro anos de sorte em um só. Quanto melhor sua sorte, mais rápido chega sua morte!

Ao ouvir isso, Paulo Grandão ficou tão assustado que quase não se sustentou em pé.

— E seu filho está na mesma situação. Você destruiu uma família, acha que vão te perdoar facilmente? Por ora, não mexa no menino, feche as cortinas, jamais abra as folhas da bananeira, senão seu filho morrerá sem dúvida.

Paulo Grandão assentiu freneticamente.

— Mestre, então eu...

— Não há salvação para você. Vou tentar salvar seu filho, que é inocente, mas só poderei fazer algo depois de encontrarmos o menino Li daquela época.

Dae terminou e foi sair.

— Mestres, preparei refeição e bebida. Por que não almoçam antes de ir? Já é meio-dia!

O velho Dae nem pensou e assentiu, voltando-se para mim:

— Jovem Yansen, venha comigo um instante!

Enquanto Paulo Grandão providenciava o almoço, fui com Dae ao banheiro. Ele usou o sanitário e, lavando as mãos, disse:

— Paulo Grandão e o filho estão condenados, não há salvação. Uma pena por todo esse patrimônio!

Eu, intrigado, perguntei:

— Mas Dae, você não disse que podia salvar o menino?

— Salvar o quê? Você não percebeu que, ao enrolar as folhas de bananeira, só restava pele e osso no garoto?

— Não reparei nisso, mas senti que sua pele tinha contornos bem definidos.

Na hora que toquei, fiquei surpreso. Agora, ouvindo Dae, senti um calafrio e, antes que ele falasse, continuei:

— Isso é... assassinato impiedoso?

Dae assentiu:

— Pelo nome, Paulo Grandão já era um capanga. Chegou onde está tudo graças ao menino Li daquela época. Dez anos atrás, ele ainda estudava. Se não me engano, esse menino também entende do oculto.

Fiquei perplexo.

— Vamos, comamos e partamos logo. Esse lugar é sinistro. Paulo Grandão morrerá esta noite, não há salvação!

Senti-me desconfortável com isso.

— Dae, não é certo. Você já recebeu o dinheiro deles. Mesmo que não consiga resolver, deveria avisá-los, não é?

Dae revirou os olhos e disse:

— Você realmente acha que é um novato. Se soubesse o quanto isso é complicado, pensaria diferente. Nosso escritório de longevidade tem duas grandes tarefas: resolver Chen e deter o sacerdote de madeira. Se quiser cuidar dessas pequenas, faça como quiser, mas não diga que não te avisei: se acabar envolvido, não me culpe!

— Cuido, então cuido! — retruquei.

O menino em meus braços me mostrou um polegar levantado. Fiquei sem saber se me elogiava ou zombava de mim.

Imagine: se seu filho, recém-nascido, já te chama de papai, o que sentiria? Mesmo que não fale, sua postura é de um sábio experiente. Dá medo só de pensar.

Após o almoço, Dae arranjou uma desculpa e partiu, recomendando-me solenemente a Paulo Grandão, dizendo que eu poderia curar seu filho. Quanto aos problemas dele, não estavam dentro do pagamento; se quisesse minha ajuda, teria que pagar mais.

Assim que Dae saiu, Paulo Grandão sacou um cheque, preencheu com um milhão e me entregou:

— Jovem mestre, sei que cuidar de criança não é fácil. Um milhão é pouco, aceite, por favor.

Peguei, tremendo um pouco, e guardei no bolso. Sinceramente, nunca vi tanto dinheiro. De repente, era um milionário.

— Jovem mestre, peço que dedique atenção a mim e ao meu filho...

Assenti, fingindo calma, e fui sozinho ao quarto do menino.

Por dentro, estava eufórico, pensando em como seria ver um milhão em espécie.

Mas, ao entrar, meu rosto mudou completamente.

O menino, antes enrolado nas folhas de bananeira, não estava deitado na cama, mas flutuava no ar, assustando-me. Da folha, emanava um fluxo de fumaça negra.

Se nem as folhas de bananeira seguram suas três almas e sete espíritos, percebi que tudo estava errado.

Chamei rapidamente Dodo.

— Dodo, veja: há salvação para este menino?

Estava nervoso, a excitação desaparecera. Maldito! Por que Dae não deixou ferramentas? Agora, sem nem uma espada de madeira de pessegueiro, não poderia fazer nada.

— Irmão, este menino teve seu destino trocado por magia de palha. Restam-lhe apenas uma alma e um espírito; chances de sobreviver são mínimas, sua vida já foi consumida.

Ao ouvir Dodo, fiquei sem palavras.

Agora entendia porque Dae fugiu após o almoço: era um problema insolúvel.

— Mas, irmão, se encontrar quem lançou o feitiço, talvez consiga salvar o menino!

Havia uma tênue esperança. Difícil encontrar tal pessoa, mas melhor que nada.

Corri ao menino, segurei-o e Dodo soprou-lhe um hálito espectral.

Imediatamente, fumaça negra brotou do corpo. Rasguei as folhas de bananeira e abri sua roupa.

Bastou um olhar para ficar pálido.

Sob a roupa, só havia palha ensanguentada...