Capítulo Trinta e Quatro: Os Dois Imortais Esquecidos da Família Chi

A Jornada do Cultivo: Capítulo do Mundo Celestial Pequeno Duan, o laureado explorador 3419 palavras 2026-02-07 11:35:55

— Segundo irmão, segundo irmão! — exclamou Chi Xiaoxia, radiante de alegria. — Você... você voltou? Como... como não ouvi o papai mencionar nada?

Chi Xiaoxia impulsionou o corpo e voou em direção ao imortal, querendo abraçá-lo. No entanto, embora o brilho prateado ao redor do imortal tivesse se retraído, a imposição da proteção prateada ainda o mantinha afastado, impedindo-o de se aproximar.

— Ha ha... — O imortal deu uma gargalhada enquanto batia de leve com a mão na própria testa. Em sua testa, uma marca celestial brilhou e logo desapareceu, e os fios prateados ao redor de seu corpo se dissiparam lentamente. Sem eles, o corpo do imortal foi diminuindo até parar bem próximo a Chi Xiaoxia. Seu rosto delicado e elegante, de traços cultos e belos, era totalmente diferente do de Chi Xiaoxia — não era outro senão seu segundo irmão, Chi Zhicheng.

— Caçula! — Chi Zhicheng abriu os braços, chamando-o. — Já faz um ciclo inteiro que não nos vemos, e vejo que você progrediu bastante em seu cultivo!

— Ha ha... — Chi Xiaoxia se lançou para abraçar Chi Zhicheng, rindo. — Segundo irmão, mesmo que eu continue cultivando, acho difícil alcançar você!

— Ora, você consegue sim! — Chi Zhicheng bateu no ombro do irmão, sorrindo. — Você é meu irmão, se não for você, quem será?

— Tem razão! — Chi Xiaoxia soltou o irmão, orgulhoso. — Quando eu também marcar minha cicatriz celestial, seremos três imortais na família e papai finalmente realizará seu antigo desejo! Ah, segundo irmão, por que você voltou hoje para Helanquê?

— Papai enviou uma mensagem, dizendo que era hora de homenagear mamãe. Você não sabia? — Chi Zhicheng olhou intrigado para o caçula. — Imagino que o irmão mais velho também já tenha voltado, não?

— Bem... — Chi Xiaoxia desviou o olhar, percebendo que o pai queria fazer uma cerimônia para a mãe antes de partir de Helanquê, mas como havia ocorrido uma mudança estranha recentemente, ele não fora avisado. Então, suavizou o tom e respondeu: — Segundo irmão, você sabe como é, sempre estou por perto de papai, diferente de vocês; basta me chamar que estou pronto, não precisa avisar antes.

— Ai, mais um ciclo se passou, o tempo voa... — Chi Zhicheng semicerrava os olhos, contemplando Helanquê ao longe e murmurando — Ainda lembro claramente da última vez que homenageamos mamãe.

Xia Cheng, hesitante, só se aproximou quando percebeu que os irmãos já haviam terminado de conversar. Fez uma reverência, respeitoso:

— Saúdo o segundo jovem senhor...

— Pode levantar — Chi Zhicheng acenou com a manga. — Somos todos parentes do general celestial de Helanquê, jamais faríamos algo que prejudicasse este lugar.

— Segundo jovem senhor... — Xia Cheng fez uma careta. — O senhor é um imortal, eu deveria chamá-lo de excelência, mas, por proximidade, ouso tratá-lo assim. Para ser franco, assinei uma ordem de morte diante do senhor do condado celestial: nenhum imortal pode passar sem ser vistoriado. Até mesmo o jovem senhor mais velho, ao retornar, foi inspecionado.

— Ah, o irmão mais velho também foi inspecionado? — Chi Zhicheng franziu a testa. — Quando ele voltou?

— Deve ter sido antes do Dia dos Quatro Elementos! — Xia Cheng respondeu apressado. — No início, o jovem senhor mais velho também relutou, mas depois chamei o comandante de arqueiros, só então ele se deixou examinar. Se os senhores duvidarem, podem pedir ao comandante em pessoa...

