Capítulo Oito: Irmão Mais Velho, Salve-me

A Jornada do Cultivo: Capítulo do Mundo Celestial Pequeno Duan, o laureado explorador 3361 palavras 2026-02-07 11:35:36

— Senhor, está a brincar! — O imortal de sobrenome Zhuo ficou surpreso e apressou-se a explicar: — Segundo as regras do nosso clã, como poderia um simples discípulo externo assumir tamanha responsabilidade em uma comarca celestial? Meu desejo é apenas conseguir um posto de arqueiro montado, para que, ao retornar ao clã, possa receber algum reconhecimento e, assim, ter a chance de ser promovido a discípulo interno.

A mulher não respondeu de imediato, mas permaneceu fitando o imortal Zhuo, deixando-o suando frio pelas costas. Passado um bom tempo, ela finalmente disse:

— O arqueiro montado Chi tem consideração por você. Na última vez, inclusive, recomendou-o perante esta comarca.

O imortal Zhuo ficou ainda mais sem jeito, sentindo o rosto esquentar, e apressou-se a dizer:

— Senhora da comarca, também respeito muito o arqueiro montado, porém, quanto aos seus três filhos...

Antes que Zhuo terminasse, a mulher ergueu a mão e o interrompeu:

— Eu sei. A transferência de Chi é inevitável. Não me refiro aos seus três filhos, mas ele já está aqui há muitos anos, está na hora de ir. Fique tranquilo, já tomei nota do seu caso.

— Obrigado, senhora da comarca! — O imortal Zhuo, radiante, fez uma reverência e partiu às pressas, voando.

A figura feminina desceu suavemente, fitando os lampejos incessantes de luz dentro do pavilhão, elevou o olhar para a lua delicada pendurada no céu outonal e suspirou antes de partir voando sozinha.

Não demorou muito para que ela retornasse com um cristal em mãos. Imersa em pensamentos, conferiu novamente o conteúdo do cristal, e murmurou, intrigada:

— Uma arte proibida foi detectada nas proximidades sob a jurisdição desta comarca? Que estranho... Haveria mesmo um espírito praticando artes proibidas no Pântano dos Sonhos das Nuvens?

Refletindo, ela fez um gesto com a mão e o cristal voou para dentro do pavilhão. Logo, a luz se apagou e o cristal retornou para sua mão. Ao vê-lo, seu semblante mudou levemente e ela murmurou:

— Como pode ser perto do antigo Salão de Recepção de Espíritos, agora abandonado? Sendo lá, mesmo que eu não queira, terei de ir!

Sem ousar perder tempo, apanhou o cristal e partiu. Cerca de meia hora depois, um clarão cruzou o céu, e podia-se distinguir uma nave cortando o ar em direção ao Pântano dos Sonhos das Nuvens.

Xiao Hua não fazia ideia de que estava se metendo em mais confusão. Percorreu quase mil li em disparada, encontrando várias criaturas imortais pelo caminho. Contudo, a maioria delas era fraca demais e ele as capturou, marcando-as com seu selo e guardando-as no espaço próprio.

Sentindo que a dor lancinante nas costas aumentava, Xiao Hua percebeu que o efeito do fruto verde estava passando. Por isso, retirou de seu espaço alguns frutos imortais recém-colhidos e desconhecidos, degustando-os. Sentiu a energia espiritual sendo absorvida diretamente pela boca e, sem hesitar, ativou novamente sua técnica de fuga luminosa.

Quando saiu do lampejo de luz, antes mesmo de reconhecer o entorno, foi surpreendido por uivos animalescos ensurdecedores e, simultaneamente, uma rajada cortante de vento atingiu seu peito. Sem tempo para pensar, girou o corpo. Com um ruído agudo, sentiu uma dor terrível no peito: uma vasta área de sua carapaça havia sido brutalmente arrancada! Diferente de um corpo comum, a superfície do corpo do espírito não sangrava; o que se via eram veios cristalinos partidos e runas distorcidas, mas a dor não era menor — ao contrário, sob a luz da lua verde-escura, parecia que milhares de pequenas lâminas se cravavam profundamente em sua carne.

