Capítulo Nove: Outra Transformação no Espaço
O zumbido cortante da nave do emissário ressoou velozmente, e em poucos instantes já pairava sobre a cabeça de Xiao Hua. O emissário, impaciente, saltou do veículo voador, e com um gesto largo da mão, uma intensa luz prateada irrompeu, selando de imediato o espaço ao redor de Xiao Hua. Contudo, ao ouvir Xiao Hua chamá-lo de irmão sênior, não pôde evitar um breve sobressalto.
Um rugido feroz ecoou de repente: a besta-leopardo de pelagem verde-escura bradou com fúria, expelindo um turbilhão pela boca enquanto avançava sobre nuvens negras.
— O quê? Uma besta-leopardo das Nuvens Azuis? — Só então o emissário percebeu a presença do animal, oculto sob a luz lunática esverdeada. Surpreso e ao mesmo tempo satisfeito, exclamou em voz baixa. Com a outra mão, lançou ao céu uma corda celestial, pronunciando palavras arcanas e apontando com um dedo: — Rápido...
Diante de seus olhos, a corda celestial transformou-se em uma serpente de luz, disparando feixes luminosos em direção à besta-leopardo das Nuvens Azuis. O emissário não se atreveu a vacilar e, novamente, esfregou as mãos, preparando-se para lançar um poderoso feitiço celestial. Foi nesse instante que se deu conta de algo, olhando ao redor, mas Xiao Hua já não estava em lugar algum.
— Maldito ascendente, é realmente astuto demais! — rosnou entre dentes, praguejando. — Assim que eu subjugar essa besta-leopardo, irei atrás de você. Não acredito que, sendo um oficial celestial, não consiga capturar um ascendente de nível tão baixo!
Trovões ribombaram enquanto o emissário manipulava as mãos; centenas de runas prateadas voaram de seus dedos, assumindo a forma de relâmpagos que investiam contra a besta-leopardo das Nuvens Azuis, como se esta fosse o verdadeiro irmão de Xiao Hua.
E para onde foi Xiao Hua? Diante de um emissário impossível de enfrentar e de uma fera selvagem, só lhe restava desaparecer o quanto antes.
Desta vez, mal Xiao Hua adentrou a cortina de luz, sentiu que seu corpo de bebê primordial quase colapsava; não ousou permanecer e saiu da luz às pressas. Por sorte, emergiu entre montanhas de dez mil metros de altura. Embora houvesse rugidos de feras ao redor, à primeira vista não se via nenhuma criatura perigosa.
Contemplando as montanhas inacessíveis, Xiao Hua teve um lampejo de inspiração. Rapidamente ativou o passo etéreo, subindo velozmente até um penhasco e arremessando-se para dentro de uma caverna.
De fato, a luz verde-lunar não incidia diretamente ali, e a dor lancinante diminuiu. Apesar de ainda sentir queimaduras na pele, eram toleráveis.
— Ah, como não pensei nisso antes, sendo tão simples? — lamentou Xiao Hua. — Parece que preciso trocar de cabeça! Na verdade, eu, que fui grande mestre do Portão da Criação no mundo inferior, Supremo das Quatro Divisões, agora sou apenas um bebê primordial neste mundo celestial. Afinal, todos os imortais vieram como supremos. Se quero sobreviver, melhor agir com cautela, escondendo o orgulho até ter força suficiente para me erguer diante do mundo!
Pensando no Portão da Criação, Xiao Hua logo recordou a Princesa Zixia e os discípulos do portão em Shenhua. Desde que atravessou a tribulação, estava em fuga, apenas retirando artefatos do espaço sem jamais conferir a situação interna. Agora, com um momento de folga, a saudade falou mais alto e ele logo mergulhou sua mente no espaço.
Assim que sua consciência entrou, relâmpagos e trovões ribombaram em todo o espaço. Incontáveis feixes multicoloridos e ondas de ritmos variados partiram do corpo de jade de Xiao Hua, colidindo freneticamente com todos os compartimentos formados e inacabados do espaço, fazendo-o tremer intensamente. Novas mutações surgiam em todas as partes; o plano da Terra de Shenhua expandia-se rapidamente, e ao seu redor, outros espaços recém-formados também cresciam como balões inflados, ainda que em ritmo mais lento que Shenhua. Logo, cessaram de crescer, mas, ao contrário da Terra de Shenhua, suas barreiras vibravam com ondas misteriosas, tornando-se ainda mais enigmáticas.
O Xiao Hua de jade, de olhos fechados e sorriso no rosto, sentava-se em meditação profunda, absorvendo a essência das mudanças. Os mais de cem bebês feridos não tinham entrado na Terra de Shenhua, mas se dispunham em volta dele, parecendo-se com linhas de uma mesma peça de jade.
Não se sabe quanto tempo passou até que as anomalias cessaram. Xiao Hua de jade abriu os olhos, viu os demais ainda em meditação e, sem perturbá-los, desceu em direção à Terra de Shenhua. No entanto, ao tocar a barreira da Terra de Shenhua, sentiu sua alma escapar do corpo!
Pois, naquele espaço onde era quase onipotente, Xiao Hua de jade não conseguia atravessar a barreira da Terra de Shenhua! Quanto ao lado sombrio do espaço, onde estavam Xue Xue e Wunai, nem pensar.
— Como pode ser? Eu não consigo entrar? — murmurou, perplexo. Logo, como se despertasse de um sonho, ergueu a mão, criando um espelho diante de si, mas antes mesmo de olhar...