— Caçula! — Chi Zhicheng pensou um pouco e voltou-se para Chi Xiaoxia. — Já que o irmão mais velho foi inspecionado, nós também podemos deixar Xia Cheng nos examinar, é só uma formalidade!

— Bem... — Chi Xiaoxia hesitou, ponderando se deveria revelar toda a verdade ao segundo irmão. Chi Zhicheng, percebendo a hesitação, conhecendo o temperamento do caçula, sorriu: — Vou primeiro, você vem logo em seguida!

— Segundo irmão... — Chi Xiaoxia tentou avisar: — Eu... eu...

O que seria “Eu tenho algo importante para te dizer” se condensou num único som à medida que Chi Zhicheng atravessava o véu luminoso diante do rio de gelo.

Enquanto voava, o barco de jade que o acompanhava também encolheu, seguindo-o.

— Isso vai dar problema... — Chi Xiaoxia estava ansioso, pois sabia que, embora Xia Cheng dissesse que era rotina, algo estranho havia naquele véu luminoso, não era apenas para proibir espíritos, mas deveria barrar a entrada de qualquer coisa relacionada ao Gelo do Norte.

— E agora? — Chi Xiaoxia retornou ao grande barco dourado, pensando consigo mesmo.

— Senhor Chi... — Nesse momento, chegou-lhe a transmissão de Xiao Hua. — Entregue primeiro o jade verde a mim; quando estivermos lá dentro, eu devolvo.

— Você... — Chi Xiaoxia ficou feliz e respondeu também por transmissão: — Você tem confiança de passar?

— Sim, não deve haver problema — respondeu Xiao Hua.

Restava a Chi Xiaoxia apenas confiar nele. Apressou-se para entrar na cabine; ao ver o tio Qiu recolhendo o bastão com o comando, mudou de ideia rapidamente e ordenou:

— Tio Qiu, deixe tudo como está!

— Está bem... — Tio Qiu, achando que o jovem estava de mau humor, não teve escolha senão concordar.

Chi Xiaoxia entrou na cabine e logo voltou, postando-se à proa, olhando friamente para o véu de luz diante do rio de gelo:

— Hmph! Vou passar assim mesmo, que me inspecionem!

— Terceiro jovem senhor... — Xia Cheng, vendo que o barco dourado não diminuía e que Chi Xiaoxia não descia, voou até ele, forçando um sorriso. — Vai passar assim mesmo?

— Claro, qual o problema? — Chi Xiaoxia revirou os olhos. — Fui caçar em Yunmengze, tive cãibras e não posso andar, só posso ficar no barco. E meus criados também estão travados...

— Hehe, sem problema... — Xia Cheng sorriu amarelo. — O senhor pode ficar no barco com o capitão Xiong.

Enquanto falavam, o grande barco dourado aproximava-se do véu de luz, que reluziu ainda mais, englobando o barco inteiro; o comando colorido logo perdeu a cor dentro daquele brilho esverdeado.

O barco dourado atravessou o véu; Chi Xiaoxia sentiu um frio ao redor do corpo e virou-se discretamente para a cabine. Viu o local onde Xiao Hua estava passar sem novidades e finalmente relaxou.

— Cof, cof... — Assim que passaram, Xia Cheng pigarreou: — Terceiro jovem senhor, já estamos dentro da formação de defesa de Helanquê. Não convém manter o barco assim, senão seu pai será... novamente repreendido pelo senhor do condado celestial!

— Bah! — Chi Xiaoxia, sentindo a ferida exposta, ficou furioso. — Precisa da sua opinião sobre o que faço?

Xia Cheng sorriu de leve e voou para longe, sumindo além do véu. Ao lado, Xiong Fei murmurou:

— Jovem senhor, isso foi uma provocação!

— Você acha que sou tolo? — Chi Xiaoxia bufou. — É proibido navegar sob Helanquê, e quem desobedecer perde a cabeça! Essa é a ordem de Jade Verde; eu jamais desafiarei. Tio Qiu, recolha o comando e o barco, vamos!