— Maldição! — rosnou Xiao Hua, entre os dentes. Seu corpo caiu no ar. Sem se preocupar em observar o ambiente, virou-se rapidamente e viu uma besta imortal negra, semelhante a uma pantera de quase cem metros, olhando curiosa para a própria pata. Do outro lado, uma besta imortal de porte semelhante, com aspecto de urso e pelagem amarelada, fitava Xiao Hua com olhos vermelhos de ódio.

— Urr... — A pantera imortal pareceu compreender de repente, soltou um rosnado satisfeito, abriu a boca e, com um puxão, engoliu a parte cristalina arrancada do corpo de Xiao Hua. Até lambeu as patas, com evidente prazer.

— Roooar... — Antes que a pantera pudesse levantar a cabeça, o urso rugiu furioso, lançando um raio de luz amarela e arremetendo contra Xiao Hua, como se este fosse seu inimigo mortal.

— Está de brincadeira? — Xiao Hua coçou a cabeça, resmungando — Será que você é parente daquele sapo horrendo?

O urso enfurecido chamou a atenção da pantera, que também se voltou. Quase ao mesmo tempo, ambas rugiram. A pantera impulsionou-se no ar, lançando chamas negras de sua boca na direção de Xiao Hua.

Vendo-se cercado, Xiao Hua sabia que o Bastão dos Desejos não seria suficiente. Rapidamente, brandiu ambas as mãos e sacou o Espelho de Kunlun e o Espelho Celestial, colocando-os à frente sem tempo para ativá-los.

— Boom! Boom! — Quase simultaneamente, uma força colossal atingiu os instrumentos nas mãos de Xiao Hua, surpreendendo-o com tamanha potência. Seus braços tremeram e ele foi arremessado para longe.

— Bang! — Xiao Hua voou por mais de cem metros até colidir contra algo macio.

— Puff... — Sentiu um líquido viscoso espirrar em suas costas, molhando-o.

— O que é isso? — O aroma adocicado quase o embriagou e, quando ia se virar, o rugido furioso da pantera ecoou. Ela, mais irritada, ergueu um halo negro sob as patas e lançou-se novamente sobre ele.

Xiao Hua guardou apressadamente os espelhos e, quando estava prestes a sacar o Bastão dos Desejos, uma onda de frescor penetrou-lhe o peito. Ao baixar os olhos, viu que um líquido verde-claro estava espalhado sobre o ferimento feito pela pantera. O suco rapidamente se infiltrou em seu corpo de espírito, e sua superfície começou a brilhar, fechando o corte à vista!

— Que bênção! — Xiao Hua logo percebeu com que tipo de sorte havia cruzado. Enquanto sacava o Bastão dos Desejos, sua mente envolveu o objeto de vários metros que jazia atrás de si, guardando-o em seu espaço. O objeto era entremeado de fios dourados e marcas semelhantes a rostos fantasmagóricos, mas, na pressa, Xiao Hua não se deteve a examinar.

— Bang! — O Bastão dos Desejos atingiu a pata esquerda da pantera, que soltou um uivo estridente enquanto o membro se despedaçava. O animal retorceu o corpo, e sua cauda longa, como a de um dragão, criou um redemoinho no ar. Xiao Hua preparava-se para enfrentar o ataque, quando, à esquerda, o urso já estava sobre ele, erguendo a pata imensa, capaz de esmagar até uma pequena montanha.

Sem ousar vacilar, Xiao Hua deslizou pelo ar, desviando-se da cauda, enquanto o Bastão dos Desejos se inclinava para atacar o urso. Subitamente, o urso rugiu e lançou outro raio de luz amarela direto contra o peito de Xiao Hua. Ao mesmo tempo, a pantera, ainda no ar, virou-se e lançou uma coluna de chamas negras, formando um ataque combinado com o urso.