Luzes cintilaram dentro da Terra de Shenhua e dezenas de objetos voaram, caindo em um dos espaços recém-formados!
— O que está acontecendo? Consigo sentir o poder da fé dentro da Terra de Shenhua, mas não posso entrar. Quem sabe como estão Zixia e os outros lá dentro? — Xiao Hua de jade franziu o cenho. Lembrava bem que aquele espaço nascera do que conquistara no mundo superior; ao enviar artefatos do Palácio Estelar, todos iam para ali. Era um espaço manifestamente superior à Terra de Shenhua!
Sem tempo para examinar o novo espaço, voltou-se para o espelho e, ao ver a própria imagem, ofegou assustado: sua forma, antes uma peça completa de jade, era agora apenas o núcleo, ou talvez apenas uma fração do original, o restante esboçando-se de maneira etérea.
— Maldição! — entendeu Xiao Hua de jade. — Foi por causa da separação do Mestre do Trovão, do Xamã e dos outros! — praguejou em silêncio.
Passado o choque, fitou o céu estrelado, onde o Dao Celeste ainda era uma nebulosa e a mão do carma pairava como uma manifestação de si mesmo. Pensou, de olhos semicerrados: — Parece que, para rever Zixia, ou reúno todos os meus avatares, ou ela mesma alcança a ascensão da Terra de Shenhua para o mundo celestial deste espaço. Unir-me ao Mestre do Trovão e aos outros não é impossível, mas não faço ideia de como fundi-los! E para Zixia ascender, preciso abrir a passagem para o mundo celestial antes que ela complete seu cultivo. Mas, com os poderes que tenho, não faço ideia de como construir tal passagem!
— Ao que tudo indica, para ver Zixia, terei de me aperfeiçoar mais, competindo com o tempo! Ah, por que o destino é tão cruel comigo?
Depois de refletir, tentou novamente e, de fato, com a peça de jade fragmentada, não pôde entrar na Terra de Shenhua, seus poderes estavam limitados e parecia não poder mais controlar todo o espaço, apenas parte dele!
— Se é assim, como consegui retirar minha barra Ruyi, o Espelho Kunlun e outros itens da Terra de Shenhua? — não conseguia entender. Voltou ao espaço físico, pensando em Zixia, mas por mais que se esforçasse, ela não saía da Terra de Shenhua.
De novo, sua mente mergulhou no espaço e, em forma de jade quebrado, adentrou o espaço recém-formado.
Era uma extensão de cerca de dez mil léguas, semelhante à Terra de Shenhua quando se formou. No céu, entre o Altar da Decapitação e o sol ardente formado pela pulseira, relâmpagos dançavam e luzes ainda mais intensas iluminavam tudo. Ao lado, a chama da Semente de Lótus Sagrada, carregando as compreensões de Xu Zhi, rivalizava em brilho com a pulseira. O solo era uma planície sem vales, montanhas ou rios; a barra Ruyi, o Espelho Kunlun e outros itens repousavam ali.
Para surpresa de Xiao Hua de jade, Xiao Huang e Xiao Hei, até mesmo a borboleta dos sonhos e Xiao Lei, todos haviam saído da Terra de Shenhua, envolvidos em ondas invisíveis, deitados num recanto. Os equipamentos e armaduras celestiais enviados antes estavam empilhados em ordem, e as ervas celestiais desaparecidas cresciam intactas no chão.
Depois de observar por um tempo, Xiao Hua de jade compreendeu: — Agora entendo. Tudo o que refinei ou que tem relação com meu sangue pode me acompanhar até este espaço paralelo ao mundo celestial, mas nada disso pertence de fato ao plano celestial. Preciso encontrar um jeito de despertá-los.
— Quanto aos artefatos e armas celestiais, posso usá-los diretamente! Pena que ousaria? Assim que cheguei ao mundo celestial, fui alvo de uma armadilha justamente por causa destes objetos. Mas nunca admitirei, nem sob ameaça de morte!
Com isso, Xiao Hua de jade dirigiu-se ao sol ardente formado pela pulseira, fitando-o com olhos semicerrados. Seu domínio de se ocultar na luz já estava consolidado; embora não conseguisse definir a direção nem controlar a distância, já era um progresso. Essa habilidade vinha toda da prática das Sete Cores Ósseas, cuja técnica obtivera ao vislumbrar a sombra da pulseira. Quanto ao próximo passo, só investigando os mistérios desse artefato.
Mas, mal começou a meditar sobre a pulseira, um tremor inexplicável sacudiu-lhe o coração. Pressentiu perigo e apressou-se em sair do espaço.
Assim que retornou à consciência, sentiu uma poderosa percepção varrendo o local como uma onda avassaladora. Xiao Hua ficou alarmado, olhou em volta procurando escapar, mas ao ver a escuridão logo atrás, teve uma ideia: rapidamente tirou do espaço um urso, pegou uma arma celestial em forma de adaga, rasgou o ventre do animal, retirou os órgãos ensanguentados e, encolhendo o corpo de bebê primordial, esgueirou-se para dentro!
Mal terminara tudo isso, a percepção atravessou a caverna, fazendo seu coração disparar ao perceber que detectara o urso e demorara-se sobre ele antes de finalmente se afastar, trovejante.
— Que susto! — Xiao Hua respirou aliviado, pronto para sair do sangue coagulado, quando ouviu um estrondo na entrada da caverna. O susto foi tanto que nem ousou mexer um dedo...
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