Chi Xiaoxia, acompanhado de tio Qiu e os outros, chegou ao rio de gelo. Chi Zhicheng já os esperava. Tio Qiu, Xiong Fei e Liu Xiao foram cumprimentá-lo, e os criados de Chi Zhicheng também saudaram Chi Xiaoxia. Ao ver Xiao Hua parado ao longe, Chi Zhicheng nada disse.

— Segundo irmão... — Chi Xiaoxia despachou rapidamente os criados e questionou impaciente: — Por que ainda não entramos?

— Enviei mensagem ao irmão mais velho, aguardando sua saída!

— Haha, eu sabia! — Chi Xiaoxia arqueou as sobrancelhas. — Quando foi que o segundo irmão ficou tão certinho?

— Vai pro seu lugar! — Chi Zhicheng lançou-lhe um olhar. — Quando foi que não fui correto?

E advertiu:

— Lembre-se, caçula! Aqui não é como Helanquê, onde temos papai. Fora daqui, dependerá de você. Quando sair para treinar, seja sempre cauteloso e jamais arrogante!

— Já sei, já sei! — Chi Xiaoxia, impaciente, respondeu: — Mal voltou e já está chato, melhor se não tivesse voltado!

Chi Zhicheng apenas olhou para Chi Xiaoxia com ternura e sorriu, sem dizer mais nada.

Xiao Hua, de canto, observava as saudações, mas seu olhar fixava-se no rio de gelo. Ali, o som de tambores cessara, mas o rio ainda cobria céu e terra, e blocos de gelo de vários tamanhos despencavam como meteoros, causando estrondo assustador.

Enquanto Xiao Hua observava, enormes blocos de gelo começaram a parar, e, quando se juntaram em certa quantidade, um estrondo ecoou, centenas de blocos de gelo se desprenderam do rio e se alinharam, formando uma ponte de gelo aos pés de Chi Zhicheng e dos demais.

Logo em seguida, um imortal vestindo armadura de bronze, acompanhado de alguns, voou pela ponte. Tinha um rosto quadrado, expressão austera — era Chi Yuxing, o irmão mais velho de Chi Xiaoxia.

— Irmão mais velho... — Chi Xiaoxia e Chi Zhicheng avançaram rapidamente e cumprimentaram-no curvando-se.

— Hmm... — Chi Yuxing, sem grande emoção, ajudou-os a levantar. — Levantem-se. Faz um ciclo que não nos vemos, estão bem.

— Obrigado pelo elogio, irmão mais velho! — Chi Zhicheng respondeu sorrindo.

Mas Chi Xiaoxia retrucou:

— Irmão, lembro que na última vez que voltou, eu não lhe devia três cristais imortais comuns, não é?

— Não devia, por quê? — Chi Yuxing estranhou.

— Se não devia, por que essa cara fechada? Não pode sorrir?

— Hehe... — Chi Yuxing forçou um sorriso, que mais parecia choro.

— Deixa pra lá... — Chi Xiaoxia balançou a mão. — Esquece o que eu disse.

— Hahahaha... — Chi Zhicheng caiu na risada. — Caçula, só você mesmo. Nem papai faria o irmão mais velho sorrir!

— Saudações, jovem senhor! — Tio Qiu e os outros vieram saudar Chi Yuxing; não é preciso detalhar. Quando já estavam na ponte de gelo, Chi Xiaoxia perguntou de repente:

— Segundo irmão, você não contou ao papai que eu voltei, né?

— Não — Chi Zhicheng se surpreendeu. — Papai não sabe que você voltou?

— Hehehe... — Chi Xiaoxia sorriu misterioso. — Quero dar uma surpresa ao papai!

— Surpresa? — Chi Zhicheng e Chi Yuxing franziram o cenho, olhando de relance para Xiao Hua, e quase em uníssono suspiraram: — Não precisa de surpresas, só queremos tranquilidade!

Chi Xiaoxia revirou os olhos, ignorando-os; seu orgulho estava inflado, ansioso para se exibir diante do pai.

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