— Isso... ainda são feras imortais? — Diante do cerco, Xiao Hua se espantou, mas ao encarar o olhar dos dois monstros, compreendeu. No Santuário dos Mil Demônios havia sete grandes santos; talvez essas duas feras não possuíssem o mesmo poder, mas, vivendo tanto tempo e cultivando-se, certamente desenvolveram inteligência, não inferior à de muitos cultivadores.

Em perigo extremo, Xiao Hua não hesitou. Com a mão esquerda, desferiu um golpe feroz com o Bastão dos Desejos na pata do urso, enquanto a mão direita invocava trovões ensurdecedores. Embora seu poder imortal fosse limitado, os relâmpagos envolveram-no, protegendo uma área de vários metros.

— Boom! — Com o impacto, a pata do urso afundou, e os raios dissiparam tanto a luz amarela quanto as chamas negras. Contudo, para desgosto de Xiao Hua, o relâmpago foi destruído pela cauda da pantera.

Sentindo o corpo amolecer, Xiao Hua soube que abusara de sua energia espiritual, tornando instável seu corpo de espírito. Mesmo assim, reconheceu a oportunidade. Mordeu os lábios, ativou o Passo Etéreo, aproximou-se do urso e, com um golpe certeiro, atingiu-lhe a cabeça.

Diferente do sapo e outros monstros anteriores, a cabeça do urso brilhou com luz amarela, runas do tamanho de polegares giraram no interior da luz antes que o sangue finalmente jorrasse.

Ao matar o urso, a pantera percebeu o perigo e tentou fugir em um lampejo de luz negra.

— Cresça, cresça, cresça! — Xiao Hua rugiu, e o Bastão dos Desejos respondeu à sua voz de espírito. Com um uivo, o bastão se alongou e desceu sobre a pantera, envolvendo-a em fumaça negra e runas que se expandiam como feijões, até que a vida da criatura se apagou.

— Ufa! — Xiao Hua permaneceu ali, exausto como há muito não sentia. Observou com olhar complexo os corpos das duas feras, ambos com poder comparável ao de cultivadores em tribulação, mas nada disse.

Guardou os dois corpos em seu espaço, baixou os olhos para o peito — o ferimento quase completamente curado —, mas sentiu a dor latente intensificar-se de repente. Ergueu o olhar para a lua verde-escura, ainda imóvel no alto; como desejava que ela logo se pusesse e o sol nascesse depressa.

— O quê? — Prestes a desviar o olhar, Xiao Hua sentiu um calafrio. Na colina próxima, dois olhos como lanternas se aproximavam silenciosamente; não fosse por seu devaneio olhando a lua, talvez jamais os percebesse.

— Uuuh... — Ao perceber que Xiao Hua o vira, o dono daqueles olhos saltou. À luz da lua, Xiao Hua pôde distinguir uma nova pantera verde-escura, ainda maior, com centenas de metros de comprimento.

Esta pantera estava coberta de runas douradas do tamanho de punhos, caminhava sobre nuvens negras e irradiava uma pressão violenta de seus olhos ferozes. Xiao Hua sabia que ela era várias vezes mais poderosa que as anteriores.

— Muito bem! — O medo transformou-se em ferocidade. Empunhando o Bastão dos Desejos, rugiu: — Venha sentir o poder de Xiao Hua!

A pantera estava longe, mas abriu a boca e lançou um redemoinho em sua direção.

A rajada cortante atravessou seu corpo, deixando-o gelado até os ossos, paralisando seus membros e cobrindo seu peito e abdômen com uma camada de gelo.

Se estivesse em um corpo físico, Xiao Hua poderia usar a Luz Dourada Protetora, mas, inexperiente no corpo de espírito, entrou em pânico, refletindo rapidamente sobre as opções.

Foi então que, ao longe, ouviu uma gargalhada clara, seguida pela voz do Emissário de Recepção:

— Sabia que era um imortal ascendente, com métodos impressionantes. Fugiu para cá em tão pouco tempo; estou verdadeiramente admirado!

Sem hesitar, Xiao Hua gritou aos céus:

— Irmão sênior, salve-me!

Ao mesmo tempo, ativou o Passo Etéreo, correndo ao encontro do Emissário de Recepção...

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